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domingo, 21 de agosto de 2016

Matutando

Faz falta o gosto de Minas: fundão de mato, cheiro de bicho... Faz falta montanhas azuladas e casinhas entre galhadas com jardins em volta... Fumaça nas chaminés de chalés quase ocultos por araucárias centenárias! Faz falta um riacho com canoas, pescadores sonolentos, e vaquinhas mochas, pastando em pasto ralo, amarelecido, que a chuva é pouca e mineiro descuidado... Mas o gado, persistente e forte, como o caboclo. Faz falta o silêncio, o passaredo de qualidade e um bom amigo que ficou na saudade! Falta todo o tempo do mundo, pra pensar fundo na vida e esquecer a cidade... Faz falta tudo isso. Muita falta! Falta Minas e falta você!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Festa Junina

Faz tempo, quando chega junho ponho- me a pensar numa festa junina que aconteceu na minha infância. E questiono se não seria porque eu era muito criança que aquela festa pregou -se em minha memória e se tornaria uma de minhas saudades mais acalentadas. Meu tio Vicente, um belo rapaz que despejava alegria para todos que o rodeavam, apaixonara-se por Ana, vendo-a no meio de uma multidão, quando o azul dos olhos dela se cruzaram com o cerúleo dos olhos dele. E foi uma paixão frondosa, robusta e invejável. Ela, que tinha o apelido carinhoso de Anita, era minha madrinha e eu gostava muito dela. Não sei dizer qual dos dois era mais alegre. A diferença maior era que ele gostava de dançar e ela era mais caseira. Contudo, não o apoquentava quando se fantasiava e saía em bloco de carnaval ou se vestia de caboclo nas festas juninas. Não falarei do amor e do carinho com que minha mãe falava dele, seu irmão caçula: eles se entendiam muito bem. Contudo, aqui só quero-me lembrar daquela noite de encanto. Chegamos à casa de madrinha Anita dois dias antes do sábado festivo. Era muita informação para meu cérebro de sete ou oito anos: havia um entra e sai de criados ou parentes, cada qual sabendo de sua função, orquestrados pela maestrina: uma finalizava o doce- de- casca- de laranja, de abóbora com coco, de mamão e de cidra; outra despejava sobre a pedra mármore o pé- de- moleque, outras pregavam as bandeirolas: muito barbante, cola ( de goma - arábica) eu só observava. Brincávamos num imenso pátio, onde começaram a erguer um altar, uma enorme fogueira e os três mastros com as bandeiras dos santos Antônio, João e Pedro. No sábado, logo ao amanhecer, já havia muita lida na casa. Homens fortes carregavam lenha da carroça para o centro do pátio. A fogueira, rapidamente mostrou- se imponente; aquilo para mim era algo fantástico. E chegavam ainda mais ajudantes dos arredores mesmo lá das alturas da serra. O cenário emoldurado pela Mantiqueira era uma obra de arte. E prepararam pamonhas, canjica, biscoitão, linguiças, pernil e pastéis de farinha de milho; a pipoca deixaram para arrebentar mais à noite. O quentão se apurava em enorme caldeirão. Aqueles homens alegres, colegas de meu tio, que tinham o descanso apenas no domingo - trabalhavam na Usina de São Bernardo, pertencente à Companhia Sul Mineira, geradora de eletricidade para Itajubá e algumas poucas cidades em derredor. Então, meu tio e esses amigos se revessavam nos diversos trabalhos pendurando os muitos metros de bandeirolas... Naquela noite mágica, alguém acendeu a fogueira que imponente dominava a cena; enorme mesa de quitutes, com atoalhado branquíssimo, exibia orgulhosa toda essa gama de cores e sabores que meus olhos não abrangiam. Minha avó iniciou a festa recitando uma parte do Rosário e pedindo proteção a Deus - com os rogos dos três santos homenageados - e me recordo que crianças, jovens e adultos acompanharam com sincera devoção. A partir do final da reza, os sanfoneiros e violeiros entraram a tocar. Meu tio e muitos homens vestidos à moda rural - como se julga até nossos dias - e as jovens ornamentadas com flores nos cabelos e vestidos de babados, com rendas e fitas ou chapéus dançavam animadamente. Lembro-me de que a dança chamada quadrilha era marcada em língua francesa, pois de fato sua origem é europeia, mais precisamente da elite parisiense. Era uma brincadeira muito divertida e alguns solteiros saiam desta festa já com namorada. A madrugada surgia e as pessoas não se animavam a despedirem- se... Ainda ficamos por lá no domingo. Eu fora com minha avó, de charrete e regressaríamos a Itajubá desta mesma forma. Assim, na segunda - feira algum funcionário nos levaria. Dormi de tão exausta pois a excitação era demasiada para a criança que eu era e meus primos ainda mais novos. Hoje, festa junina não tem graça : as pessoas não se animam a se fantasiarem; as comidas são grosseiras, algumas até industrializadas; as músicas numa espécie de show sertanejo que de sertão nada tem. Não vejo a quadrilha marcada nem em português quanto mais em francês... Pode ser que lá pelo Sul de Minas ainda mantenham esta festa folclórica que lembra a abundância das fazendas até os anos sessenta. Agora, vou pôr a dormir minha saudade que um pouco deste sonho distante já revivi enquanto escrevi.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Amada Língua Portuguesa

Amada Língua Portuguesa

Amo nossa língua - mãe:
" Última flor do Lácio, inculta e bela."
Razão de ler e escrever vejo nela
e de ouvir cantar uma canção popular:
- " gosto de sentir minha língua roçar
a língua de Luis de Camões."
Gosto de eu mesma falar:
-" Eu te amo, minha mãezinha!"
E saber o que é sentir saudade,
que não é memória nem piedade,
que é ter o coração partido,
na partida de um grande amor!
Amo-te, língua de Amália e Saramago,
nas rimas de Pessoa, que nunca destoa,
neste mundo desconstruido,
essa Babel das letras!
O poeta diz, num suspiro profundo:
-" Tenho em mim
todosos sonhos do mundo!"
Amo-te, nos versos de Drummond,
nos contos de Machado
e nos achados de Rosa.
Amo-te língua do mar,
do passado, de hoje e do futuro,
impregnada de nostalgia,                      
embalada nos fados, noite e dia,
brilhando n'América e n'África, afinal,
n'Ásia e na Europa, com Portugal...
Nunca será demais de ti zelar,
em prosa e verso em ti me expressar,
como n'Odeão de Atenas!

Esta é minha singela homenagem aos oito séculos da oficialidade da língua portuguesa, cujas comemorações finalizaram-se neste junho próximo passado.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Imorredoura Saudade

Homenagem a Itajubá que aniversaria em 19 de março


Quando eu aqui vivi, querida Itajubá,
dançavas ao som das fanfarras,
cantavas nos pios de pardais
e na algazarra de cigarras, agarradas
às mangueiras da casa rosada
do saudoso Presidente,
na melancolia das tardes de outono...
Chamavas e choravas na cadência
dos sinos das igrejas...
Quando me separei de ti, Itajubá,
minhas retinas feri, na rotina itinerante
de buscar o azul exuberante
da Mantiqueira
e a sonolência do Sapucaí, serpeando
entre chorões e guanxumas...
Coisas que a vida já não me traz.
Meu sonho hoje se compraz
nesta robusta tristura, que triunfa
aninhada no relicário de meu coração:
noites geladas, névoa na montanha,
prosa alegre, pastel de milho, pinhão...
Então, voltei, Itajubá.
No Santuário da Virgem d'Agonia,
extática orei, em tamanha euforia!
Era o céu unido à terra,
o casario, o rio e a serra.
Tudo envolto no dourado do sol,
criando em mim,
imorredoura saudade!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Marias, o Neco e divagações

Neste vinte e quatro de janeiro, próximo sábado passado, faleceu a grande atriz Maria Della Costa - encurtamento de um longo e pomposo nome - aos oitenta e nove anos de idade. Bastantes anos, tenho que admitir. Esta Maria levou-me a lembrar outra Maria, muito mais íntima e muito mais amada. Da Maria atriz nem me lembro muito bem. Contudo, ao ouvir de seu falecimento, fui transportada a 1968, quando a Maria, minha mãe muito amada, assistia à novela Beto Rockfeller, da TV Tupi. Como algumas pessoas que conheço, minha mãe levava as novelas a sério. Então, Maria Della Costa vivia uma " socialite " muito rica e linda que se apaixonara por um pobretão inculto, porém charmoso.
A fórmula era a de sempre, só que na maior das vezes o homem é o rico, o príncipe encantado que se apaixona pela mocinha pobre. Às vezes, o primeiro encontro foi quando ele a atropela com seu luxuoso carro. Ela não se machuca, mas acontece a paixão à primeira vista.

Minha mãe ficava ansiosa para ver o próximo capítulo da novela. Falava com as vizinhas como se a personagem Maitê - vivida por Della Costa - fosse real; de carne e osso e se apaixonara pelo garotão sem tostão. Havia uma melodia de fundo, talvez o tema de Maitê e de Luis Gustavo, cujo nome na dita novela não sei agora, devia ser Beto Rockfeller! Penso que era uma música dos Beatles.

Então, desde domingo e ainda hoje, me vi  lá em 68, só ouvindo de longe, porque não curto muito novelas, minha saudosa mãe a comentar com meu pai aquela trama toda. E me vieram sentimentos muitos, desde nostalgia ( ah! nossa herança da alma portuguesa!) até uma pitada de remorso por não ter partlhado muito mais meus pensamentos e sentimentos com ela. Coisa que acontece a todos os viventes: depois que sofremos a perda, ruminamos uns "por que?" Por que não a visitei mais vezes? Por que não os levei a viajar? Por que não rimos muito mais? E, mesmo que tenhamos feito o nosso melhor, se temos amor, ainda julgaremos que poderíamos ter feito mais...

Nessas divagações noturnas, perturbadas pelo calor, refleti nas emoções densas que mexeram com muitos de minha casa; sentimentos de negligência, descuido até falta de amor em torno da morte do Neco. Foi uma grande perda apesar de ele ser apenas um simpático e cantante passarinho. Este calopsita estava conosco havia uns oito anos. Viera muito jovem e foi dado como presente para meu marido. Este lhe ensinara assoviar a melodia interpretada por Gal Costa -  " Teco- Teco- Teco". Neco a cantava inteira, com os graves e agudos, fazendo toda a sinuosidade que a melodia exigia. Tal registro não acontecera da noite para o dia. Foram muitos meses para ele memorizar a primeira parte e outros tantos meses para gravar a segunda. Depois, emendaram-se as duas partes. E isso era um espanto para quantos o ouviam e viam nessa apresentação. Neco parecia entender que era o centro das atenções. De lambuja dava uns " fiu...fiu!.." Nossos netos se encantavam com aquela avezinha de  corpo acinzentado, rabão longo, pontas de asas brancas e penacho com luzes amarelas. Tinha ainda uma pinta rosada abaixo de cada olho. Era bem bonitinho o Neco. Ele conhecia as passadas de meu marido que era quem o alimentava: ração e água fresca a cada manhã. Mal ouvia aquele som, punha-se a piar com insistência. Também era curioso vê-lo agitar-se quando o carro de seu dono entrava em casa. Ontem, aprendi um pouco mais sobre aves e animais em geral. Nós nos deixamos cativar julgando que o bichinho tem sentimentos como os humanos. E sofremos muito além do normal nos cobrando atitudes devidas a eles. Aprendi sobre eles e sobre nós mesmos:..." os poderes canoros e aeronáuticos de um pássaro...são para nós como para eles, o mais sutil dos nossos poderes meramente instintivos".
(  Subliminar - como o inconsciente influencia nossas vidas - Leonard Mlodinow). Assim, acalmei minha consciência e não mais me punirei ao lembrar-me de como o gato agarrou e levou o Neco, noite adentro. Para as crianças, inventamos um fim mais civilizado, mais palatável; menos selvagem ou cruel. Elas aceitaram que, ao ser atacado pelo gato, Neco voou para bem longe, onde vive feliz com seus iguais.

Misterioso é que entregamos à eternidade nossos queridos idosos ou doentes e seguimos em frente. E nos apegamos a esta avezinha como se fora uma criança indefesa que chamara por nós sem ser atendida. Este registro é para me convencer de que eu e você não devemos ter pendências emocionais com ninguém, como dizia o Walter, amigo de minha filha. Agora, estou em paz!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Quase Rotina

Não é toda noite que perco o sono. Apesar de madrugadora, estou sempre a prometer que escreverei durante o dia, logo após a caminhada. E, quase toda noite, as horas passam correndo por mim, que abro mil janelas, na Internet; abro-as também em meus diretórios e vou fechando-as vagarosamente até que meu velho relógio de parede entoe badaladas frágeis, tão cheio de anos e cansado está, como eu mesma. Alguém, do lado de lá do meu computador, tem como função avisar-me que " fulana ou beltrana atualizou seu status"! Diz que " você está perdendo muitas histórias!" Se, num piscar de olhos, num cochilo mínimo, aperto a tecla do facebook, adeus escrita; é o enterro de boas reflexões, no mínimo um repousar mais calmo. E, minhas santas amigas, na boa intenção, postam o bolo que fizeram sem usar ovo ou o caneco de chopp - é isso mesmo? Não consigo inspirar-me vendo um caneco de cerveja até nesta primavera com cara de verão! Há coisas interessantes e notícias dos amigos. Mas, o tempo é excludente; se você aceita a pilula dourada das redes sociais, estará desistindo do alimento da sua alma. Para mim, escrever é como o ar que respiro.

Por tais atalhos da distração e outras sombras veladoras do foco, minha imaginação degola os vigilantes da disciplina. A partir daí, leio a Folha, o El País, o Le Monde...Dou uma espiada no Times e sigo até as notícias do Vaticano. De repente, saio da armadilha da curiosidade e já as horas se desvaneceram; sumiram nalgum vão enegrecido da madrugada. Desisto, então, e prometo que amanhã será diferente...

Perdido o sono que zomba de mim em gargalhadas, fico curtindo o brilho alaranjado de lembranças de minhas crianças bronzeadas. E estas memórias se envolvem em saudade de um tempo em que a dos cachos - cor - de - mel distribuia seus dias entre tubos- de- ensaio e cadinhos, dançava em requebros de braços e pernas, em aulas de dança e sobre o azul da água da piscina ou se lançava sem medo, sobre as barras da ginástica. A outra, com sua enorme e farta franja curtia dedilhar seu violão, quase de seu tamanho, de criança de sete anos. Segurando minhas pesadas pálpebras, caminha sobre meu travesseiro o menino travesso que já não sobe mais em árvores nem se arrisca a nadar no lago do clube. Essas robustas imagens saudadeiam minha emoção e se derramam em gotas ardentes. Não é de tristeza que as lágrimas me socorrem. Desde muito tempo, minha alegria é molhada. Pois quando tive muita dor, chorei por dentro e só os olhos de minha alma ficaram vermelhos.

Tentarei correr para o leito; agarrarei o sono com determinação, agora que ele se anuncia cobrando o tempo que ontem lhe foi roubado. Para que a insônia não seja minha quase- rotina.
 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Construindo Saudade...

Perdi o sono ou foi ele que se escapou de meus olhos, fugiu de meus sonhos, empurrou-me para fora da cama. Quase duas horas da madrugada meio fria, saindo quase do inverno. Já tinha ido pra cama meio tarde, após degustarmos um bom vinho que eu trouxera de Montalcino. E fiquei ali na penumbra do quarto, julgando que logo dormiria. Mas, fui construindo saudade, na ansiedade de  repassar toda a viagem que acabara de fazer, pelo Norte da Itália até o Lácio. Sei que construi muitas boas memórias que gerarão intensa saudade! Começamos por Milão, ficamos em Verona - uma gracinha! - interessante ver como muita gente gosta de entrar de corpo e alma na ficção. No pátio da casa de Julieta, seu balcão provocava intensa fila, daqueles que desejavam tirar uma foto para lembrar, como se fora verdadeira a história criada por Shakespeare. E, o muro do lado esquerdo da entrada estava coberto de bilhetes; juras de amor, quem sabe? Realmente, é contagioso o inconsciente coletivo: quase dava para ouvir o apaixonado Romeu declarar seu amor à mocinha cujos pais proibiram o romance...Seguimos para Veneza, que eu já visitara e que me pareceu um pouco descuidada. Estão sempre em obras de manutenção, o que atrapalha um pouco.

Depois de uns tres dias, visitamos o belo lago Como, tendo muitos a curtir suas margens, em roupas de banho. Meus netos se permitiram entrar na água e nadaram alegremente...

Andando ali pela Ligúria, a lembrança enreizada na memória, trouxe-me a saudade de minha mãe, na bandeja de polenta, bem do jeito que ela a fazia. Alguns, a fizeram muito espessa, densa; outros rala como sopa de doente. Esta polenta era como um pudim, firme e macia ao mesmo tempo. Veio meio feia, meio pobre em sua aparência. A polenta que mamãe fazia era gostosa e bonita de se apreciar. Vinha coberta pelo vermelho do molho, engrossado pela carne moída. E, óbvio, neste molho moravam a cebola, a salsa, o alho mesmo o manjericão, tudo na medida certa. Por vezes, tínhamos o queijo ralado a enriquecer. Contudo, a polenta foi um diferencial muito apreciado, quando sumiu de nossas opções, dando lugar apenas às massas, com molhos sofisticados.

Cinqueterre foi uma bela experiência, onde visitamos diversas ilhas, velejando como aconteceu nos canais de Veneza. Todos esses lugares são lindos, e mais saudade pude edificar.

Ficamos uns dias nas alturas esplendorosas de Montalcino. Montanhas e planícies mescladas de muitos tons de verde; manchadas nas nuanças do rubro ao alaranjado, detendo-se no ouro acobreado. O azul sem núvens envolvendo a paisagem na atmosfera aveludada. Saiu, então, de minha saudade a Mantiqueira de meus cuidados. Só ganhou de minha mineira, pela pradaria totalmente desenhada em suas videiras enfileiradas; em oliveiras carregadas. Na varanda onde tomávamos o café - da - manhã, ainda uma figueira, fazia robusta sombra e levava -me ao pomar de minha infância. Minha mãe fazia um invejável e transparente doce - de - figo, delicioso presente para nós e aos vizinhos.

Esta parte mais agrícola, com suas ruas estreitas e edificações antiquíssimas foram um enlevo para para meu coração. Será uma saudade colorida, diferente, antiga e culta. Saudade sem idade; eterna enquanto eu viver...

Passamos por Pisa, Lucca, Firenze e, de Roma, atravessamos para Sardenha. Esta lembrou-me o sossego e isolamento de algumas praias do Nordeste brasileiro. A transparência da água, como a de Fernado de Noronha. Foi um tempo de descanso muito rico.

Voltamos a Roma, num verão efervescente, pelo sol e a multidão que enchia as ruas. Prefiro a Europa na primavera. Há quem goste de enfrentar as férias com milhões de outros que buscam os mesmos lugares. Alguns precisam aproveitar as férias escolares. Como as belezuras de meus netos que solidificaram as bases da saudade que construi neste agosto de 2014.

Não posso deixar de dizer que a macarronada de minha mãe era melhor que todas as pastas que comi naquele paraíso de massas. Vou dar um consolo, estas do lugar de origem chegaram bem perto daquela que minha mãe fazia aos domingos. Também, há aquilo de saudade que me faz valorizar muito mais a comida de minha mãe. Talvez fosse apenas diferente.

E as melodias me reportaram aos bailes do Clube Itajubense e do Diretório Acadêmico da EFEI, como a charmosa " Champanhe", que certamente construiu saudade em muita gente.