A pauta do momento é a saída do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump do Acordo do Clima, de Paris. Alguns cientistas, inclusive brasileiros, não acreditam muito nesta terrível ameaça ao nosso planeta. Como o desastre ambiental não seria imediato - mas para um futuro distante - os governos tendem a proteger sua economia, como no caso do senhor Trump.
Yuval Noah Harari, jovem historiador israelense, em seu livro "Homo - deus, Uma Breve História
Do Amanhã" - mapeia as tendências das tecnologias e suas graves consequências para a humanidade. Cientistas em geral julgam tais avanços tecnológicos a maior maravilha do mundo. Pois diante de uma crise climática, as melhores invenções ganhariam vida. Noah aponta os avanços tecnológicos, como a biotecnologia e a inteligência artificial que farão os homens se julgarem " deuses." O autor tem esses avanços como realidade para os próximos 200 anos. E diz que isso não é profecia, mas constatação. O historiador não tem a mesma opinião dos cientistas, quanto a vida no planeta se tornar apenas processamento de dados.
Manipular a Vida já o fazem com sucesso. O problema maior, segundo o autor, seria a questão filosófica e metafísica. Ninguém indaga sobre a Consciência e as Experiências Subjetivas. Contudo, Noah acredita que a consciência e a alma poderão acompanhar o ritmo das tecnologias e evoluírem de um modo jamais pensado. O ser humano acompanha as modificações do mundo. Com técnicas apropriadas todo desejo poderá transformar- se em realidade. Diz o autor que as histórias contadas desde muito tempo até o século XX devem ser deixadas para trás. Neste século XXI temos que ter outras histórias.
As pessoas não mais morrerão por doenças; prolongarão suas vidas, superando a velhice.
Não creio que será um maravilhoso mundo, pois o homem não trabalha focado no bem de todos, mas no de uma minoria que lhes pagará muito alto valor para possuir tais benefícios. O ser humano tem como foco o lucro em tudo que faz. E, sem avançar na questão "qualidade" do ser, o mesmo homem aperfeiçoado tecnicamente será muito falho quanto à ética, à moral e à espiritualidade, pois que desde agora, o autor não consegue dizer como será a evolução da consciência individual ( e, certamente, a consciência coletiva).
Quando se fala em mudança climática como crise para o planeta, o autor nos lembra sobre o atraso da Física no século XIX. Quando pensavam que já sabiam tudo, surge a Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica. Em seguida, tivemos o avião a jato, os trens rápidos e outros inventos e "descobertas" e avanços, como a Internet.
Temíamos que algum ditador fosse dominar o ser humano a partir de fora. Agora, pode- se temer que o indivíduo se desintegre a partir de dentro. Sem o livre arbítrio, a biotecnologia conhecerá o ser humano por completo e fará por ele as melhores escolhas. A ciência não considera o indivíduo. Para ela o ser humano é uma coleção de subsistemas biológicos. É assim que serão tratados os indivíduos.
No século XXI teremos nova ideologia, nova história e provavelmente nova religião, mais adaptada aos novos costumes e tecnologias. Precisam saber como farão com a consciência e a alma, talvez serão conectadas a máquinas.
Assim, voltamos ao ponto de partida: a mudança climática causada pelo homem é apontada como uma barreira para a transformação da economia e da sociedade em algoritmos. Porém, como estas coisas todas são para médio e longo prazo - mínimo 150 anos - quem viver as verá. Não eu, é certo.
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sexta-feira, 2 de junho de 2017
sábado, 2 de janeiro de 2016
Questão de Consciência e Compaixão
Temos ouvido o tempo todo sobre intolerância religiosa, preconceitos de todo tipo e um mundo atordoado em plena agitação e temor de guerra, no ar que respiramos.
Muitos de nós já vivemos meio a deboches e seguimos em frente, sem baixa estima, sobretudo os que fomos bem educados e valorizados pelos nossos pais e familiares. Há uns com inteligência parca comparados com outros mais inteligentes; há muitos bonitos - homens, mulheres e crianças - que se exibem diante da irmã feia ou do irmão com alguma deficiência. Sem pudor, cometem gafes e faz piadas idiotas. Alguns exemplos me vem à memória: a excelente cantora e atriz Barbra Streisand - estrábica e com nariz inadequado a seu rosto, teve algumas sugestões para fazer cirurgia plástica e torna-lo mais aceitável a seu fotógrafo. Nunca se deixou levar por estes comentários maldosos; seguiu em frente com sua maravilhosa voz e ganhando muitos prêmios tanto na música quanto pelos filmes. Outro, o cantor Juca Chaves encarou ele mesmo o avantajado nariz que mereceu uma modinha, cantada e aplaudida em todos os seus shows. Uns tem olhos muito espaçados e grandes, outras os tem muito apertados, como Carla Bruni. Vemos os atores, o francês " beiçudo" P. Belmondo e norte- americano J. Malkoviche, estrábico, nem de longe um modelo de beleza. Mas seduz pelo seu enorme talento. Estes são apenas alguns de muitos exemplos a serem seguidos. Quando falarem de nossos supostos ou reais defeitos físicos e comportamentais, desarmamos o agressor levando na brincadeira. Você pode apenas sorrir ou perguntar se ele está com inveja?
Ou nós rirmos de nossos pontos fracos: se sou muito alta, ou muito baixa ou acima do peso...Se eu mesma aceito e brinco com o que seria zombado, tiro o argumento do outro que se sentirá vazio.
Neste último mês, estive em uma clínica de oncologia e o que vi sobre aparência e carências muitas das pessoas que ali frequentam, tocou-me profundamente. Ao meu lado, uma senhora totalmente calva, optara por não esconder sua falta de cabelos. A maioria está calva ou com cabelos bem ralos. Mas são muito criativas: a moça de frente, muito bem maquiada, prendeu o estampado de seu lenço num feitio de trança que ficou muito bonito; outra, usava um gorro colorido. A um canto, um idoso descansa ou sucumbe com a cabeça apoiada entre as mãos. Outro segue a se arrastar, muito frágil, sustentado por uma jovem, talvez uma filha. Sempre vejo uma senhorinha idosa, que se veste de chita e calça chinelos. Chega constrangida como se estivesse a transgredir. Vai ao balcão, marca presença e arruma um assento. Seu chapéu é de palha, mas não tem o estilo bonito daqueles de praia, próprios para senhoras. É um chapéu masculino, porém, ela carrega seu desânimo com dignidade, cabeça erguida, sob o amarelado do chapéu velho. É uma figura exótica, mas sua preocupação é a cura; isso é tolice. Vi também o jovem de perna amputada com ares de aceitação; câncer nos ossos, certamente.
Nestes dias em que ali estive, recebi ensinamento para o resto da vida. Foi como se um enorme sino de bronze caísse sobre minha mente e despertasse minha consciência sonolenta, não mais adormecida. Pois creio que estas pessoas, jovens ou velhas, jamais olharão os seus semelhantes comparando a cor da pele; os cabelos lisos, ondulados ou crespos, seus olhos, orelhas nem outros detalhes. Precisamos ser gratos a Deus se temos saúde completa. E os que ainda vivem presos na arena do preconceito e da ignorância deveriam dar uma passadinha semanal numa dessas clínicas. Quem sabe um sino de bom senso, no peso de enorme sino de bronze caia também sobre suas mentes e encontrem coisas mais úteis para falar e comecem a praticar a compaixão.
Muitos de nós já vivemos meio a deboches e seguimos em frente, sem baixa estima, sobretudo os que fomos bem educados e valorizados pelos nossos pais e familiares. Há uns com inteligência parca comparados com outros mais inteligentes; há muitos bonitos - homens, mulheres e crianças - que se exibem diante da irmã feia ou do irmão com alguma deficiência. Sem pudor, cometem gafes e faz piadas idiotas. Alguns exemplos me vem à memória: a excelente cantora e atriz Barbra Streisand - estrábica e com nariz inadequado a seu rosto, teve algumas sugestões para fazer cirurgia plástica e torna-lo mais aceitável a seu fotógrafo. Nunca se deixou levar por estes comentários maldosos; seguiu em frente com sua maravilhosa voz e ganhando muitos prêmios tanto na música quanto pelos filmes. Outro, o cantor Juca Chaves encarou ele mesmo o avantajado nariz que mereceu uma modinha, cantada e aplaudida em todos os seus shows. Uns tem olhos muito espaçados e grandes, outras os tem muito apertados, como Carla Bruni. Vemos os atores, o francês " beiçudo" P. Belmondo e norte- americano J. Malkoviche, estrábico, nem de longe um modelo de beleza. Mas seduz pelo seu enorme talento. Estes são apenas alguns de muitos exemplos a serem seguidos. Quando falarem de nossos supostos ou reais defeitos físicos e comportamentais, desarmamos o agressor levando na brincadeira. Você pode apenas sorrir ou perguntar se ele está com inveja?
Ou nós rirmos de nossos pontos fracos: se sou muito alta, ou muito baixa ou acima do peso...Se eu mesma aceito e brinco com o que seria zombado, tiro o argumento do outro que se sentirá vazio.
Neste último mês, estive em uma clínica de oncologia e o que vi sobre aparência e carências muitas das pessoas que ali frequentam, tocou-me profundamente. Ao meu lado, uma senhora totalmente calva, optara por não esconder sua falta de cabelos. A maioria está calva ou com cabelos bem ralos. Mas são muito criativas: a moça de frente, muito bem maquiada, prendeu o estampado de seu lenço num feitio de trança que ficou muito bonito; outra, usava um gorro colorido. A um canto, um idoso descansa ou sucumbe com a cabeça apoiada entre as mãos. Outro segue a se arrastar, muito frágil, sustentado por uma jovem, talvez uma filha. Sempre vejo uma senhorinha idosa, que se veste de chita e calça chinelos. Chega constrangida como se estivesse a transgredir. Vai ao balcão, marca presença e arruma um assento. Seu chapéu é de palha, mas não tem o estilo bonito daqueles de praia, próprios para senhoras. É um chapéu masculino, porém, ela carrega seu desânimo com dignidade, cabeça erguida, sob o amarelado do chapéu velho. É uma figura exótica, mas sua preocupação é a cura; isso é tolice. Vi também o jovem de perna amputada com ares de aceitação; câncer nos ossos, certamente.
Nestes dias em que ali estive, recebi ensinamento para o resto da vida. Foi como se um enorme sino de bronze caísse sobre minha mente e despertasse minha consciência sonolenta, não mais adormecida. Pois creio que estas pessoas, jovens ou velhas, jamais olharão os seus semelhantes comparando a cor da pele; os cabelos lisos, ondulados ou crespos, seus olhos, orelhas nem outros detalhes. Precisamos ser gratos a Deus se temos saúde completa. E os que ainda vivem presos na arena do preconceito e da ignorância deveriam dar uma passadinha semanal numa dessas clínicas. Quem sabe um sino de bom senso, no peso de enorme sino de bronze caia também sobre suas mentes e encontrem coisas mais úteis para falar e comecem a praticar a compaixão.
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