Preciso de um chá de capim cidreira. Talvez a textura verde da erva hortelã, à hora de dormir, me faça pegar o sono que me tem escapado, sem pedir desculpas.
Não comentarei sobre a Zica, que deve ter - se alimentado da Dengue, que deve ter surgido da falta de saneamento básico, atrás de entulhos grosseiros, gramas a medrar fora de seus limites ou os mosquitos que gostam de nadar nas poças que enfeitam as lages de construções mal - acabadas. Também, temos um desgoverno geral e a corrupção correndo solta - cada dia um novo nome ilustre - peço desculpas pelo adjetivo usado - não falarei disso. Contudo, esta Zica deve ter surgido para desviar nossa atenção e ocupar nossa mente com algo que toca nosso instinto de conservação da vida!
Não questionarei as recentes mortes na Síria - de quem mesmo é a culpa? Nem sobre outro norte- americano perturbado que chegou atirando, daquele jeito quando dizemos que o atirador é um frustrado; alguém rancoroso...Lá, tal comportamento é clássico e histórico.
Nada falarei sobre as numerosas pessoas desvairadas que perderam tudo e buscam asilo na Europa Central. No desespero, pagam caro e se atropelam em frágeis barcos e muitos nem alcançam seu destino: morrem no meio do mar; surgem na praia como rejeito das águas!
E o ciclone, as enchentes muitas, a catástrofe que atingiu a essência límpida da água do Rio Doce?!
Realmente, preciso de um chá de capim- cidreira!
E, procurando onde se obtém a vacina Imuno -BCG - para tratamento de câncer de bexiga, que era produzida no Instituto Butantan - em S. Paulo, descubro que este setor foi " transferido" para uma tal Fundação Ataulpho de Paiva - única no Brasil a poder fabricar, mas não o está fazendo! Prometeram que estaria pronta em janeiro; depois em fevereiro e, finalmente que a teríamos em março. Como é possível este precioso e indispensável medicamento ficar em mãos de único laboratório que nem se da o trabalho de explicar a quem o procura, o motivo de terem parado com a fabricação? Ouvi uns boatos de que há grande demanda. Não discutirei tal argumento. Este não me convence.
Já falei sobre o terrível mundo da ficção de Orwell. Sem mergulhar em " Arquivo X", quero-me juntar a algum grupo alienado, porém mais feliz, sem pesadelos de olhos abertos, como tenho vivido.
Viver é correr riscos...
Todavia, minha alienação não me levará a ver BBB- nem novelas de mau gosto, de pura gritaria e agressões! Bons livros estão embalando meus dias; fuga para o jardim, com uma jarra de limonada, também ajuda a espantar o calor e a escuridão densa de pensamentos e sentimentos que tentam aprisionar-me...
Não tecerei comentários sobre aqueles que trabalham para aliviar o peso do mundo, enquanto outros não os ajudam nem com a ponta de um dedo! Também não há frases capazes de exprimir a fragilidade e a mesmice de filmes e todo o conteúdo manipulador dos meios de comunicação...
O jeito é ter sua catedral de cristal, dentro de si mesmo e ao menos alguma alma gêmea para trocar uma xícara de chá, enquanto o sol se põe chorando e a lua começa a surgir, timidamente, como sentinela desarmada, a juntar-se a uma população desprotegida.
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
O Clamor das Ruas
O grito que vem das ruas
não é grito de guerra.
Mesmo vindo dos sem - terra,
dos sem - teto, dos sem - nada.
O clamor, então, por que seria?
Não seja, pois, enganada.
Aqui não é a Síria!
O malfeitor mascarado,
mal - ajambrado
não é criança
ingênua, sem esperança.
Não pode portar
paus, pedras nem lança.
Não deve quebrar vidraças,
pôr fogo em ônibus,
impedir sua paz
nem roubar sua vida.
O clamor das ruas é legal.
É adestramento da cidadania.
Não creia na fantasia
de ser melhor dentro de casa,
a fugir do dever.
Não se acorrente ao medo.
Medo é solidão, terror.
Medo é escuridão.
Não carrega amor nem união.
Coragem!
O limite do medo
é o brilho da luz divina
que está em você!
não é grito de guerra.
Mesmo vindo dos sem - terra,
dos sem - teto, dos sem - nada.
O clamor, então, por que seria?
Não seja, pois, enganada.
Aqui não é a Síria!
O malfeitor mascarado,
mal - ajambrado
não é criança
ingênua, sem esperança.
Não pode portar
paus, pedras nem lança.
Não deve quebrar vidraças,
pôr fogo em ônibus,
impedir sua paz
nem roubar sua vida.
O clamor das ruas é legal.
É adestramento da cidadania.
Não creia na fantasia
de ser melhor dentro de casa,
a fugir do dever.
Não se acorrente ao medo.
Medo é solidão, terror.
Medo é escuridão.
Não carrega amor nem união.
Coragem!
O limite do medo
é o brilho da luz divina
que está em você!
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