Que nuvem escura é essa
à procura de um chão onde desaguar?
É um bando de crianças de rua,
esfomeadas, atenazadas, maltratadas...
Esmolando e esfolando muitos!
Que nuvem escura é essa,
sem censura nem ternura
que vem sorrateira
e, como ratoeira
prende sem piedade?
É um bando de jovens tristes
trazendo diplomas
e implorando trabalho,
como a planta da noite o orvalho.
Que nuvem escura é essa sem promessa
de dias melhores?
Outro bando de velhos
sem hospitais nem remédio,
contornando da vida o tédio,
que só o viver já cansa...
Não tem vida mansa
nem manda nos próprios dias...
Soprando forte há uma esperança,
como a criança a bolha de ar.
Fogo à terra atear!
Usar espada ou chicote,
pois não há quem suporte
viver a vida sem justiça!
Revolução interna
é a tomada de consciência crítica.
É a primeira que acontece!
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sábado, 8 de julho de 2017
Revolução Interna
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Dilúvio
Os primeiros pingos d'água foram como timidez de criança de seis anos...
Vieram inocentes como quem brinca de esconde - esconde, intermitentes, fingindo fraqueza.
Achei-me num barco de parca madeira, com apenas duas janelas, no andar superior, veladas por espessas cortinas.
Ali, poucos entraram e nada nem ninguém saía.
Depois de um tempo, a moleza d'água solapando as frágeis estruturas desse barco corpóreo, o estrondo dos trovões, descarga elétrica percorrendo todo o ser...
O dilúvio se instalara!
A tormenta varrera o céu de minhas entranhas mesmo o da emoção e o do pensamento!
O barco balançava desgovernado, sem amparo nem qualquer referência de sorte!
Do meio do caos, uma voz:
- " Espera, vai passar!"
Como, aliás, tudo passa, nesta vida.
Mas havia o medo. Ah! O medo! O medo ameaçava ruir toda a embarcação.
Cantando a ladainha dos santos, suplicando uma trégua aos céus, bichinhos irmãos, um velho leão e uma leoa lúcida...
No meio do barco, num arco de aura cristalina, o altar do sacrifício.
Ali, eu sacrificara novecentos dias de angústias, em muita lágrima, como água salgada. Como lágrimas dos que tudo perdem.
Depois, na exaustão do sofrimento, o resgate. O cheiro bom de terra molhada e o equilíbrio restaurado.
Vencera a vida! Se eu tivera o dilúvio só cá fora, não me transformara. Eu fora uma lagartixa muda e assustada. Renascera uma sabiá cantante!
Vieram inocentes como quem brinca de esconde - esconde, intermitentes, fingindo fraqueza.
Achei-me num barco de parca madeira, com apenas duas janelas, no andar superior, veladas por espessas cortinas.
Ali, poucos entraram e nada nem ninguém saía.
Depois de um tempo, a moleza d'água solapando as frágeis estruturas desse barco corpóreo, o estrondo dos trovões, descarga elétrica percorrendo todo o ser...
O dilúvio se instalara!
A tormenta varrera o céu de minhas entranhas mesmo o da emoção e o do pensamento!
O barco balançava desgovernado, sem amparo nem qualquer referência de sorte!
Do meio do caos, uma voz:
- " Espera, vai passar!"
Como, aliás, tudo passa, nesta vida.
Mas havia o medo. Ah! O medo! O medo ameaçava ruir toda a embarcação.
Cantando a ladainha dos santos, suplicando uma trégua aos céus, bichinhos irmãos, um velho leão e uma leoa lúcida...
No meio do barco, num arco de aura cristalina, o altar do sacrifício.
Ali, eu sacrificara novecentos dias de angústias, em muita lágrima, como água salgada. Como lágrimas dos que tudo perdem.
Depois, na exaustão do sofrimento, o resgate. O cheiro bom de terra molhada e o equilíbrio restaurado.
Vencera a vida! Se eu tivera o dilúvio só cá fora, não me transformara. Eu fora uma lagartixa muda e assustada. Renascera uma sabiá cantante!
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tempestade
sábado, 12 de abril de 2014
Sobre uma criança
A frágil criança -
que medrava na dor
e desalento -
era, neste momento,
robusto carvalho,
sob o orvalho,
de vaga melancolia,
sem medo da tempestade,
pulando com euforia,
sobre ciladas de falsidade.
Segue, na vida,
um caminho de pedra e lama;
ouve a voz de Deus
que a chama
e aguarda sua resposta.
Nenhuma regra imposta.
Só o amor importa.
que medrava na dor
e desalento -
era, neste momento,
robusto carvalho,
sob o orvalho,
de vaga melancolia,
sem medo da tempestade,
pulando com euforia,
sobre ciladas de falsidade.
Segue, na vida,
um caminho de pedra e lama;
ouve a voz de Deus
que a chama
e aguarda sua resposta.
Nenhuma regra imposta.
Só o amor importa.
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