terça-feira, 27 de abril de 2010

Se rolar,rolou

Olá, amigos.

Acabo de chegar de um encontro de poucas pessoas e muito animador. O anfitrião comemorava suas setenta e tres primaveras. Foi lindo vê-lo com sua amada num carinho sincero de dar inveja a muitos bem mais novos.
Conversa vai, conversa vem e as palavras do Ministro da Saúde deixaram dúvidas. Muitos homens aos quarenta e poucos anos, já começam a se queixar de disfunção erétil. Sem se perguntarem sobre seus maus hábitos ( tabaco, stress, obesidade até luxúria) correm à primeira farmácia atrás da tal " pílula azul " ou um Viagra básico ou similares. Menos mal, se querem ter belo evento com a cara - metade. Pior, se ele quer apenas impressionar e está sempre ansioso e inseguro.
Não param para pensar se a amada - amante, amada - esposa ou namoposa, deseja cálidos beijos, pilhas de abraços e massagens restauradoras ou eróticas.
Antes de pensar puramente em sexo ( ó vida difícil para o homem !!!) o amor lhes permitiria a sensualidade. Mais velada, sutil mesmo, ela vai entrando pelos poros e, saibam os homens, terão um resultado ótimo para ambos, mesmo sem a força erétil buscada. A maioria se esquece da sensualidade e termina frustrado, às vezes tendo arriscado a vida com suas pílulas salvadoras.
Relaxem meninos de quarenta, sessenta, setenta ou mais. Façam como diz o meu amigo: nós "ficamos"; se rolar, rolou. Se não rolar, dormimos, na calmaria dos carinhos verdadeiros.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Do Amor

Novos Tempos, Fins dos tempos, Tempos Difíceis...
Vejo que não apenas eu aprecio refletir ou ao menos nomear o tempo. Sabemos que aqui onde vivemos tudo é relativo, questionável, passageiro. Contudo, observo muita gente querendo ensinar o já visto ou já vivido e aprendido, não como algo para se frisar, recordar ou vivenciar o estudo. Muitos - não citarei nenhum autor para não polemizar - estão apresentando palavras de líderes espirituais e, sobretudo do Mestre, Jesus Cristo, como se isto fosse algo novo. Agora, parece-me o tempo d' "o admirável mundo novo": fulana psicografou um novo evangelho ditado pelo próprio Jesus! Para quem não conhece o Novo Testamneto isso pareceria possível. Mas, Ele não tem mais nada a acrescentar nem ditaria nova mensagem, às vezes, contraditória. Outro, nos julga alienados ou infantis e tenta nos apresentar uma roupagem ingênua de uma teologia prejudicada desde muito tempo por iconografia cristã infeliz. O que surpreende é que tais recursos seriam válidos para analfabetos ou para criaturas párvoas. Um simples olhar para o catecismo elementar de cristãos, joga por terra qualquer conceito que se queira ter de Deus; pois que qualquer criança de nove ou dez anos sabe que Deus é Espírito. Sem corporalidade não pode ser representado de forma alguma. Aliás, conhecendo o ser humano, as Sagradas Escrituras proibem sua representação. Por melhor que seja a intenção do autor, o ABBA de Jesus Cristo ser apresentado como uma mulher é no mínimo voltar à época matriarcal - afinal até as feministas não se importam mais com o jeito de a Bíblia ter todo seu contexto apresentado de modo patriarcal. Feliz foi o apóstolo João ao dizer: " Deus é Amor". E amor não tem sexo nem forma nem idade. Amor é energia sadia, construtiva, solidária, pacífica. Todos sabem o que é Amor; mesmo que o nomeemos erótico, caritativo, passioneiro e outros tantos.

O que nos restará após esta jornada terrestre? Só o Amor que jorra do Ser Divino sobre nós e nos pode tornar melhores, se O acolhermos. A novidade do " amai-vos uns aos outros" traz no seu bojo a reciprocidade. E é isto que falta em nossa sociedade ególatra.

Vi um filme recentemente: "O Livro de Eli ". Surreal, pura ficção, mas termina com uma frase verdadeira, dita por Eli, que tinha decorado a Bíblia inteira. É mais ou menos assim:- por mais de trinta anos, li este livro todos os dias; é uma pena que não tenha praticado quase nada do que li.

Cuidemos de não apenas ler muito sobre o Amor e ficarmos só na teoria.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O tempo voou

Estou surpresa! Estive ausente por muito tempo. Já é fim de ano e nada postei.
Foram momentos de alegria, com tres aniversários de netos; um tempo de luto, com o falecimento de minha sogra - Ida - mais alegrias e ausências com viagens muitas, curtas no tempo, outras vezes, longas na distância. Vi e revi Campos do Jordão, Itatiaia - o parque é um paraíso e Penedo um cantinho adorável. Depois vieram: Moscou, Varsóvia, Cracóvia, República Tcheca, Budapeste, Praga, Viena e Berlim. A parte linda é como já vimos na Europa Ocidental. Sem ser pessimista, o banho de História que tive foi visitar Auschwitz e Birkenau. Foi o choque do mundo lindo, amoroso com o inferno maldoso, incrivelmente realista! Contudo, se fosse possível, todos deveríamos ver o que restou daquela trajédia humana e não girarmos sempre em torno dos lindos museus imperiais ou artísticos; observar o gótico ou renascentista das catedrais...Aquela visão ficará comigo para sempre, não como pesadelo mas em compaixão. Algo que não durará apenas o tempo de um filme, sobre os campos nazistas de concentração.
Espero estar mais atenta a este blog, mesmo que ninguém o leia. É muito gratificante escrever. Não precisa ser um romance, um conto mesmo uma poesia. O rabiscar, com lápis ou caneta - aqui o teclado - é uma terapia para mim.( ou um bombom com licor!)
Bom, só quero dizer que estou de volta e quero ser mais disciplinada. Boa noite.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Chegada de Gabriel

Chegada de Gabriel

Meu terceiro neto, Gabriel, chegou na tranquilidade de um dia que findava; no dia vinte e um de outubro, no ombro de uma nuvem espessa. Só que a nuvem se segurou e não rolou feito água, céu abaixo, como das outras vezes.
A ansiedade era a mesma que sofrera desde o primeiro evento, quando nasceu Felipe; a mesma que inundava meu coração, no tempo de Guilherme. Avó sofre! Pode ser que avô sofra, que tia arregale os olhos e tio finja sossego. A verdade é que avó sofre! Avó Regina e Avó Mary. Esta, então era puro desespero! O tempo parecia estacionado. Ou era eu que olhava sem pausa para o relógio, querendo logo o menino na vidraça.
Nosso coração desceu do espanto, quando Surya, todo paramentado de cirurgião, surgiu à porta, com imenso sorriso e olhos como estrelas brilhando! Fingia calma, experiência já adquirida; só fingia, eu sei! Foi o abraço mais apertado que até hoje me deu.
Depois, foi só alegria, vendo o banho através da vidraça. O pai, que corajoso!- ou é a mãe que é corajosa?- lavava o filho com desenvoltura, sob a supervisão da enfermeira. Se uma avó limpava disfarçadamente alguma lágrima, pode ter a certeza de que era de pura emoção ou só um cisco que entrara em seus olhos!
Agora, é dar graças ao Senhor e curtir a presença desse anjinho, que, além de tudo, traz o nome de Anjo. E que Anjo!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Do sofrimento e da dor

Quando a dor não vai embora
nem em saudade se torna,
morres com ela,
ou finges que não a ves,
que não a sentes...
Ela se cansa e some.
Ou te consome e te faz demente!
Retoma, então, tua vida deposta
e garimpa alegria como resposta
ao sofrimento.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Justiça

Apenas um pequeno comentário: eu dissera, tendo assistido ao filme sobre a vida de Edith Piaf, que a atriz Marion Cotillard merecia o prêmio de melhor atriz, no evento Oscar de 2008. Coisa óbvia para muitos, tal a perfeição com que encenou o drama que foi aquela vida. Assim é que eu, que nem ligada sou nesta badalação, prestei atenção, torci pela moça e fiquei feliz que lhe tenham feito justiça.
Se você viu o filme há de concordar comigo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Coisas de Menino

Estou no tempo de rasgar papéis. Vocês sabem o que é isso? Se sabem, é bem isso mesmo: a gente guarda postais, cartas, bilhetes até contas de telefone e outras coisitas mil...Vou jogando em uma gaveta, meio a lembretes e versos que me ocorrem no meio da noite ou enquanto almoço; numa lanchonete ou na madrugada. Chega um momento em que o volume grita e me sinto na obrigação de exercitar a escolha.
Foi num desses momentos que encontrei algo de grande significado para mim. Meu filho tinha cinco anos e tínhamos, atrás da casa, um misto de jardim e pomar. Havia grande ameixeira, goiabeira e limoeiro. No pequeno jardim, ao redor do muro, plantei samambaias, rosinhas e lírios; sob a grande árvore, orquídeas desfrutavam da generosa sombra, sobre um jirau. Todo o espaço central era coberto por grama, o que permitia às crianças brincarem com grande liberdade!
Conto sobre este cenário para que possam entender como em plena cidade grande, no fim do século vinte, as crianças ainda podiam desfrutar de brincadeiras ao ar livre até subindo em árvores!
Espero que meus netos, como meus filhos, possam brincar neste novo pequeno jardim e que nele haja clima de paz para sonharem. Transcrevo o achado e rasgo a preciosidade do papel já amarelecido.


Coisas de Menino

Coisa mais linda a imaginação infantil a desenhar florestas; a construir um enorme barco, cheinho de piratas; um mar, com tubarões e tudo, no exíguo quintal; a povoar a vida com realidades virtuais...
Entre varais coloridos, com prejuízo de alguns lírios, surge violento urso...Somente a poderosa metralhadora - "é super- sônica" - afirma entre matreiro e aflito, poderá liqüidá-lo. Apontando para o nada um disforme pedaço de madeira, onomatopatiza com língua ágil o som de sua defesa.
Virando-se num salto, deixa esta arma...E, com as mãos em concha sobre a boca, grita o grito forte do senhor das selvas: ô...ô...ô... Subindo na árvore como Tarzan, dela desce como Batman. À metamorfose basta uma corda ( o grosso cipó africano) e um pano de copa ( a capa!). Caçando é Falcon; nadando na grama, é o " homem- do- fundo- do- mar"...
Com lápis e papel faz lindos desenhos; com massa e argila constrói um mundo fantástico de bichos, máquinas e robôs. " Minhas experiências" diz com autoridade, nariz empinado.
De repente cessa toda a agitação. A brincadeira acabou-se. Escondeu-se a criança. Sumiu! Muito quieto, boa coisa não faz...Qual nada!
- " Estou seguindo as formigas! E tem outro bicho muito perigoso!"
- " Que é? interrogo alvoroçada. Nem precisa responder: o pobre besouro segue em cortejo funeral, arrastado ao formigueiro! E, não contente de cercear-lhes o caminho, repete em tom doutoral:- "vou castigar elas...são más...picam a gente!..." Levanta o pezinho e desfecha-lhes golpe mortal. Tento explicar que não é assim, mas : "Agora, vou procurar tatuzinhos; são mais bonzinhos; não tenho medo, viram bolinhas!"
Não passa um quarto de hora sossegado: espada de papel, máscara de Zorro, ou a bola, nos chutes fortes- "sou Rivelino", "sou a Ponte Preta"...
Olhando com novo olhar, distante de tudo que já vivenciara, me pede:-"mamãe, faz pra mim uma estrela de Xerife? Pego tesoura e um papel qualquer e tento uma estrela. "Assim não! Assim não serve! Tem que ser papel amarelo! E lá vou eu atrás de papel apropriado. Depois, debruçado sobre o Forte Apache, mil homenzinhos e índios submissos, ele é o dono do quartel. Fala grosso e gira o revólver de plástico entre os dedos, uma façanha! Só depois de muita manha e alguma zanga, ei-lo na cama, sonhando suas verdades...
Dia curto para tanta lida!
Todavia, como tudo na vida não passa de ilusão, é mais viva esta fantasia sua, que a vida real sem emoção.