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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A Paz Que Eu Busco

Por que, Senhor, suporto ainda
dias maus e tempos ruins?
Por que a tua luz
não clareia minhas sombras?
Por que vivo como crisálida em casulo,
causando-me prisão e pesadelos?
Por que a chuva de espinhos
não cessa em teu templo?
O tempo de minha reclusão é finito.
O tempo de tua glória é eterno!
Tira me, Senhor, deste tormento.
Leva - me desta terra estrangeira.
Quero estar no meu país, feliz, com amigos,
sob a palmeira do meu jardim,
a ouvir o passaredo.
E, se este lugar não existe por cá,
que o fecho vital de meu enredo
seja navegar na alvura da paz,
nunca humilhada sob o medo!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Ponderação

Faltam poucas horas para fecharmos as portas do Ano Velho! Com bons momentos e horas de dúvidas, dores; dias densos, sombrios... O mundo inteiro trazendo más notícias e com muita coragem fomos colocando luzes e caminhando com cautela. Vozes nefastas ecoaram por muitos ângulos. A meta é sempre manter o povo em alerta; no temor. Que os propósitos de 2016, cumpridos ou não fiquem por lá. Que novos sonhos sejam elaborados sem pressa. Também quero que minhas metas não sejam tão grandiosas. Como já refleti, que nossas metas sejam mais imediatas, pequenas, singelas; modestas mesmo. Quero estar viva ainda mais um tempo. Contudo, ninguém sabe o " quando " nem o " como". E não me preocuparei com isso. Se conseguir arrumar minhas gavetas e esta mesa; se conseguir escrever algo, mesmo que quase ninguém leia, ótimo! Se eu terminar a leitura daqueles cinco livros, uns lidos pela metade, outros ainda mal começados. Preciso disciplinar a gula mental e física. " Las Cartas Secretas...", de Gianluigi Nuzzi, está no início. Os dois de Daniel Estulin, " Club Bilderberg" estou a terminar. O de Roberto Pazzi, " Conclave" também no início. " Cartas de Hastings e de Paris, de Teilhard de Chardin, para reler;o mesmo para " Terra dos Homens" de Saint - Exupéry. Isso é urgente e básico. Sei que outros já teriam lido tudo isso e mais o dobro. Não me compararei com os revisores de editora, os profissionais da leitura e releitura. Mas, isso é o mínimo que tenho a fazer, quanto à leitura. Não ponderarei sobre os exercícios físicos e as muitas pausas que me concedo nem sempre voluntárias. O que plantar desde hoje é o que colherei à frente. Quero plantar mais amor, com formato de sorrisos, de abraços, de brincadeiras com netos e debulhar conversas jogando- as pelo chão e pelo ar, sem nenhuma pressa ou preocupação. Com atenção ao momento, sugando o tudo da hora. Embora a frustração sempre aconteça, não me esconderei sob a doença em forma de negação. Quero assumir a tristeza, se aparecer, sem máscara de palhaço que chora pra dentro ou sozinho em seu camarim. Se tiver que chorar, chorarei no palco da vida. Se tiver motivo para rir, quero rir muito, exageradamente. Sem fingimento nem de sofrimento nem de prazer. Pronto. Fim de ano. Sem culpas; com mérito de trabalho feito. Pouco, é verdade. Mas, cá tenho meus motivos. Quero ser digna do Mestre: ponho as mãos no arado e não olho para trás. Se ainda tiver vãos nestas tarefas, pretendo pintar dois quadros e organizar um livro de poesias. Tudo muito devagar. Porque ansiedade é doença séria. O ansioso fica estressado. E a doença deste tempo é o estresse que está sob muitas vestimentas. Nem preciso enumerá-las. Posso até saber de guerras, crises econômicas e governamentais. Passo por elas navegando suavemente. Contudo sei que as ondas bravias podem balançar meu barco. Porém, sou forte na fé: creio que o equilíbrio vem d'Ele. Nada me abalará. Ponderação superficial, mas que me conforta. Que o Ano Novo seja de fato novo para mim e para muitos. Então, feliz Ano Novo!

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Dilúvio

Os primeiros pingos d'água foram como timidez de criança de seis anos...
Vieram inocentes como quem brinca de esconde - esconde, intermitentes, fingindo fraqueza.
Achei-me num barco de parca madeira, com apenas duas janelas, no andar superior, veladas por espessas cortinas.
Ali, poucos entraram e nada nem ninguém saía.
Depois de um tempo, a moleza d'água solapando as frágeis estruturas desse barco corpóreo, o estrondo dos trovões, descarga elétrica percorrendo todo o ser...
O dilúvio se instalara!
A tormenta varrera o céu de minhas entranhas mesmo o da emoção e o do pensamento!
O barco balançava desgovernado, sem amparo nem qualquer referência de sorte!
Do meio do caos, uma voz:
- " Espera, vai passar!"
Como, aliás, tudo passa, nesta vida.
Mas havia o medo. Ah! O medo! O medo ameaçava ruir toda a embarcação.
Cantando a ladainha dos santos, suplicando uma trégua aos céus, bichinhos irmãos, um velho leão e uma leoa lúcida...
No meio do barco, num arco de aura cristalina, o altar do sacrifício.
Ali, eu sacrificara novecentos dias de angústias, em muita lágrima, como água salgada. Como lágrimas dos que tudo perdem.
Depois, na exaustão do sofrimento, o resgate. O cheiro bom de terra molhada e o equilíbrio restaurado.
Vencera a vida! Se eu tivera o dilúvio só cá fora, não me transformara. Eu fora uma lagartixa muda e assustada. Renascera uma sabiá cantante!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Da Liberdade

Aprendi, desde muito criança, que somos seres livres. Temos, portanto, liberdade de escolha, livre arbítrio. Em tese, posso dispor de mim mesma. Aprendi também que essa liberdade sofre restrições quando eu limito o direito do outro.

Com todo o susto e muitos questionamentos, vi o ataque à revista "Charlie Hebdo"que, tristemente resultou em doze mortes, de seus principais caricaturistas. Reflito como pessoa comum, sem muito conhecimento sobre o conteúdo das charges que faziam. Ouço que eles se diziam ateus e no direito de blasfemar. Sim, quem em nada acredita pode zombar de tudo e de todos, à vontade. Também li que, pelo menos um líder islâmico, lhes dissera que tais zombarias poderiam causar ira aos fiéis seguidores de Maomé.

Hoje mesmo, li de um cronista da Folha de S. Paulo, que ter respeito por alguém não é coisa boa. E que não se deveria pôr um "mas" nas atitudes dos caricaturistas, ao se refletir se eles não exageraram em suas críticas ao modo de agir islâmico. Justificaram-se que o deboche costumeiro e contundente era endereçado também aos católicos e autoridades. Era o exercício da liberdade. Contudo, se estavam causando constrangimento e tristeza a outros, que os deixassem em paz.

Lembro-me ainda daqueles tais de " rolezinhos" que aconteceram em fins de 2013. Creio que não existem mais por força de alguma lei regularizadora. Não sou racista nem preconceituosa. Pessoas pobres e negras, bem ou mal - vestidas, podem e devem ir aos shoppings mesmo só para passear. Muitas vezes, tem dinheiro apenas para um sorvete de casquinha, do mais barato. E sabemos que tudo naqueles lugares é muito caro. No Brasil tudo é caro! Não são apenas os pobres que gostam de passear em grandes centros comerciais. Ali há maior segurança - neste Brasil, onde a cada dia se ouve mais de assaltos e mortes, por um quase nada - e o ambiente é mais fresco, neste verão incandescente.
Só que não vejo desculpa para duzentos jovens ( algumas vezes até muito mais) entrarem em alvoroço, todos juntos cantando música funk de ostentação (imagine o que é isso) - andando até correndo naqueles corredores estreitos; subindo e descendo escadas, fixas e rolantes, por onde andavam senhoras idosas, mães com crianças...No mínimo faltava bom senso. As pessoas que ali estavam, para comprar ou apenas estar não eram nem são culpadas por aqueles jovens de periferia se sentirem excluidos, fechados em sua miséria material, emocional e espiritual. Quem não rejeitaria este bando desgovernado que queria apenas "zoar, ficar e beijar?" Tirar a paz dos outros, assustar?

Então, muitos escreveram que eles eram uns coitadinhos, inocentes, uns amores maltratados. E a lei veio pôr ordem no comportamento da criançada: poderiam vir, não em bandos, gritando frases, correndo. Os menores de dezoito anos, deveriam chegar acompanhados de adultos. Isso é disciplinar, educar, palavras que muitos não querem ouvir porque isso é sinônimo de muito trabalho. Uma jovem disse que era tempo de  férias e ela nada tinha a fazer. Ficava, então, o dia inteiro  convocando os amigos pelas redes sociais. Ora, se esta "criança" tivesse a obrigação de cuidar ao menos das próprias roupas, não lhe sobraria muito tempo. Devemos ocupar bem o tempo de nossos filhos, desde bem pequenos. Sempre em esportes ou tarefas escolares e domésticas e menos redes sociais e Ipad e similares.

Estamos vendo e ainda veremos os desdobramentos deste ataque terrorista, em Paris. Estados Unidos, Inglaterra e o Vaticano ( quem diria!) já se puseram em  alerta de segurança máxima. Que isso não caminhe, em nome da Liberdade - para aos poucos irem tirando a nossa liberdade. Com a ideia de que vão -me proteger, já tenho mil olhos a me vigiar. Assim, vamo-nos acostumando com policiais por todo lado, pois o mundo não é mais um lugar seguro e o ser humano já não sabe conviver.

É preciso gravar que, se quero paz, devo ser promotora dela. Não devo fazer ao outro o que não gostaria que me fosse feito. Minha liberdade termina onde começa o direito alheio.