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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O Perfume da Vida

Ama as estrelas
que cintilam no céu.
Descerra da mente
o nebuloso véu
que encobre totalmente
o encanto de viver.
Ama a água
que cai pesada
e escorre na calçada
ou segue cantante das fontes.
Ama os montes,
as flores e os campos.
Ama o cinzento desbotado
dos pardais insolentes,
que piam a morrer de amores
na goiabeira do quintal.
Ama o sol que te desperta
e o pequeno animal
que a criança aperta
num abraço sem igual!
Ama toda boa lembrança ;
ama sem distinção
sem nem pensar em vingança!
Ama o sino da capelinha
que bate tímido, descompassado.
Ama o homem apressado,
outros mil desconhecidos,
carrancudos, distraídos...
Ama o tumulto dos carros,
os latidos e os chiados,
os chilreios e os miados,
os gemidos e os cantares.
Ama a vida que tens -
entre tropeços, apelos e atropelos -
ainda mais o silêncio da noite.
Ama sem pressa e preza
cada dia concedido.
Colhe, agora, sem demora,
colhe cada momento como rosas
para que possas
experimentar o perfume da vida!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Luminosa Vida

Fique sempre no mais alto. Como claraboia proceda. Seja a translucidez seu alvo. Ao lutífero não ceda. Não siga o lucífugo, fugindo da luminosa Verdade. Seja sua transparência fogo. Sua alvura, a caridade. Pequena ou grande lucarna, o importante é vazar luz, de sua defesa, arma. Luz solar, fogaréu, luz de vela. Seja luzerna que seduz. Leve o Eterno por ela!

domingo, 9 de outubro de 2016

Mutação

Quero ter tempo pra tudo. Contudo, que este tudo seja apenas vivido hoje. E, dentro deste hoje, aqui de qualquer hora, viver muito bem o " agora". Sem pressa, com grande alegria e vigor. Sugar, sem temor apenas o " já " desta hora... É bem isso que quero: beber o momento, a fração de segundo de cada minuto, indo ao fundo... Sem criar barreiras para o bem e o bom, passar como relâmpago pelas coisas tristes, sombrias, dolorosas. Ou quem sabe, com sabedoria divina, transformar as sombras em luz e a morte em vida!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

De como ocupar corpo e mente

Minha querida amiga, Célia, questionava o porquê de se gastar tempo escrevendo poemas, uma crônica até um conto ou romance. Em geral - continua ela - as pessoas estão sempre correndo, muitas delas viciadas em seus celulares e redes sociais a papear quaisquer piadinhas, figurinhas ilustrativas, tudo de fraco conteúdo só para se sentirem vivas. Argumentei com ela que quando faço meus exercícios físicos, faço-os para manter-me saudável. Não saio a caminhar por uma hora nem pego alguns pesos só para os outros verem. Sei que precisamos praticar tais exercícios e a consequência vem naturalmente. Assim também o exercício mental é importante para que nossas células cerebrais mantenham-se atuantes e realizem as conexões necessárias ao bom juízo e saibam contar uma história ou elaborar um poema. Escrever é como alimentar meu corpo: não escrevo para receber elogios nem espero que muitas pessoas vão ler e gostar ou criticar. Escrevo para mim mesma. Para eu refletir, para lembrar-me de lugares onde estive, de pessoas. Nesta altura da vida, quando a estrada já foi percorrida quase inteiramente, o importante é eu agradar-me a mim mesma; é ter os amigos que escolho e só vou aos lugares que desejo. Nada mais é tão importante quanto nossa satisfação pessoal, nossa alma em paz dentro de nosso corpo. Sou realista, nada pessimista. Por isso, sei que esta vida se esvai a cada segundo e, num piscar de olhos, já não mais existimos. Uso bem pouco as redes sociais. Ali, é uma vitrine para o "ego" que nunca está triste nem aparenta carências. Fotos sempre bonitas, pessoas bem vestidas, sorridentes, em lindos lugares. É uma fantasia meio vazia. Na minha visão. Gosto para matar saudades. Mas não me preenche a alma. O importante é exercitarmos nossas células cinzentas e falarmos de fatos reais ou imaginários. É brincar com o verbo; é pensar como nossa língua é rica e sonora é conferir as figuras de linguagem e tentar plantar ou fazer germinar alguma emoção. Gosto de refletir sobre o mundo, louco como está e maravilhoso na criança de colo e naquela que inventa brincadeiras ricas de imaginação. E sondar a riqueza da natureza e a imensidão do universo em expansão e o planeta Terra a vagar como um ponto de grafite ou um grão de areia! E nós que somos a um tempo insignificantes diante dessa magnitude e grandiosos quando produzimos um mínimo ato de amor ou amizade; quando nos deslumbramos envolvidos nos laranja- roxo- vermelho de um pôr- de- sol... Neste momento, amiga, repasso os e-mails. Falei com minhas filhas pelo Skype - uma em Madri, outra em Paris, de repente, mal corrijo um poema pela segunda vez, já é noite! E conheço gente que me diz lamuriante que não sabe o que fazer nas muitas horas de seu dia. Já lhe aconselhei a curtir jardinagem ou culinária...No nada fazer, há muito o que fazer. É só não ter preguiça e escolher. A decisão de escolher é de cada um: recolher -se encolhida num quarto escuro ou sair para a vida. E não adianta delegar sua vida a outros. Não curto novelas televisivas. Se houver um filme, ao menos razoável, tentarei ver até às vinte e duas horas. Depois, é a reclamação de sempre de que dormi pouco; de que sou ave- noturna. Saio daqui em paz, reconciliada com minha alma. Prometo agradecer ao bom Deus pelos presentes de hoje e por você, querida Célia, ser minha sincera amiga e gastar parte de seu tempo a ler meus parcos escritos. Qualquer dia escreverei um poema em sua homenagem! Só mais uma coisinha: nunca faça nada de que não goste só para impressionar os outros, tentar ser agradável. É muito provável que não gostem e você terá perdido seu tempo e ganhará de lambuja enorme frustração. Se faz só do que ama o primeiro ganho é o alívio do estresse cotidiano.

De como ocupar corpo e mente

Minha querida amiga, Célia, questionava o porquê de se gastar tempo escrevendo poemas, uma crônica até um conto ou romance. Em geral - continua ela - as pessoas estão sempre correndo, muitas delas viciadas em seus celulares e redes sociais a papear quaisquer piadinhas, figurinhas ilustrativas, tudo de fraco conteúdo só para se sentirem vivas. Argumentei com ela que quando faço meus exercícios físicos, faço-os para manter-me saudável. Não saio a caminhar por uma hora nem pego alguns pesos só para os outros verem. Sei que precisamos praticar tais exercícios e a consequência vem naturalmente. Assim também o exercício mental é importante para que nossas células cerebrais mantenham-se atuantes e realizem as conexões necessárias ao bom juízo e saibam contar uma história ou elaborar um poema. Escrever é como alimentar meu corpo: não escrevo para receber elogios nem espero que muitas pessoas vão ler e gostar ou criticar. Escrevo para mim mesma. Para eu refletir, para lembrar-me de lugares onde estive, de pessoas. Nesta altura da vida, quando a estrada já foi percorrida quase inteiramente, o importante é eu agradar-me a mim mesma; é ter os amigos que escolho e só vou aos lugares que desejo. Nada mais é tão importante quanto nossa satisfação pessoal, nossa alma em paz dentro de nosso corpo. Sou realista, nada pessimista. Por isso, sei que esta vida se esvai a cada segundo e, num piscar de olhos, já não mais existimos. Uso bem pouco as redes sociais. Ali, é uma vitrine para o "ego" que nunca está triste nem aparenta carências. Fotos sempre bonitas, pessoas bem vestidas, sorridentes, em lindos lugares. É uma fantasia meio vazia. Na minha visão. Gosto para matar saudades. Mas não me preenche a alma. O importante é exercitarmos nossas células cinzentas e falarmos de fatos reais ou imaginários. É brincar com o verbo; é pensar como nossa língua é rica e sonora é conferir as figuras de linguagem e tentar plantar ou fazer germinar alguma emoção. Gosto de refletir sobre o mundo, louco como está e maravilhoso na criança de colo e naquela que inventa brincadeiras ricas de imaginação. E sondar a riqueza da natureza e a imensidão do universo em expansão e o planeta Terra a vagar como um ponto de grafite ou um grão de areia! E nós que somos a um tempo insignificantes diante dessa magnitude e grandiosos quando produzimos um mínimo ato de amor ou amizade; quando nos deslumbramos envolvidos nos laranja- roxo- vermelho de um pôr- de- sol... Neste momento, amiga, repasso os e-mails. Falei com minhas filhas pelo Skype - uma em Madri, outra em Paris, de repente, mal corrijo um poema pela segunda vez, já é noite! E conheço gente que me diz lamuriante que não sabe o que fazer nas muitas horas de seu dia. Já lhe aconselhei a curtir jardinagem ou culinária...No nada fazer, há muito o que fazer. É só não ter preguiça e escolher. A decisão de escolher é de cada um: recolher -se encolhida num quarto escuro ou sair para a vida. E não adianta delegar sua vida a outros. Não curto novelas televisivas. Se houver um filme, ao menos razoável, tentarei ver até às vinte e duas horas. Depois, é a reclamação de sempre de que dormi pouco; de que sou ave- noturna. Saio daqui em paz, reconciliada com minha alma. Prometo agradecer ao bom Deus pelos presentes de hoje e por você, querida Célia, ser minha sincera amiga e gastar parte de seu tempo a ler meus parcos escritos. Qualquer dia escreverei um poema em sua homenagem! Só mais uma coisinha: nunca faça nada de que não goste só para impressionar os outros, tentar ser agradável. É muito provável que não gostem e você terá perdido seu tempo e ganhará de lambuja enorme frustração. Se faz só do que ama o primeiro ganho é o alívio do estresse cotidiano.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Apenas Vivendo/ Relembrando

As festas ainda nem se diluíram no tempo - pois que tenho a casa cheia de corre- corre, gritinhos de netos e agregados, graças a Deus - e vamos somando os feitos, os não -feitos, os bem- feitos e sempre restarão alguns mal- feitos. Coisas da vida. Não lastimarei o que deixei de fazer ou os mal - feitos, seja pelo bem de outros, seja porque estou apenas vivendo, sem cobranças.

Já falei e repito o aprendizado de que " o hábito é uma segunda natureza". Uma vez que se acostuma a trabalhar pouco, a dormir de menos, a comer errado, isso se tornará parte de você. De outro modo, se me acostumar a trabalhar muito, a dormir o quanto me baste e, se não bastar ficará para outra vez, já que o trabalho virá antes; se me acostumar a comer corretamente e ainda a me exercitar no corpo e na alma: tudo isso será um hábito. Fará parte integral de minha personalidade. Meu pai dizia isso em outras palavras:" o uso do cachimbo é que faz a boca torta."
Por isso, eu disse: estou apenas vivendo. E este estar apenas vivendo não significa que deixarei meus sonhos sem regas. Não! Não os deixarei murchar nem desbotarem-se como tem acontecido com meus lírios, neste tempo de seca selvagem. Sei que a estrada da vida vai ficando muito mais íngreme a cada dia que termina.
Continuo obstinada com a escrita. Se alguém vai ler, isso é outra conversa. Gostava de escrever desde muito criança. Ver as letras, as frases e os parágrafos a preencher o branco do papel numa cumplicidade perfeita. A tinta a dançar como um fio d'água escorrendo morro abaixo, registrando meu pensamento até minhas emoções, fuçando e remexendo toda a tulha de minha alma...
Isso para mim é viver! Então, repito: estou apenas vivendo. Sem cobranças de onde andará meu novo livro de poemas? E aqueles contos dormindo na gaveta? Poderiam iluminar alguma face, num riso maroto ou constranger quem tem algo a esconder. Esperança, talvez espanto, curiosidade ou saudade poderiam minhas historietas ressuscitar. Nalgum dia, eu as resgatarei, se a nau do tempo o permitir. Não deixarei de percorrer meu caminho. Tentações para cruzar braços e pernas, parar com tudo e só "curtir" nas redes sociais já as ouvi muitas. Não cederei a tais ofertas. Só que meu ritmo está vagaroso tal uma tartaruga velha. Vou colhendo, no entanto, muito mais rosas que espinhos; mais consolo que desalento. Enquanto eu tiver fôlego, falarei com minha melhor amiga - eu mesma - e meu Mestre - o Senhor Jesus Cristo. Falarei, em prosa e verso, com amigos fiéis, peregrinos que somos, na mesma trilha.
Como amante da língua portuguesa, lembro-me de que neste 2014 que se finda, comemoramos oito séculos de Língua Portuguesa, sendo o primeiro documento oficial registrado em 1214. O Brasil e Cabo - Verde, lançaram selos comemorativos a esta data. As homenagens prosseguirão até meados de 2015. Sem me cobrar, pretendo escrever sobre isso.
Para não esquecer gravemos, países de Língua Portuguesa: Angola, Brasil,  Cabo- Verde, Guiné - Bissau, Moçambique, Portugal, Timor- Leste, São Tomé e Príncipe.

Ano Novo - 2015 - sem cobranças; sem promessas.
O que eu fizer, estará feito.
Só não deixarei de amar ninguém. Aqui ou como estrelinha, apenas vivendo!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Luminosa Vida

Fique sempre no mais alto.
Como claraboia proceda.
Seja a translucidez seu alvo.
Ao lutífero não ceda.

Não siga o lucífugo,
fugindo da luminosa Verdade.
Seja sua transparência fogo.
Sua alvura a caridade.

Pequena ou grande lucarna,
o importante é vazar luz,
de sua defesa, arma.

Luz solar, fogaréu, luz de vela.
Seja luzerna que seduz.
Leve o Eterno por ela.

" Se a luz que há em ti são trevas, quão escuras serão as tuas trevas" - Jesus, o Cristo.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Retalhos da Vida

     A vida de cada um e de todos nós
     é como colcha de retalhos;
     como veste de palhaços,
     mesmo roupa de espantalho!
     Nenhuma vida só de branco se veste
     nem de puro ébano se tece,
     num fio feito de aço,
     que nunca se rompa...
     Assim, os retalhos de nossos sentimentos.
     Ora vermelhos, ora cinzentos;
     azuis, alguns julgamentos;
     outros, densos retalhos de lã...
     Somos revestidos desses retalhos,
     renovados ou envelhecidos...
     Que os retalhos de sua vida
     não sejam remendos rotos,
     senão nacos perfeitos de luz e amor!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Do Caminhar pela Vida

     Na estrada da vida,
     peregrina rumo ao Eterno,
     enveredei-me por vias frias,
     ou de intenso calor,
     no desamparo ou com amor.
     Determinada, levei no bojo,
     o riso e a lágrima,
     espinhos e rosas,
     nas cidades e nas roças.
     Como pessoas, as rosas
     são perfumadas e lindas,
     mas ferem, às vezes.
     Meus joelhos reclamaram
     e minha vista se turvou.
     Meu corpo se cansou,
     claudicou e se curvou.
     Porém, cada pedra pisada
     foi em nuvem transformada
     que não feriu meus pés.

     Feliz é quem completa a jornada
     e encontra a porta de chegada!
    

domingo, 5 de janeiro de 2014


Janeiro
 
     Fechou- se definitivamente o portal de 2013; estamos,agora,no início de um novo ano.Obviamente,ao redor tudo parece igual;novo - ano - quase - igual - ao - velho.Só um pequeno “quase” para fazer justiça às variações enlouquecidas de temperatura. Aliás,o calor está atípico! Nada nem ninguém se transforma abruptamente. Mesmo a morte é vagarosa.Por isso,muitos vêm morrendo faz tempo e nem o percebem.
     Foram- se as festas também as pessoas se foram para seu nada, suas férias ou suas faias.
     O que foi bem concluído assim ficou.Os erros também.Talvez se consertem naturalmente,segundo a lei do retorno ou algo semelhante à Teshuvá judaica.Aguardemos.
     Na festa do Réveillon, perambulei entre idades variadas e especulei sobre protestos,projetos de mudança,suspiros até lamentos. Para uns,se a festa de Natal é de família,o foco deveria ser a criança.Portanto,a ceia ficaria para segundo plano ou nem existiria. Todavia,há a geração que passou dos sessenta e não se alimenta de “coisas pesadas”nem noite adentro quase de madrugada.
     Seduziu- me a conversa com “seo” Antônio.Na tranquilidade de seus oitenta e tantos anos,enquanto aguardávamos a ceia,ele contou-me de sua rotina.Cuidava ele mesmo de tudo em sua casa,embora pudesse pagar funcionários domésticos.Habitualmente,janta por volta das dezoito horas;tudo organizado,faz suas preces e logo está a sonhar com o dia seguinte ou coisas da infância,mesmo com alguma namorada.Acorda sem despertador;por vezes,sem o cantar do galo; escuro ainda.Faz o desjejum e segue de carro para o sítio.Ali, ordenha vacas,alimenta galinhas,rega a horta,cumprimenta o pomar...Eu,suspensa na admiração,ele,alegre,sorrindo,em paz.Isso era o seu jeito de levar a vida.Se tinha dado certo até ali,por que mudaria? Seu ano–novo seria como os muitos anos–velhos,deixados nas páginas de sua vida.Ouvindo“seo” Antônio,reforcei a crença de que o trabalho que se ama não pesa quase nada.O corpo se renova a cada dia quando a alma está feliz.
     Confortou-me,ademais,o propósito da solene senhora de ser menos manipuladora e mais verdadeira; menos fantasiosa e mais religiosa, sem usar máscara de beata.E a jovem altiva definira seu ano-novo como a busca da esperança e da fé. Houve quem falasse de perdão e amor sem limites. Outros prometeram ler muito mais – tais como “ O Príncipe da Privataria", de Palmério Dória,( o segundo volume está melhor que o primeiro),a“Fúria de Sharpe”,de Bernard Cornwell ou reler “A minha Fé”,de Hesse,“ Terra dos Homens”,de A. Saint Éxupery; tomar fôlego para investir em “Gênese de um Pensamento”,de Teillard de Chardin e ainda criar coragem para mastigar o denso “O Demônio do Meio- Dia”,de Andrew Solomon. Haja tempo!

     2014 que se alargue para caber tanto desejo acumulado. E que os sonhos se tornem realidade.
     Então, feliz ano – novo – quase - igual, para todos!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Blue Jasmine

     Wood Allen, em sua costumeira genialidade, surpreende - nos mais uma vez com esta comédia dramática - Blue Jasmine - onde o humor surge sutilmente, quase engolido pelo drama. Lançado neste novembro, o genial diretor acertou com Cate Blanchett que vive Jasmine, envolvida no sufocante "clima - blue" e com Alec Baldwin que vive seu esposo. Este enriquecera-se ilicitamente e acumulara enorme fortuna, lesando a muitos. Nada além disso direi sobre o enredo. Seria maldade. Bom é seguirmos os caminhos escolhidos por Allen e entrarmos em sua trama genial.
     Cate Blanchett está formidável em todas as tomadas. O filme é um retrato fiel de muitas situações que conhecemos, neste hoje que pretende dinheiro fácil e o materialismo - individual e social - reina solto. Alec Baldwin é como um fulano qualquer, cujo nome tenho de memória. Pode ser um pequeno empresário, um político canastrão e mandrião, um ator famoso...
     Na vida real, à medida que o dinheiro entra aos montes - nesse caso, dinheiro sujo - seu ego se inflama e o sucesso lhe sobe à cabeça. Dentre os bandidos, surge o chefe que arrebata a maior porção. Contudo, seus tentáculos se expandem para as diferentes esferas, num espaço de hierarquias muitas.
    Conheço parceiras de cama e de vida que nunca delataram seus companheiros, por corrupção ou por comportamento inadequado. Umas continuaram com eles pelo status e pelo dinheiro; outras, esperaram passar o temporal, divorciaram- se amigavelmente, não sem levar polpuda quantia em suas contas bancárias. Vale lembrar aquelas cujos valores não as satifizeram, sejam estas as esposas traídas ou as amantes descartadas. Lembro-me da esposa do ex- Ministro B. Cabral que o perdoou e aceitou-o de volta ao lar, após ter um romance com a também ex - Ministra Zélia Cardoso. Segue-se Nicéia Pitta, ex- esposa de Celso Pitta que o denunciou argumentando o pouco dinheiro que recebia de pensão ou ter sido lesada na partilha de bens. Na certa, adultério ou abandono do marido. A história levou Pitta ao caso dos precatórios e à perda do mandato. Também de fresca memória, a ex- esposa de Manuel Moreira - vereador, na "era Quércia"- que abriu as portas de sua mansão, mostrando todos os detalhes, em mármore e cristais de qualidade superior, afirmando que desde a casa e todo o resto fora comprado com dinheiro sujo: propinas de fornecedores. Narrou como o marido entrava com maletas repletas de dólares. Interessante é observar como estas angélicas e ingênuas esposas não questionam seus pares nem trabalham suas cabecinhas sobre a origem destas enormes quantias. Os maridões, espalham as braçadas de dinheiro sujo sobre as mesas ou tapetes e tudo parece normal até acontecer a traição. Vivem elas este padrão milionário como se fosse coisa normal. Julgam que ninguém repara! Outras piram diante da fortuna que não conseguem gastar nem pode aparecer. Tive uma ex- amiga que só queria cozinheira francesa; uma pobre criatura, filha de operário que nada sabia das letras nem das ciências. Mas era " chic" ter uma funcionária francesa; ou várias. Recentemente, tivemos Mônica Veloso e seu "caso" com o senador Renan Calheiros; recebia ela, seus valores em espécie, por meio de um funcionário de empreiteira. Um horror a falta de vergonha de uma e de outro. Os exemplos são múltiplos. Uns, nomeiam um filho para buscar no Exterior parte de seu dinheiro; já no aeroporto fazem o câmbio. Outros, puseram a filha a fingir que estudava nos E.U.A. com a tarefa de só voltar depois que comprasse tres apartamentos e os revendesse, mesmo com aparente prejuízo. Todavia o dinheiro era lavado, como se o parco salário que recebia pudesse comprar tudo aquilo! Há muitas maneiras de se criar empresas - de - fachada e ir limpando o dinheiro. Neste tempo de aparente ampla e mais eficaz justiça, esses tais ficam meio assustados...
Resta lembrar a ex- esposa de Fernando Collor que em programa " Fantástico" ameaçou contar muito mais e só nos disse que dezoito mil reais por mes é muito pouco mediante a enorme fortuna do ex. marido. Como ela silenciou, deve ter conseguido muito mais. Esperta ela!
     Paro nesses casos bem conhecidos e reservo outros para conversa - ao- pé- do- ouvido.
     Entretanto, não direi o que aconteceu com a linda " blue " Jasmine e a seu generoso esposo, porém, adúltero e corrupto. Vá ver o filme que ilustra tais casos e diverte genialmente.