O loiro de certos cabelos ficou mais brilhante, o caminhar queimado e cadenciado da morena seduziu a muitos e o grisalho de uns poucos impôs o respeito à mesa. Proibidos os eletrônicos - nada de redes sociais nem mensagens de grupos, a conversa fluiu alegre, descontraída, com olhos -nos- olhos, e direito a sorrisos...
Isso tudo porque é Natal.
Ficamos, eu e meu marido, cada qual em uma cabeceira da mesa. Os outros se acomodaram como quiseram: nada de lugares marcados. Fiquei feliz que meu marido conduziu uma singela oração de gratidão e respeito a Deus, pelo amor que nos tem demonstrado na pessoa de Jesus Cristo. Depois do jantar, as crianças queriam se lambuzar no marrom do bolo de chocolate. Cantamos o " Parabéns " para o Menino Jesus e todos os quatro netos fizeram questão de soprar a velinha: portanto cantamos quatro vezes a mesma canção congratulatória. Depois, vieram as outras sobremesas. Tudo muito tranquilo, com alegria sem estardalhaço: a um canto, um pequeno Presépio - a Lapinha apenas. No próximo ano quero fazer um maior e mais bonito. A neta caçula ainda tem um bom tempo para entender como os meninos já entendem - a festa é do aniversário de Jesus. E o Menino Jesus tem um entregador dos presentes que ele mesmo nos dá: o figurante é o Papai Noel. Se não educarmos nossas crianças, este velhinho nem sempre justo em seu presentar, leva toda atenção e recebe todos os créditos, numa sociedade cada vez mais materialista, consumista e egoísta.
Para que uma parte da justiça seja feita é bom que as crianças saibam que seus papais, mamães e outros muitos, são os que compram seus desejados brinquedos. Pois que nem perguntam por que o bom velhinho não oferece brinquedos lindos e caros aos pobrezinhos? E, antes da tão esperada noite, meus netos encheram duas sacolas com ótimos presentes para doação e abriram espaço para os novos que nesta noite natalina receberam.
O bom de tudo isso é que, sendo Natal, muitos se perdoaram e deixaram no esquecimento poucas ou muitas ofensas; porque é Natal deram de si mesmos visitando doentes, partilhando vida, roupas, alimentos e brinquedos, em creches, orfanatos, asilos e hospitais. Que possamos seguir neste ritmo durante todo o Ano Novo, fazendo de cada dia comum, um dia especial. Este seria o milagre do Natal. Porque o sentimento de amor e amizade; de colaboração e de paz não deve acontecer apenas uma vez por ano, no dia do Natal.
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Presépios
Vai chegando o Natal e logo vejo as fachadas de residências e lojas iluminadas com as pequenas lâmpadas coloridas. Nas praças públicas e nos centros comerciais, as árvores de Natal, sempre em pinheiros naturais ou artificiais, foram - se impondo e dominam, seduzem, encantam.
De repente, não muito de repente, comecei a refletir que que Árvore de Natal e Papai Noel são aquisições quase impostas, uma espécie de carimbo do Primeiro Mundo. E faz algum tempo que me tornei intolerante quanto a estes pinheiros artificiais, alguns ridiculamente revestidos de flocos de algodão, neste " país tropical, abençoado por Deus" - como se aqui nevasse! Questionava ainda, porque tinham sumido com os Presépios? De um momento para o outro, apenas algumas igrejas católicas fazem o Presépio. Mesmo que alguém argumentasse que tal manjedoura, aquele cenário rural, e a singela família só devessem aparecer a partir de 25 de dezembro, o que se constata é que o Natal despiu- se de piedade. Sua harmoniosa alegria ficou abafada pelas multidões à cata de um presente adequado para familiares e para o amigo secreto, nem muito secreto e, tomara seja amigo e não apenas um colega de trabalho...
Natal sem presépio não é Natal. Que festa é esta em que se enfeita a casa, prepara-se rico jantar, vestem-se de seda mas a Pessoa Central que daria sentido à celebração, fica de fora? Adultos não falam dele e as crianças, cada vez mais individualistas, só pensam nos presentes que vão ganhar. Nos Presentes; porque as crianças, em geral, não mais se satisfazem com um só presente. Muito triste isso.
Quando eu era criança - este quando já vai longe - logo no início de dezembro minha avó pedia ao meu tio para retirar um enorme caixote de madeira que vivia no porão. Este lugar era alto o bastante para uma pessoa de média estatura ficar em pé. O caixote tinha mais ou menos um metro cúbico e nossa ansiedade para retirarmos o que lá adormecia se revelava em gritinhos e um saltitar que quase aborrecia nosso tio.
Com cuidado, minha avó e sua empregada levantavam o caixote de um lado e meu tio do outro. Subiam a íngreme escada do quintal, como quem levasse um andor. Na sala de jantar, como acontecia em cada dezembro, o Presépio era montado sobre o " étagère ", nome este dado a um simples aparador ou sobre uma mesa, emprestada à cozinha. O móvel era recoberto por uma longa toalha que chegava ao chão. Eu e outros irmãos ou primos, íamos desembrulhando peça por peça, que estavam protegidas por lascas de serradura, aquele amontoado de fitas finas de madeira semelhantes à serpentina de carnaval. E arrumávamos um gramado e céu com o cometa, a luzir esperança.
As peças desse misterioso e precioso Presépio foram importadas da Itália e, não sendo novas, uma ou outra tinha arranhões, mesmo trincas e marcas de colagem. Eram peças grandes sabendo-se um Presépio doméstico. E lá ficavam os pastores e suas ovelhas, os animais do estábulo e a santa família, em Belém...
Minha avó recebia muitas visitas desde o início de dezembro até janeiro, quando então, colocava os tres reis do Oriente, com seus presentes para o Menino - Jesus. E a rua inteira, crianças e adultos deslumbravam-se diante daquela cena campestre que nos elevava aos céus!
Bons tempos: nada de árvores, nada de papai Noel. O brilho que ali brilhava era a luz das pessoas simples e puras que acreditavam que milagres acontecem.
De repente, não muito de repente, comecei a refletir que que Árvore de Natal e Papai Noel são aquisições quase impostas, uma espécie de carimbo do Primeiro Mundo. E faz algum tempo que me tornei intolerante quanto a estes pinheiros artificiais, alguns ridiculamente revestidos de flocos de algodão, neste " país tropical, abençoado por Deus" - como se aqui nevasse! Questionava ainda, porque tinham sumido com os Presépios? De um momento para o outro, apenas algumas igrejas católicas fazem o Presépio. Mesmo que alguém argumentasse que tal manjedoura, aquele cenário rural, e a singela família só devessem aparecer a partir de 25 de dezembro, o que se constata é que o Natal despiu- se de piedade. Sua harmoniosa alegria ficou abafada pelas multidões à cata de um presente adequado para familiares e para o amigo secreto, nem muito secreto e, tomara seja amigo e não apenas um colega de trabalho...
Natal sem presépio não é Natal. Que festa é esta em que se enfeita a casa, prepara-se rico jantar, vestem-se de seda mas a Pessoa Central que daria sentido à celebração, fica de fora? Adultos não falam dele e as crianças, cada vez mais individualistas, só pensam nos presentes que vão ganhar. Nos Presentes; porque as crianças, em geral, não mais se satisfazem com um só presente. Muito triste isso.
Quando eu era criança - este quando já vai longe - logo no início de dezembro minha avó pedia ao meu tio para retirar um enorme caixote de madeira que vivia no porão. Este lugar era alto o bastante para uma pessoa de média estatura ficar em pé. O caixote tinha mais ou menos um metro cúbico e nossa ansiedade para retirarmos o que lá adormecia se revelava em gritinhos e um saltitar que quase aborrecia nosso tio.
Com cuidado, minha avó e sua empregada levantavam o caixote de um lado e meu tio do outro. Subiam a íngreme escada do quintal, como quem levasse um andor. Na sala de jantar, como acontecia em cada dezembro, o Presépio era montado sobre o " étagère ", nome este dado a um simples aparador ou sobre uma mesa, emprestada à cozinha. O móvel era recoberto por uma longa toalha que chegava ao chão. Eu e outros irmãos ou primos, íamos desembrulhando peça por peça, que estavam protegidas por lascas de serradura, aquele amontoado de fitas finas de madeira semelhantes à serpentina de carnaval. E arrumávamos um gramado e céu com o cometa, a luzir esperança.
As peças desse misterioso e precioso Presépio foram importadas da Itália e, não sendo novas, uma ou outra tinha arranhões, mesmo trincas e marcas de colagem. Eram peças grandes sabendo-se um Presépio doméstico. E lá ficavam os pastores e suas ovelhas, os animais do estábulo e a santa família, em Belém...
Minha avó recebia muitas visitas desde o início de dezembro até janeiro, quando então, colocava os tres reis do Oriente, com seus presentes para o Menino - Jesus. E a rua inteira, crianças e adultos deslumbravam-se diante daquela cena campestre que nos elevava aos céus!
Bons tempos: nada de árvores, nada de papai Noel. O brilho que ali brilhava era a luz das pessoas simples e puras que acreditavam que milagres acontecem.
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