Mulher Vencedora
Se você o tem,
Escute o lamento do desejo enjaulado,
Como o uivo do coiote, em noite de lua...
Porque a Mulher Vencedora,
Não é tola nem atocha seus dias
Com sofrimentos vãos.
Não aponta o dedo a si mesma
À procura de defeitos incorrigíveis
Nem se fecha num porão inatingível,
Pra dizer que ninguém a encontrou.
Na vitória, alegra-se às alturas
A mulher Vencedora.
Na derrota, não sucumbe aos infernos...
Dirige sua energia ao projeto próprio,
Sem descuidar-se do necessitado.
Não teme a solidão nem a crítica.
Cria e desvenda sonhos
E batalha por eles.
Deseja mais a vida que vem do conflito
Que o manjar cedido em troca de favores.
A Mulher Vencedora,
Altiva e forte está muito perto.
Pois a Mulher Vencedora
Vive dentro de você!
sexta-feira, 8 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
Gira mundo, mundo gira
Gira mundo, gira giramundo, mundo gira...
Esta é apenas uma forma que arranjo para explicar como a vida não para; como o tempo se sucede sem intervalos, inspirando e expirando como um organismo vivo.
Desde os anos noventa, quando estudei um pouco sobre a Filosofia do Tempo, em diferentes épocas, me apaixonei, me deixei seduzir por um estado de espírito que envolve o ser humano, na sua jornada temporal. Somos prensados entre o nascer e a derradeira hora. Sem estresse nem ansiedade, deveríamos valorizar este tempo relativo, limitado, exíguo até. Há quem não valorize seu Tempo de Existir. Há quem não gaste tempo contemplando uma flor, uma borboleta, um pássaro ou uma cachoeira, só para mencionar alguns aspectos da Natureza. E os admiráveis gestos de amor, mesmo as tristezas nascidas do rancor...O mistério da vida no Tempo me fascina. O Tempo é o que temos. O resto é especulação.
Com a criancinha de dois meses em meu colo, iniciei um diálogo:-" Giovana, minha criança, Deus tem sido generoso comigo. Deu - me anos de saúde, tempo largo, robusto e fértil. Giovana, querida, como você, agora, eu tive outros bebês em meu colo; um mais clarinho e duas moreninhas. Você me lembra minhas meninas..."
Giovana sorria e fazia caras e bocas enquanto eu lhe falava de meu tempo de ter bebês no colo.
O Tempo passara depressa ou seria eu que me apressara através dele?
E continuei dizendo a ela que uma menina estava agora vivendo seu tempo de estar longe do colo, em Madri e outra menina arrumava suas malas para ter mais um tempo do outro lado do mar. Giovana parecia entender o que eu lhe dizia ao franzir a testa, depois ao esticá-la e voltar a frazí-la. Sorria condescendente, como a dizer-me: "vovó, o Tempo a Deus pertence, quem sabe quando será o tempo de eu passar um tempo longe do colo? Aproveite, pois, este Tempo de me ter em suas mãos".
Sábia criança!
Neste exato momento, a minha criança está voando através das nuvens e, em poucas horas descerá em Paris, onde terá mais um Tempo de experiência fora do colo. Certamente, dentro da saudade, das orações e do silêncio.
Tenho que monitorar meu tempo, sem lamúria só com ternura para os que estão no meu tempo físico. Tempo dos filhos e dos netos, sobretudo dos pequenos Gui e Gio.
E sei que o tempo seguirá seu trajeto, pelo mundo. Gira então mundo, gira.Gira, Giramundo!
Esta é apenas uma forma que arranjo para explicar como a vida não para; como o tempo se sucede sem intervalos, inspirando e expirando como um organismo vivo.
Desde os anos noventa, quando estudei um pouco sobre a Filosofia do Tempo, em diferentes épocas, me apaixonei, me deixei seduzir por um estado de espírito que envolve o ser humano, na sua jornada temporal. Somos prensados entre o nascer e a derradeira hora. Sem estresse nem ansiedade, deveríamos valorizar este tempo relativo, limitado, exíguo até. Há quem não valorize seu Tempo de Existir. Há quem não gaste tempo contemplando uma flor, uma borboleta, um pássaro ou uma cachoeira, só para mencionar alguns aspectos da Natureza. E os admiráveis gestos de amor, mesmo as tristezas nascidas do rancor...O mistério da vida no Tempo me fascina. O Tempo é o que temos. O resto é especulação.
Com a criancinha de dois meses em meu colo, iniciei um diálogo:-" Giovana, minha criança, Deus tem sido generoso comigo. Deu - me anos de saúde, tempo largo, robusto e fértil. Giovana, querida, como você, agora, eu tive outros bebês em meu colo; um mais clarinho e duas moreninhas. Você me lembra minhas meninas..."
Giovana sorria e fazia caras e bocas enquanto eu lhe falava de meu tempo de ter bebês no colo.
O Tempo passara depressa ou seria eu que me apressara através dele?
E continuei dizendo a ela que uma menina estava agora vivendo seu tempo de estar longe do colo, em Madri e outra menina arrumava suas malas para ter mais um tempo do outro lado do mar. Giovana parecia entender o que eu lhe dizia ao franzir a testa, depois ao esticá-la e voltar a frazí-la. Sorria condescendente, como a dizer-me: "vovó, o Tempo a Deus pertence, quem sabe quando será o tempo de eu passar um tempo longe do colo? Aproveite, pois, este Tempo de me ter em suas mãos".
Sábia criança!
Neste exato momento, a minha criança está voando através das nuvens e, em poucas horas descerá em Paris, onde terá mais um Tempo de experiência fora do colo. Certamente, dentro da saudade, das orações e do silêncio.
Tenho que monitorar meu tempo, sem lamúria só com ternura para os que estão no meu tempo físico. Tempo dos filhos e dos netos, sobretudo dos pequenos Gui e Gio.
E sei que o tempo seguirá seu trajeto, pelo mundo. Gira então mundo, gira.Gira, Giramundo!
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Atitudes
No dia 12 deste fevereiro, fiquei surpresa com a atitude do papa Bento XVI, quanto à renúncia de seu pontificado. Surpresa é um termo pouco adequado, ponderando hoje. Ouvi muitos jornalistas e cientistas políticos tentando decifrar a " esfinge". Ora, se nem estes foram convincentes ou logicamente não tem respostas para esse acontecimento histórico e novo, muito menos eu. Como disse, fiquei mais que surpresa; fiquei indignada. Não que este importante líder religioso, na altura de seus muitos e penosos anos não pudesse dar um "basta", " cansei". O que me irritou - posso ser uma terrível criatura - é que a Igreja me parece incoerente: seu antecessor, idoso, doente, fragilizado, mal se arrastava e balbuciava umas palavras ininteligíveis. Este teve que ficar ali até os últimos instantes. Dava- me a impressão de que já estava morto e o sustentavam meio encoberto, para abençoar aqueles que o queriam vivo mesmo que agonizando em praça pública, como foi dito sobre Cazuza. Já não podia falar e foi um descanso para ele e para mim quando o declararam " vendo a face de Deus"!
Este, apesar de idoso, está lúcido, sem doença limitante. O papa cansou-se. Cansou-se de escândalos de diferentes formatos, uns piores que os outros. Cansou-se Sua Santidade das fofocas palacianas, da busca de poder, da disputa entre, no mínimo dois grupos divergentes. Eu, como muitos queremos palpitar, queremos descobrir o como e o porquê conseguiram minar as energias do sacerdote. Porque a mesma Igreja nos ensina - eu sou cristã - pelas palavras de Jesus Cristo:" quem quiser ser meu discípulo, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz- de- cada-dia, venha e siga-me"
Pode ser que renunciar à sua vida, para Bento XVI seja ele parar de ser o " manda-chuva" daquilo em que se deva crer. Ou seja: agora, não mais poderá dizer que uma atitude não combina com um cristão. Apesar de não termos hoje um tribunal inquisitório. Se ele não fosse um servo de Deus, ou um representante de Cristo, na Terra; se ele não fosse escolhido pelo Espírito Santo eu até entenderia. Mas ele se opor a quem o colocou lá, isso é-me difícil de aceitar. Contudo, orarei por ele.
A renúncia de Bento XVI inspirou minha amiga, já cansada em um casamento difícil, desgastado por um marido adúltero, indiferente e de personalidade complicada. Ela segurou seu casamento por mais de trinta anos. Disse-me com segurança:" O papa renunciou, está cansado, sente que não tem mais argumentos para levar sua tarefa adiante. Eu também cansei. Vou cair fora sem remorços, sem culpa".
O papa se cansou de um cargo; continua sacerdote para sempre.
Atitudes são resoluções pessoais. De fato, é melhor tomar a atitude de cair fora que somatizar doenças. E o papa deve dar graças a Deus, pois se não houvesse um Estado, com toda a parafernália que o envolve, ele seria tão somente um sábio líder religioso.
Este, apesar de idoso, está lúcido, sem doença limitante. O papa cansou-se. Cansou-se de escândalos de diferentes formatos, uns piores que os outros. Cansou-se Sua Santidade das fofocas palacianas, da busca de poder, da disputa entre, no mínimo dois grupos divergentes. Eu, como muitos queremos palpitar, queremos descobrir o como e o porquê conseguiram minar as energias do sacerdote. Porque a mesma Igreja nos ensina - eu sou cristã - pelas palavras de Jesus Cristo:" quem quiser ser meu discípulo, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz- de- cada-dia, venha e siga-me"
Pode ser que renunciar à sua vida, para Bento XVI seja ele parar de ser o " manda-chuva" daquilo em que se deva crer. Ou seja: agora, não mais poderá dizer que uma atitude não combina com um cristão. Apesar de não termos hoje um tribunal inquisitório. Se ele não fosse um servo de Deus, ou um representante de Cristo, na Terra; se ele não fosse escolhido pelo Espírito Santo eu até entenderia. Mas ele se opor a quem o colocou lá, isso é-me difícil de aceitar. Contudo, orarei por ele.
A renúncia de Bento XVI inspirou minha amiga, já cansada em um casamento difícil, desgastado por um marido adúltero, indiferente e de personalidade complicada. Ela segurou seu casamento por mais de trinta anos. Disse-me com segurança:" O papa renunciou, está cansado, sente que não tem mais argumentos para levar sua tarefa adiante. Eu também cansei. Vou cair fora sem remorços, sem culpa".
O papa se cansou de um cargo; continua sacerdote para sempre.
Atitudes são resoluções pessoais. De fato, é melhor tomar a atitude de cair fora que somatizar doenças. E o papa deve dar graças a Deus, pois se não houvesse um Estado, com toda a parafernália que o envolve, ele seria tão somente um sábio líder religioso.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Pacto de Confiança
Se à minha esquerda
Há uma batalha cerrada,
Outra à direita sugere minha perda.
Não ficarei assustada.
Ele me repete fala antiga:
Se com Ele fiz um pacto,
Manda - me legião amiga.
Isso acontece de fato!
Acolhe - me porque chamo
Com poder Seu Nome.
E com total entrega O amo.
É um amor que me consome;
Um fogo de luz mais que humano.
E dá - me do Eterno mais fome!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Boas Notícias
Gosto muito de uma melodia que diz que o amor está no ar - " Love ( is ) IN THE AIR "- é uma música dançante, muito alegre. Não contemporânea, interpretada por Paul Young, esta melodia encontra eco em meu jeito de viver a vida e ver o mundo ao redor. Ao me acordar, antes do café- da- manhã, olho através da vidraça e sinto o amor de Deus, sua própria Presença, nas singelas flores de meu jardim. Saio do espaço - tempo, acompanhando a dança dos pássaros e das borboletas orquestrados por mãos angelicais. Sinto o amor, na boa notícia de que sou amada e amo; na convicção de que o sol, o céu azul, as núvens - como algodão - doce - até a chuva e dias amargos são presentes do Altíssimo. E, nas horas difíceis, o amor me abraça ou me aparece em forma de esperança, num cartão postal, num e-mail, um telefonema, no Skype até numa carta! Essa boa notícia por carta é rara nos dias atuais. Muitos vivem na correria - tem centenas de amigos virtuais, não desgrudam das redes sociais, mas sem tempo para um papinho cara - a - cara.
O mundo, de modo geral e nossa nação, particularmente, carecem de paz e alegria. Agir em favor de valores éticos e morais é nosso dever, sem perder, contudo, a delicadeza. Precisamos usar a força do Direito e não o direito da força. Ouvi muito isso, durante a minha infância. Ignoro o autor dessa boa notícia. Se não quisermos verbalizar nosso amor, podemos sorrir, olhar dentro dos olhos, abraçar, sussurrar. Se desacelerarmos nosso dia, passaremos um pouco de calma ao derredor. Uma boa melodia é um recado e tanto; ela contamina para o bem, como carranca e agitação nos arrastam para o mal.
Fiquei a pensar sobre isso ao ouvir e ler más notícias, num único dia: moça grávida falece após receber um tiro na cabeça; menina morre com bala perdida; mais uma funcionária recebe outro tiro na cabeça! Várias chacinas ocorrem na capital paulista e em outras cidades! Não são estas, notícias de jornais de terceira categoria. São as que lemos e ouvimos nos principais veículos de comunicação. Alienar - se, sair para escapes geradores de doenças não resolve. Precisamos espalhar amor por toda parte; precisamos urgentemente de boas notícias.
O mundo, de modo geral e nossa nação, particularmente, carecem de paz e alegria. Agir em favor de valores éticos e morais é nosso dever, sem perder, contudo, a delicadeza. Precisamos usar a força do Direito e não o direito da força. Ouvi muito isso, durante a minha infância. Ignoro o autor dessa boa notícia. Se não quisermos verbalizar nosso amor, podemos sorrir, olhar dentro dos olhos, abraçar, sussurrar. Se desacelerarmos nosso dia, passaremos um pouco de calma ao derredor. Uma boa melodia é um recado e tanto; ela contamina para o bem, como carranca e agitação nos arrastam para o mal.
Fiquei a pensar sobre isso ao ouvir e ler más notícias, num único dia: moça grávida falece após receber um tiro na cabeça; menina morre com bala perdida; mais uma funcionária recebe outro tiro na cabeça! Várias chacinas ocorrem na capital paulista e em outras cidades! Não são estas, notícias de jornais de terceira categoria. São as que lemos e ouvimos nos principais veículos de comunicação. Alienar - se, sair para escapes geradores de doenças não resolve. Precisamos espalhar amor por toda parte; precisamos urgentemente de boas notícias.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Ritos de Passagem
Na verdade, não fiz hoje nem por estes messes passados, nenhuma mudança em meu viver que justificasse algum rito marcante. Celebramos, é correto dizer, o nascimento de meu Senhor e Salvador, Jesus, o Cristo. Sinceramente, Jesus que me desculpe, seu aniversário está muito deturpado, avacalhado mesmo. É a festa da gastança e do estômago; o " amigo secreto" querendo aparecer com o melhor e mais caro presente e furioso de ter recebido algo que julga de inferior qualidade...
Hoje, celebro meu aniversário de casamento. Sem festa, sem alarde, sem os filhos nem os netos. Contingências normais. Estamos saudáveis e felizes, isso é o que importa. Um cumprimento que nos chega do outro lado do mundo é mais que champagne e caviar; muito mais que violino e rosas vermelhas.
Tenho ciência de que estamos prensados entre o nascer e a derradeira hora; estes são os dois ritos de passagem mais significativos do ser humano. Antes de nascer, com todos os preparativos médicos e de total envolvimento familiar, de posse do sexo da criaturinha começam a especular sobre o nome da criança. Logo após o nascimento, a criança é registrada com seu nome pomposo ou simples e seguem-se as incansáveis e obrigatórias visitas; trazem presentes e recebem lembrancinhas de gratidão. Depois, a cada ano, é um evento palaciano o ritual de passagem, com festa para familiares e amigos, envolvendo garçons, decoradores temáticos, uma parafernália que não existia há anos! Observo ainda certos ritos religiosos que uns seguem pela crença, outros para não se sentirem excluidos, como acentuou minha amiga de Fortaleza. Disse que batizaria a filha para que esta não fosse diferente das outras. Isso é como você comer papelão molhado porque a maioria o está comendo!
Os cristãos - católicos batizam seus filhos ainda bem novinhos; os evangélicos praticam o rito de mergulharem-se em rios ou lagos já adultos. São esses ritos que conferem a essas pessoas um carater transcendental. Ainda são levados a ritos mais envolventes, quando fazem promessas e renúncias de grande complexidade, mesmo não entendendo completamente sobre o que estão falando - afirmando ou negando. Assim também os judeus e os membros de outras religiões e seitas.
Quanto ao sombrio rito de passagem para outro estado de ser - ou não ser, melhor dizendo - às vezes há longa preparação, se a pessoa arrasta vida afora uma doença crônica ou incurável. Durante este rito de passagem, muitos não se permitem o choro; fingem força, coragem ou fé. Não percebem que é terapêutico esvaziar nas lágrimas cansaço e frustração, tudo o que a partida do ente querido lhe impõe. Nos tempos longínquos, as pessoas pranteavam o morto durante seu velório e aqueles malvados, que não tinham quem lhes pranteassem, pagavam as tais carpideiras a gemer e clamar durante a noite inteira, quiçá arrancando seus próprios cabelos, enquanto o morto seguia em cortejo até o campo santo. Depois, as pessoas mais íntimas se vestiam de preto por um ano e, aos poucos, iam tirando o luto com roupas mais claras até voltarem ao estado normal. Vi ao menos duas viuvinhas namoradeiras em pleno luto, cujos vestidos pretos, muito decotados, deixavam à mostra os níveos colos convidativos. Nenhuma dor as assaltava, contudo, o ritual de passagem para esse novo status social exigia esse selo exterior.
Os ritos de passagem não desaparecerão. Estão cada vez mais sofisticados. Festas de casamento - que duram por vezes apenas alguns meses - consomem cifras absurdas, incentivadas pela mídia, pelo gosto efêmero da fama ou de apenas ser notícia.
Seja a dor, seja o amor; seja a fé ou uma iniciação qualquer, o rito de passagem poderia ser bem mais intenso se não se fizesse dele tanto alarde.
Hoje, celebro meu aniversário de casamento. Sem festa, sem alarde, sem os filhos nem os netos. Contingências normais. Estamos saudáveis e felizes, isso é o que importa. Um cumprimento que nos chega do outro lado do mundo é mais que champagne e caviar; muito mais que violino e rosas vermelhas.
Tenho ciência de que estamos prensados entre o nascer e a derradeira hora; estes são os dois ritos de passagem mais significativos do ser humano. Antes de nascer, com todos os preparativos médicos e de total envolvimento familiar, de posse do sexo da criaturinha começam a especular sobre o nome da criança. Logo após o nascimento, a criança é registrada com seu nome pomposo ou simples e seguem-se as incansáveis e obrigatórias visitas; trazem presentes e recebem lembrancinhas de gratidão. Depois, a cada ano, é um evento palaciano o ritual de passagem, com festa para familiares e amigos, envolvendo garçons, decoradores temáticos, uma parafernália que não existia há anos! Observo ainda certos ritos religiosos que uns seguem pela crença, outros para não se sentirem excluidos, como acentuou minha amiga de Fortaleza. Disse que batizaria a filha para que esta não fosse diferente das outras. Isso é como você comer papelão molhado porque a maioria o está comendo!
Os cristãos - católicos batizam seus filhos ainda bem novinhos; os evangélicos praticam o rito de mergulharem-se em rios ou lagos já adultos. São esses ritos que conferem a essas pessoas um carater transcendental. Ainda são levados a ritos mais envolventes, quando fazem promessas e renúncias de grande complexidade, mesmo não entendendo completamente sobre o que estão falando - afirmando ou negando. Assim também os judeus e os membros de outras religiões e seitas.
Quanto ao sombrio rito de passagem para outro estado de ser - ou não ser, melhor dizendo - às vezes há longa preparação, se a pessoa arrasta vida afora uma doença crônica ou incurável. Durante este rito de passagem, muitos não se permitem o choro; fingem força, coragem ou fé. Não percebem que é terapêutico esvaziar nas lágrimas cansaço e frustração, tudo o que a partida do ente querido lhe impõe. Nos tempos longínquos, as pessoas pranteavam o morto durante seu velório e aqueles malvados, que não tinham quem lhes pranteassem, pagavam as tais carpideiras a gemer e clamar durante a noite inteira, quiçá arrancando seus próprios cabelos, enquanto o morto seguia em cortejo até o campo santo. Depois, as pessoas mais íntimas se vestiam de preto por um ano e, aos poucos, iam tirando o luto com roupas mais claras até voltarem ao estado normal. Vi ao menos duas viuvinhas namoradeiras em pleno luto, cujos vestidos pretos, muito decotados, deixavam à mostra os níveos colos convidativos. Nenhuma dor as assaltava, contudo, o ritual de passagem para esse novo status social exigia esse selo exterior.
Os ritos de passagem não desaparecerão. Estão cada vez mais sofisticados. Festas de casamento - que duram por vezes apenas alguns meses - consomem cifras absurdas, incentivadas pela mídia, pelo gosto efêmero da fama ou de apenas ser notícia.
Seja a dor, seja o amor; seja a fé ou uma iniciação qualquer, o rito de passagem poderia ser bem mais intenso se não se fizesse dele tanto alarde.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Gabriel
Olhos azulados,
Boca bem desenhada
E um bonito nariz.
Algo me diz
Que você está sorrindo para mim!
Todavia, sei muito bem
Que é só sensação de bem - estar
Que seu desconforto aplaca.
Vovó sua cadeira balança,
Cheia de esperança
Nas covinhas de sua face!
Depois de uns minutos, está dormindo...
Eu, a mim mesma sorrindo,
Ouvindo o vento, no jardim,
Numa paz sem fim,
A me julgar a mais feliz do Universo!
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