Fique sempre no mais alto.
Como claraboia proceda.
Seja a translucidez seu alvo.
Ao lutífero não ceda.
Não siga o lucífugo,
fugindo da luminosa Verdade.
Seja sua transparência fogo.
Sua alvura a caridade.
Pequena ou grande lucarna,
o importante é vazar luz,
de sua defesa, arma.
Luz solar, fogaréu, luz de vela.
Seja luzerna que seduz.
Leve o Eterno por ela.
" Se a luz que há em ti são trevas, quão escuras serão as tuas trevas" - Jesus, o Cristo.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Construindo Saudade...
Perdi o sono ou foi ele que se escapou de meus olhos, fugiu de meus sonhos, empurrou-me para fora da cama. Quase duas horas da madrugada meio fria, saindo quase do inverno. Já tinha ido pra cama meio tarde, após degustarmos um bom vinho que eu trouxera de Montalcino. E fiquei ali na penumbra do quarto, julgando que logo dormiria. Mas, fui construindo saudade, na ansiedade de repassar toda a viagem que acabara de fazer, pelo Norte da Itália até o Lácio. Sei que construi muitas boas memórias que gerarão intensa saudade! Começamos por Milão, ficamos em Verona - uma gracinha! - interessante ver como muita gente gosta de entrar de corpo e alma na ficção. No pátio da casa de Julieta, seu balcão provocava intensa fila, daqueles que desejavam tirar uma foto para lembrar, como se fora verdadeira a história criada por Shakespeare. E, o muro do lado esquerdo da entrada estava coberto de bilhetes; juras de amor, quem sabe? Realmente, é contagioso o inconsciente coletivo: quase dava para ouvir o apaixonado Romeu declarar seu amor à mocinha cujos pais proibiram o romance...Seguimos para Veneza, que eu já visitara e que me pareceu um pouco descuidada. Estão sempre em obras de manutenção, o que atrapalha um pouco.
Depois de uns tres dias, visitamos o belo lago Como, tendo muitos a curtir suas margens, em roupas de banho. Meus netos se permitiram entrar na água e nadaram alegremente...
Andando ali pela Ligúria, a lembrança enreizada na memória, trouxe-me a saudade de minha mãe, na bandeja de polenta, bem do jeito que ela a fazia. Alguns, a fizeram muito espessa, densa; outros rala como sopa de doente. Esta polenta era como um pudim, firme e macia ao mesmo tempo. Veio meio feia, meio pobre em sua aparência. A polenta que mamãe fazia era gostosa e bonita de se apreciar. Vinha coberta pelo vermelho do molho, engrossado pela carne moída. E, óbvio, neste molho moravam a cebola, a salsa, o alho mesmo o manjericão, tudo na medida certa. Por vezes, tínhamos o queijo ralado a enriquecer. Contudo, a polenta foi um diferencial muito apreciado, quando sumiu de nossas opções, dando lugar apenas às massas, com molhos sofisticados.
Cinqueterre foi uma bela experiência, onde visitamos diversas ilhas, velejando como aconteceu nos canais de Veneza. Todos esses lugares são lindos, e mais saudade pude edificar.
Ficamos uns dias nas alturas esplendorosas de Montalcino. Montanhas e planícies mescladas de muitos tons de verde; manchadas nas nuanças do rubro ao alaranjado, detendo-se no ouro acobreado. O azul sem núvens envolvendo a paisagem na atmosfera aveludada. Saiu, então, de minha saudade a Mantiqueira de meus cuidados. Só ganhou de minha mineira, pela pradaria totalmente desenhada em suas videiras enfileiradas; em oliveiras carregadas. Na varanda onde tomávamos o café - da - manhã, ainda uma figueira, fazia robusta sombra e levava -me ao pomar de minha infância. Minha mãe fazia um invejável e transparente doce - de - figo, delicioso presente para nós e aos vizinhos.
Esta parte mais agrícola, com suas ruas estreitas e edificações antiquíssimas foram um enlevo para para meu coração. Será uma saudade colorida, diferente, antiga e culta. Saudade sem idade; eterna enquanto eu viver...
Passamos por Pisa, Lucca, Firenze e, de Roma, atravessamos para Sardenha. Esta lembrou-me o sossego e isolamento de algumas praias do Nordeste brasileiro. A transparência da água, como a de Fernado de Noronha. Foi um tempo de descanso muito rico.
Voltamos a Roma, num verão efervescente, pelo sol e a multidão que enchia as ruas. Prefiro a Europa na primavera. Há quem goste de enfrentar as férias com milhões de outros que buscam os mesmos lugares. Alguns precisam aproveitar as férias escolares. Como as belezuras de meus netos que solidificaram as bases da saudade que construi neste agosto de 2014.
Não posso deixar de dizer que a macarronada de minha mãe era melhor que todas as pastas que comi naquele paraíso de massas. Vou dar um consolo, estas do lugar de origem chegaram bem perto daquela que minha mãe fazia aos domingos. Também, há aquilo de saudade que me faz valorizar muito mais a comida de minha mãe. Talvez fosse apenas diferente.
E as melodias me reportaram aos bailes do Clube Itajubense e do Diretório Acadêmico da EFEI, como a charmosa " Champanhe", que certamente construiu saudade em muita gente.
Depois de uns tres dias, visitamos o belo lago Como, tendo muitos a curtir suas margens, em roupas de banho. Meus netos se permitiram entrar na água e nadaram alegremente...
Andando ali pela Ligúria, a lembrança enreizada na memória, trouxe-me a saudade de minha mãe, na bandeja de polenta, bem do jeito que ela a fazia. Alguns, a fizeram muito espessa, densa; outros rala como sopa de doente. Esta polenta era como um pudim, firme e macia ao mesmo tempo. Veio meio feia, meio pobre em sua aparência. A polenta que mamãe fazia era gostosa e bonita de se apreciar. Vinha coberta pelo vermelho do molho, engrossado pela carne moída. E, óbvio, neste molho moravam a cebola, a salsa, o alho mesmo o manjericão, tudo na medida certa. Por vezes, tínhamos o queijo ralado a enriquecer. Contudo, a polenta foi um diferencial muito apreciado, quando sumiu de nossas opções, dando lugar apenas às massas, com molhos sofisticados.
Cinqueterre foi uma bela experiência, onde visitamos diversas ilhas, velejando como aconteceu nos canais de Veneza. Todos esses lugares são lindos, e mais saudade pude edificar.
Ficamos uns dias nas alturas esplendorosas de Montalcino. Montanhas e planícies mescladas de muitos tons de verde; manchadas nas nuanças do rubro ao alaranjado, detendo-se no ouro acobreado. O azul sem núvens envolvendo a paisagem na atmosfera aveludada. Saiu, então, de minha saudade a Mantiqueira de meus cuidados. Só ganhou de minha mineira, pela pradaria totalmente desenhada em suas videiras enfileiradas; em oliveiras carregadas. Na varanda onde tomávamos o café - da - manhã, ainda uma figueira, fazia robusta sombra e levava -me ao pomar de minha infância. Minha mãe fazia um invejável e transparente doce - de - figo, delicioso presente para nós e aos vizinhos.
Esta parte mais agrícola, com suas ruas estreitas e edificações antiquíssimas foram um enlevo para para meu coração. Será uma saudade colorida, diferente, antiga e culta. Saudade sem idade; eterna enquanto eu viver...
Passamos por Pisa, Lucca, Firenze e, de Roma, atravessamos para Sardenha. Esta lembrou-me o sossego e isolamento de algumas praias do Nordeste brasileiro. A transparência da água, como a de Fernado de Noronha. Foi um tempo de descanso muito rico.
Voltamos a Roma, num verão efervescente, pelo sol e a multidão que enchia as ruas. Prefiro a Europa na primavera. Há quem goste de enfrentar as férias com milhões de outros que buscam os mesmos lugares. Alguns precisam aproveitar as férias escolares. Como as belezuras de meus netos que solidificaram as bases da saudade que construi neste agosto de 2014.
Não posso deixar de dizer que a macarronada de minha mãe era melhor que todas as pastas que comi naquele paraíso de massas. Vou dar um consolo, estas do lugar de origem chegaram bem perto daquela que minha mãe fazia aos domingos. Também, há aquilo de saudade que me faz valorizar muito mais a comida de minha mãe. Talvez fosse apenas diferente.
E as melodias me reportaram aos bailes do Clube Itajubense e do Diretório Acadêmico da EFEI, como a charmosa " Champanhe", que certamente construiu saudade em muita gente.
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quarta-feira, 2 de julho de 2014
Meu Relógio
Meu relógio preto e velho,
pendurado na parede da cozinha.
Ninguém te ve, ninguém te sente.
E a alegria que tenho é só minha.
Ninguém percebe teu cansaço,
Tuas falhas mesmo teu silêncio.
Por tantos anos foste minha alegria,
tiquetaqueando meu tempo,
pondo ordem em meus dias.
Meu querido relógio preto,
de rosto dourado, luminoso
e som virtuoso,
incomodando ouvidos sensíveis,
na madrugada!
Ponteiros certeiros, a ausência marcando
de um amor que prometera voltar!
Não te deixarei calar,
mesmo cantando em descompasso
e, como eu, já claudicante.
Pois devagar também sigo nesse passo:
ti...que, taque, tique,tiquetique...taque,
ta... ta...que, que...tictac.
pendurado na parede da cozinha.
Ninguém te ve, ninguém te sente.
E a alegria que tenho é só minha.
Ninguém percebe teu cansaço,
Tuas falhas mesmo teu silêncio.
Por tantos anos foste minha alegria,
tiquetaqueando meu tempo,
pondo ordem em meus dias.
Meu querido relógio preto,
de rosto dourado, luminoso
e som virtuoso,
incomodando ouvidos sensíveis,
na madrugada!
Ponteiros certeiros, a ausência marcando
de um amor que prometera voltar!
Não te deixarei calar,
mesmo cantando em descompasso
e, como eu, já claudicante.
Pois devagar também sigo nesse passo:
ti...que, taque, tique,tiquetique...taque,
ta... ta...que, que...tictac.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Tempos
Tempo de pra dentro caminhar,
na solidão da maturidade,
vivenciando muita saudade,
reciclando o jeito de amar.
Vem o gosto da liberdade.
Sem regras nem leis - rebeldia!
Mas sinto a vida vazia.
Nada vale tal vaidade...
Na juventude, as correias, os laços;
as obrigações, lutas sem fim!
Nada de risos nem abraços.
Hoje, há um pêndulo dentro de mim:
- como máquina moldada a compasso,
quando digo "não," ele diz "sim."
na solidão da maturidade,
vivenciando muita saudade,
reciclando o jeito de amar.
Vem o gosto da liberdade.
Sem regras nem leis - rebeldia!
Mas sinto a vida vazia.
Nada vale tal vaidade...
Na juventude, as correias, os laços;
as obrigações, lutas sem fim!
Nada de risos nem abraços.
Hoje, há um pêndulo dentro de mim:
- como máquina moldada a compasso,
quando digo "não," ele diz "sim."
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sexta-feira, 13 de junho de 2014
Retalhos da Vida
A vida de cada um e de todos nós
é como colcha de retalhos;
como veste de palhaços,
mesmo roupa de espantalho!
Nenhuma vida só de branco se veste
nem de puro ébano se tece,
num fio feito de aço,
que nunca se rompa...
Assim, os retalhos de nossos sentimentos.
Ora vermelhos, ora cinzentos;
azuis, alguns julgamentos;
outros, densos retalhos de lã...
Somos revestidos desses retalhos,
renovados ou envelhecidos...
Que os retalhos de sua vida
não sejam remendos rotos,
senão nacos perfeitos de luz e amor!
é como colcha de retalhos;
como veste de palhaços,
mesmo roupa de espantalho!
Nenhuma vida só de branco se veste
nem de puro ébano se tece,
num fio feito de aço,
que nunca se rompa...
Assim, os retalhos de nossos sentimentos.
Ora vermelhos, ora cinzentos;
azuis, alguns julgamentos;
outros, densos retalhos de lã...
Somos revestidos desses retalhos,
renovados ou envelhecidos...
Que os retalhos de sua vida
não sejam remendos rotos,
senão nacos perfeitos de luz e amor!
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segunda-feira, 26 de maio de 2014
Mães ( Homenagem a todas )
Uma roga pelo filho doente,
outra, pelo que não aprende;
mais uma agradece pelo contente
que desfruta do emprego buscado
e ter o inferno superado!
A vida de todas as mães
é joelho no chão; é peregrinação,
sob chuva fraca ou forte.
Muitas seguem sem norte,
que seu rumo foi tragado pela morte
de um filho amado!
A mãe se arrasta, um passo de cada vez.
No altar se prostra e agradece a sorte.
Na certeza, não no talvez,
de ter a graça recebida,
de sua Mãe Aparecida!
outra, pelo que não aprende;
mais uma agradece pelo contente
que desfruta do emprego buscado
e ter o inferno superado!
A vida de todas as mães
é joelho no chão; é peregrinação,
sob chuva fraca ou forte.
Muitas seguem sem norte,
que seu rumo foi tragado pela morte
de um filho amado!
A mãe se arrasta, um passo de cada vez.
No altar se prostra e agradece a sorte.
Na certeza, não no talvez,
de ter a graça recebida,
de sua Mãe Aparecida!
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