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terça-feira, 15 de novembro de 2016
Homenagem à ALJA - Academia de Letras José de Alencar
ALJA - Mostarda e Águia
Sou a Casa de Letras
a crescer eternamente,
juntando talentos, qual pedras
justapostas harmonicamente,
com garra e seriedade.
Gerei a menor semente,
biblicamente enaltecida.
Tornou-se ela, tão somente,
ALJA, hoje aqui fortalecida,
nesta bela realidade!
Meio a muitas Casas
de Cultura, neste universo,
me encorajei a bater asas;
a criar sonhos, em prosa e verso.
Levo a muitos o fervor da verdade!
Venham todos os amigos.
Venham com música e poesia.
Venham com vinho, pães e figos.
Celebremos nossa Academia,
enaltecendo nossa amizade!
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sábado, 23 de maio de 2015
O Tempo é Vida
Andei muito, muito tempo envolvida com politicagem, da feia, da grossa; daquela pseudo-política que machuca; deixei o tempo escapar pelo vão dos dedos.
Andei mais um bocado de tempo a matutar sobre o verdadeiro ton de azul dos olhos de vovô Maneco e se os olhos de minha mãe eram azuis ou verdes...
Gastei horas com as coisas de fora, coisas sem valor, quase bobagens mesmo. Um bom feixe de horas foi investido matando lagartas que teimam em matar meu manacá - de novo! Quando dei por mim, já era fim de abril e eu lutando contra artrite com armas pouco convencionais: fingia que não sentia dores, mas estas arranhavam-me os olhos e o couro cabeludo; apertavam todas as articulações e a irritação do sono só de pesadelos fez-me irritada e chata...
Não conseguia ler nem escrever nem conversar eu queria. Para completar, a gripe gritou exigindo seu tempo de atuação. Nesse quadro de negação total de dias normais, não percebia o dourado do sol beijando as ramagens nem a leveza da trepadeira, carregada do carmim das rosinhas minúsculas. Não me entretinha com o canto do sabiá, não pendurava banana para o sanhaço, não falava mais com beija- flores. Era como se tudo tivesse saido do seu contexto: sem cor, sem som, sem encanto - tudo apagado pela dor física e pelo lixo emocional que eu deixara acumular em meu espírito e ruminava nos momentos de puro silêncio. Era a violência, a corrupção, a roubalheira, a hipocrisia e o cinismo de muitos. Era uma pátria à deriva, sem comandante, sem rumo!.
E o Tempo continuou girando, porque ele, o Tempo, faz seu serviço sem parar.
Foi então que percebi que meus encontros comigo mesma, minhas conversas com meu Mestre e Senhor estavam muito contaminadas. Eu poderia ter pensado tudo o que pensei, sofrido todo o pequeno - grande sofrimento que sofri de modo muito mais suave e produtivo se tivesse ido ao encontro d'Ele em profundidade e entrega. Mas ainda tinha tempo. Voltei a minha capela interior. Ali, o tempo parou. No silêncio de meu coração, acendeu-se a Luz! Sosseguei o espírito no Espírito e a paz escorria em alegria que penetrou cada poro de meu corpo...O Senhor me ensinou que nosso tempo é precioso. Não é para vivermos na correria, na agitação. Também não deixar o tempo esvair-se como o sangue que sai de ferida mal cuidada. O tempo deve ser acariciado com bela música, boa leitura, com amigos, com as minhas crianças. Sobretudo aos pés do Senhor, devo viver o meu precioso tempo!
Saindo da capela interior, estou tomando umas coisinhas para artrite, outras coisinhas para o resfriado e a vida está entrando de novo nos trilhos. Hoje, já matei lagartas arrogantes, reguei plantas sedentas e lacrimosas; cuidei do sanhaço e sondei o beija-flor que não veio. Mas sei que virá.
Vi que o tempo gira e gira muito depressa, sobretudo se não estamos construindo na paz que vem de Deus. E, se o tempo gira e nada se faz nele é vida que se perde. E vida perdida gera aquele olhar de zumbi que ve tudo sem cor e sem sentido. Estou feliz; voltei à vida!
Andei mais um bocado de tempo a matutar sobre o verdadeiro ton de azul dos olhos de vovô Maneco e se os olhos de minha mãe eram azuis ou verdes...
Gastei horas com as coisas de fora, coisas sem valor, quase bobagens mesmo. Um bom feixe de horas foi investido matando lagartas que teimam em matar meu manacá - de novo! Quando dei por mim, já era fim de abril e eu lutando contra artrite com armas pouco convencionais: fingia que não sentia dores, mas estas arranhavam-me os olhos e o couro cabeludo; apertavam todas as articulações e a irritação do sono só de pesadelos fez-me irritada e chata...
Não conseguia ler nem escrever nem conversar eu queria. Para completar, a gripe gritou exigindo seu tempo de atuação. Nesse quadro de negação total de dias normais, não percebia o dourado do sol beijando as ramagens nem a leveza da trepadeira, carregada do carmim das rosinhas minúsculas. Não me entretinha com o canto do sabiá, não pendurava banana para o sanhaço, não falava mais com beija- flores. Era como se tudo tivesse saido do seu contexto: sem cor, sem som, sem encanto - tudo apagado pela dor física e pelo lixo emocional que eu deixara acumular em meu espírito e ruminava nos momentos de puro silêncio. Era a violência, a corrupção, a roubalheira, a hipocrisia e o cinismo de muitos. Era uma pátria à deriva, sem comandante, sem rumo!.
E o Tempo continuou girando, porque ele, o Tempo, faz seu serviço sem parar.
Foi então que percebi que meus encontros comigo mesma, minhas conversas com meu Mestre e Senhor estavam muito contaminadas. Eu poderia ter pensado tudo o que pensei, sofrido todo o pequeno - grande sofrimento que sofri de modo muito mais suave e produtivo se tivesse ido ao encontro d'Ele em profundidade e entrega. Mas ainda tinha tempo. Voltei a minha capela interior. Ali, o tempo parou. No silêncio de meu coração, acendeu-se a Luz! Sosseguei o espírito no Espírito e a paz escorria em alegria que penetrou cada poro de meu corpo...O Senhor me ensinou que nosso tempo é precioso. Não é para vivermos na correria, na agitação. Também não deixar o tempo esvair-se como o sangue que sai de ferida mal cuidada. O tempo deve ser acariciado com bela música, boa leitura, com amigos, com as minhas crianças. Sobretudo aos pés do Senhor, devo viver o meu precioso tempo!
Saindo da capela interior, estou tomando umas coisinhas para artrite, outras coisinhas para o resfriado e a vida está entrando de novo nos trilhos. Hoje, já matei lagartas arrogantes, reguei plantas sedentas e lacrimosas; cuidei do sanhaço e sondei o beija-flor que não veio. Mas sei que virá.
Vi que o tempo gira e gira muito depressa, sobretudo se não estamos construindo na paz que vem de Deus. E, se o tempo gira e nada se faz nele é vida que se perde. E vida perdida gera aquele olhar de zumbi que ve tudo sem cor e sem sentido. Estou feliz; voltei à vida!
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Boas Escolhas
A cada dia e hora, devemos fazer nossas escolhas. Há opções que nem são escolhas do momento, mas que, em algum dia, escolhemos seguir. E as tarefas são apenas etapas de um caminho, de uma profissão, que nos absorve. Se gostamos desta escolha, ótimo.
Eu caminhava como de costume, ao redor do Lago do Círculo Militar de Campinas, quando percebi uma movimentação diferente: aquelas crianças e jovens, vestidos com seus belos uniformes, em tons de azul e cinza e com um lenço colorido no pescoço, treinavam a prática do remo. Havia alguns botes ou canoas e os menores remavam, sob os cuidados dos maiores. Para limitar o acesso ao espaço mais fundo do lago, os "Lobinhos" e os "Escoteiros" amarraram uma corda no sentido Leste - Oeste. Observei a disciplina, o falar educado, nada de gritaria nem de euforia exagerada que chamasse atenção para todo o grupo que era de muitos.
Segui em frente e percebi que outros se ocupavam em diferentes tarefas. Algumas lindas jovens recolhiam algum tipo de vegetação mais adiante. Aproximei-me e conversamos. As moças tinham, uma quinze anos, outra dezenove. E fazia já cinco e sete anos, respectivamente, que praticavam o escotismo. Achei surpreendente! Apesar de eu frequentar o clube desde muitos anos, nunca os tinha observado tão ativos e envolvidos com a escolha que tinham feito. Escolha exigente apesar de terem que cumprir outras escolhas, naturalmente feitas pelos pais, como os estudos que levam a sério.
Isso foi numa sexta-feira de semana com feriado na quinta. E os garotos que encontrei estavam muito felizes - um de treze anos, outro de onze - que não só montaram as barracas mas já tinham dormido ali:- " estamos acampando aqui, nos quatro dias e vamos ficar até domingo". Era bom ver que estavam orgulhosos de terem escolhido viver esta aventura, em segurança. Ali tinham uma boa mata, o lago para remar e pescar e o espaço para o campismo. Recolhiam uns gravetos que suponho para algum fogo noturno; não voltei lá para conferir. Contudo, contagiei meu neto com tamanho entusiasmo com que me preenchi.
Ainda hoje, assisti a um documentário sobre o Sistema Nacional de Orquestras Infantis e Juvenis, da Venezuela. Mostrava a vida de Gustavo Dudamel, exemplo de jovem que abraçou a música com paixão e levou a realização deste sonho a milhares de crianças, mundo afora. Iniciado pelo músico venezuelano, José Antonio Abreu, este " Sistema" visava retirar as crianças da rua e do contato com as drogas. Deu certo. As crianças, muito pequenas, falam com entusiasmo dos instrumentos que elegeram e de como a música as embala e as eleva; umas dizem que sentem paz, outras que parecem voar! Belo exemplo para nós - se já não o fazemos, está na hora . Pode ser que encontremos muitos talentos que se perderiam nas drogas, pelas ruas do Brasil.
Ademais, arte e educação se completam. Coloquemos música na vida de nossas crianças; certamente serão adultos mais sensíveis e menos agressivos. E que experimentem o escotismo também. Pois uma coisa não exclui a outra.
É preciso dar a elas um leque de opções que equilibrem as matérias mais valorizadas nas escolas e que de fato determinam o proficionalismo futuro: as ciências exatas, as humanas e os idiomas. Estas são obrigatórias e tornam, muitas vezes, o ensino árido e cansativo.
Tenho duas meninas que iniciaram seus estudos na música, seguiram por outros caminhos muito eficientes; poderiam voltar ao antigo amor, ao menos para acalmar seus dias ou como instrumento de inspiração para seus filhotes. Vai que surge dali um " Dudamel"!
Eu caminhava como de costume, ao redor do Lago do Círculo Militar de Campinas, quando percebi uma movimentação diferente: aquelas crianças e jovens, vestidos com seus belos uniformes, em tons de azul e cinza e com um lenço colorido no pescoço, treinavam a prática do remo. Havia alguns botes ou canoas e os menores remavam, sob os cuidados dos maiores. Para limitar o acesso ao espaço mais fundo do lago, os "Lobinhos" e os "Escoteiros" amarraram uma corda no sentido Leste - Oeste. Observei a disciplina, o falar educado, nada de gritaria nem de euforia exagerada que chamasse atenção para todo o grupo que era de muitos.
Segui em frente e percebi que outros se ocupavam em diferentes tarefas. Algumas lindas jovens recolhiam algum tipo de vegetação mais adiante. Aproximei-me e conversamos. As moças tinham, uma quinze anos, outra dezenove. E fazia já cinco e sete anos, respectivamente, que praticavam o escotismo. Achei surpreendente! Apesar de eu frequentar o clube desde muitos anos, nunca os tinha observado tão ativos e envolvidos com a escolha que tinham feito. Escolha exigente apesar de terem que cumprir outras escolhas, naturalmente feitas pelos pais, como os estudos que levam a sério.
Isso foi numa sexta-feira de semana com feriado na quinta. E os garotos que encontrei estavam muito felizes - um de treze anos, outro de onze - que não só montaram as barracas mas já tinham dormido ali:- " estamos acampando aqui, nos quatro dias e vamos ficar até domingo". Era bom ver que estavam orgulhosos de terem escolhido viver esta aventura, em segurança. Ali tinham uma boa mata, o lago para remar e pescar e o espaço para o campismo. Recolhiam uns gravetos que suponho para algum fogo noturno; não voltei lá para conferir. Contudo, contagiei meu neto com tamanho entusiasmo com que me preenchi.
Ainda hoje, assisti a um documentário sobre o Sistema Nacional de Orquestras Infantis e Juvenis, da Venezuela. Mostrava a vida de Gustavo Dudamel, exemplo de jovem que abraçou a música com paixão e levou a realização deste sonho a milhares de crianças, mundo afora. Iniciado pelo músico venezuelano, José Antonio Abreu, este " Sistema" visava retirar as crianças da rua e do contato com as drogas. Deu certo. As crianças, muito pequenas, falam com entusiasmo dos instrumentos que elegeram e de como a música as embala e as eleva; umas dizem que sentem paz, outras que parecem voar! Belo exemplo para nós - se já não o fazemos, está na hora . Pode ser que encontremos muitos talentos que se perderiam nas drogas, pelas ruas do Brasil.
Ademais, arte e educação se completam. Coloquemos música na vida de nossas crianças; certamente serão adultos mais sensíveis e menos agressivos. E que experimentem o escotismo também. Pois uma coisa não exclui a outra.
É preciso dar a elas um leque de opções que equilibrem as matérias mais valorizadas nas escolas e que de fato determinam o proficionalismo futuro: as ciências exatas, as humanas e os idiomas. Estas são obrigatórias e tornam, muitas vezes, o ensino árido e cansativo.
Tenho duas meninas que iniciaram seus estudos na música, seguiram por outros caminhos muito eficientes; poderiam voltar ao antigo amor, ao menos para acalmar seus dias ou como instrumento de inspiração para seus filhotes. Vai que surge dali um " Dudamel"!
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