Lá estavam muitos sem esperança, alavancados no medo. O medo era real, em parte - também aumentado pelas densas nuvens do desemprego e da doença. A mídia a anunciar, como vendedor de pipoca, que as pandemias estavam fazendo a festa desde o esgoto a céu aberto até ralos córregos quase a secar...
Ela chegou mansa, devagar, como quem respeita o sono de criança de peito. Jeito bonito, educado, leve e abraçador. Falou baixo sem pretensão, que o tempo pedia Fé. E quando se fala em fé, pode ser fé na vida, em ficar rico ou ser miss do milho ou da cidade caipira. Mas a Fé de que ela falava era o sentimento maior que busca o céu e alcança milagre. E disse, sem rodeios que não se pode ter fé apenas teórica. Ela começa na mente - despertada a razão - passa pelo sentimento e deságua em ação.
Se não se concretizar em atos, é morta! Além de um pedaço de pão ou um copo d'água podemos oferecer uma refeição completa aos assassinos mais cruéis que vivem nas prisões. Pode acontecer que o amor embutido em cada naco de frango ou garfada de maionese chegue ao coração daquele que nunca recebeu atenção...
Outras obras são espirituais- obras de misericórdia - como visitar algum doente em sua casa ou hospitalizado. Há idosos que vivem solitários, sem parentes nem amigos. É só buscar e encontraremos um campo vasto para exercermos a verdadeira Fé.
Se nada disso for possível, resta a força da oração " alavanca que levanta o mundo" - no dizer de santa Terezinha de Lisieux.
Se cremos em Deus, em Cristo precisamos mostrar ao mundo que neste caótico desencontro podemos ainda encontrar um lírio no meio da lama.
Mostrando postagens com marcador fé. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fé. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 8 de abril de 2016
sábado, 18 de janeiro de 2014
Boa Morte
Faz já algum tempo que quero falar deste assunto. Minha filha enviara- me com entusiasmo a notícia sobre o valoroso atleta belga, Emiel Pauwels. O senhorzinho das mil medalhas ( ouro, prata, bronze ) - a recebê - las desde sua juventude, tinha agora 95 anos! Ele falecera neste último sete ( 07) de janeiro, tendo optado pela eutanásia. Eu estava cansada e focada em conversas de doenças, de parentes e amigos e não me detive a valorizar sua perseverança. Ele se dedicara ao atletismo com empenho e conquistara seus muitos premios até tornar-se um dos maiores da Europa, em sua categoria de veteranos. De fato, eu deveria deter-me neste fantástico progresso, tendo ele atravessado idades tão limitantes até desanimadoras.
Não são muitos os países que aprovam e executam a eutanásia. Temos os Países Baixos, Luxemburgo e Suíça na iminência de aprovação, a Colômbia e, nos Estados Unidos, somente o Estado do Oregon. François Hollande - presidente francês - acaba de anunciar lei que regulamenta o final da vida de pacientes terminais, para encerrarem seus dias " com dignidade". Segundo o juramento de médicos, eles devem fazer todo o possível para recuperar a saúde de doentes; mesmo aqueles portadores de doenças incuráveis. Temos visto verdadeiros milagres em que há recuperação espantosa, sobretudo para os que gostam de viver. Tivemos dois doentes terminais na família e estes agiram corajosa e tranquilamente até o fim, apesar de grande sofrimento. Nenhuma revolta ou desespero, constatamos.
Pode acontecer, como já ocorre na Bélgica, que ninguém mais se espante nem questione com o emprego da eutanásia, dentro de poucos anos. Praticada desde a Antiguidade, a eutanásia era empregada pelos celtas e outros povos nórdicos, que queriam apressar a morte de seus pais idosos e enfermos. Há quem afirme que eutanásia é como um suicídio assistido. Contudo, num olhar investigativo, concluimos que o suicídio é praticado pela própria pessoa que o escolhe. A boa - morte uma vez pedida e aceita é assistida por um médico e quem a executa é uma terceira pessoa.
O que me surpreendeu foi que Pauwels realizou uma festa, no dia anterior ao de sua morte. Convidou alguns amigos e seu filho único. Dizem que estava feliz.
Talvez eu tenha sido severa demais com ele. Aos noventa e cinco e com câncer de estômago, sabia que não mais faria seus esportes e poderia ter muitas dores. Ainda não tinha sofrido nada disso. Neste último dezembro ganhou medalha de ouro, na Copa do Mundo Brasil 2013 ( veteranos). Só de pensar nas limitações e sofrimento preferia morrer. Não tenho o direito de julgar sua escolha. Meu conceito é que a vida é um dom e só o Criador a pode recolher para si. Porém, com medicamentos poderosos ninguém precisa partir como acontecia no passado.
Seria eu hipócrita a dizer que aplaudi a escolha do atleta. Ele poderia aceitar o último torneio, às vezes longo e sempre dificílimo, mas experiência ímpar e intransferível. Custava o belga correr só mais esta vez na estrada da vida? Atravessaria o vale sombrio da morte e saberia que do outro lado ainda há muita vida a ser vivida.
Deus me encha de coragem e paz, quando eu tiver que atravessar a ponte da eternidade; quando o sino tocar e eu tiver que me mudar para o andar de cima. Que ninguém me ofereça eutanásia. Não precisarei de festa nem de carpideiras.
Não são muitos os países que aprovam e executam a eutanásia. Temos os Países Baixos, Luxemburgo e Suíça na iminência de aprovação, a Colômbia e, nos Estados Unidos, somente o Estado do Oregon. François Hollande - presidente francês - acaba de anunciar lei que regulamenta o final da vida de pacientes terminais, para encerrarem seus dias " com dignidade". Segundo o juramento de médicos, eles devem fazer todo o possível para recuperar a saúde de doentes; mesmo aqueles portadores de doenças incuráveis. Temos visto verdadeiros milagres em que há recuperação espantosa, sobretudo para os que gostam de viver. Tivemos dois doentes terminais na família e estes agiram corajosa e tranquilamente até o fim, apesar de grande sofrimento. Nenhuma revolta ou desespero, constatamos.
Pode acontecer, como já ocorre na Bélgica, que ninguém mais se espante nem questione com o emprego da eutanásia, dentro de poucos anos. Praticada desde a Antiguidade, a eutanásia era empregada pelos celtas e outros povos nórdicos, que queriam apressar a morte de seus pais idosos e enfermos. Há quem afirme que eutanásia é como um suicídio assistido. Contudo, num olhar investigativo, concluimos que o suicídio é praticado pela própria pessoa que o escolhe. A boa - morte uma vez pedida e aceita é assistida por um médico e quem a executa é uma terceira pessoa.
O que me surpreendeu foi que Pauwels realizou uma festa, no dia anterior ao de sua morte. Convidou alguns amigos e seu filho único. Dizem que estava feliz.
Talvez eu tenha sido severa demais com ele. Aos noventa e cinco e com câncer de estômago, sabia que não mais faria seus esportes e poderia ter muitas dores. Ainda não tinha sofrido nada disso. Neste último dezembro ganhou medalha de ouro, na Copa do Mundo Brasil 2013 ( veteranos). Só de pensar nas limitações e sofrimento preferia morrer. Não tenho o direito de julgar sua escolha. Meu conceito é que a vida é um dom e só o Criador a pode recolher para si. Porém, com medicamentos poderosos ninguém precisa partir como acontecia no passado.
Seria eu hipócrita a dizer que aplaudi a escolha do atleta. Ele poderia aceitar o último torneio, às vezes longo e sempre dificílimo, mas experiência ímpar e intransferível. Custava o belga correr só mais esta vez na estrada da vida? Atravessaria o vale sombrio da morte e saberia que do outro lado ainda há muita vida a ser vivida.
Deus me encha de coragem e paz, quando eu tiver que atravessar a ponte da eternidade; quando o sino tocar e eu tiver que me mudar para o andar de cima. Que ninguém me ofereça eutanásia. Não precisarei de festa nem de carpideiras.
Assinar:
Postagens (Atom)