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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O Perfume da Vida

Ama as estrelas
que cintilam no céu.
Descerra da mente
o nebuloso véu
que encobre totalmente
o encanto de viver.
Ama a água
que cai pesada
e escorre na calçada
ou segue cantante das fontes.
Ama os montes,
as flores e os campos.
Ama o cinzento desbotado
dos pardais insolentes,
que piam a morrer de amores
na goiabeira do quintal.
Ama o sol que te desperta
e o pequeno animal
que a criança aperta
num abraço sem igual!
Ama toda boa lembrança ;
ama sem distinção
sem nem pensar em vingança!
Ama o sino da capelinha
que bate tímido, descompassado.
Ama o homem apressado,
outros mil desconhecidos,
carrancudos, distraídos...
Ama o tumulto dos carros,
os latidos e os chiados,
os chilreios e os miados,
os gemidos e os cantares.
Ama a vida que tens -
entre tropeços, apelos e atropelos -
ainda mais o silêncio da noite.
Ama sem pressa e preza
cada dia concedido.
Colhe, agora, sem demora,
colhe cada momento como rosas
para que possas
experimentar o perfume da vida!

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Busca Incansável

O lago esbanjando claridade, espelhando o sol, ferindo - me as retinas! Retive a emoção! Levei a sensação de perenidade mata adentro... O véu das ramarias, entrecortado de luz, dançava ao vento, como no tempo de fadas, no mistério multicolorido de aves e borboletas. Congelei o momento, na memória da saudade, tal o encantamento, tamanha a felicidade! No azulado infinito, tem gosto de eternidade o albatroz pairando em círculos , senhor do universo! No anverso da paisagem, a imagem fugaz de um homem em paz, à beira do lago, pescando esperança... Deslumbramento infinito! Dentro em mim, o lago na calmaria, a luz perene, bondade e beleza, no auge do esplendor. Aqui, encontro Deus, o eterno, o Tudo. A paz que se busca como andarilho, não dura nem tem o brilho da que se encontra dentro de ti!

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Encontro do Infinito

O lago esbanjando claridade,
espelhando o sol, ferindo-me as retinas...
Retive a emoção!
Levei a sensação de perenidade mata adentro...
O véu das ramarias, entrecortado de luz,
dançava ao vento, como no tempo de fadas,
no mistério multicolorido de aves e borboletas.
Congelei o momento na memória da saudade,
tal o encantamento, tamanha felicidade!
No infinito azulado, tem gosto de eternidade
o albatroz pairando em círculos, senhor do universo!
No anverso da paisagem, a imagem fugaz
de um homem em paz,
à beira do lago, pescando esperança...
Deslumbramento do encontro do infinito!
Dentro em mim, o lago na calmaria, a luz perene,
bondade e beleza, no auge do esplendor!
Aqui encontro Deus, o eterno, o tudo!

A paz que se busca como andarilho,
não dura nem tem o brilho
da que se encontra dentro de ti!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Lamento da Natureza


Observo com curiosidade
a movimentação inquieta do meu jardim.
Se é como bem me lembro,
quando chegava setembro,
vinha com ele a primavera.
Era tempo de calmaria, do colorido de flores
e de chuvas cantantes refrescando
nossas tardes. O calorão só vinha no verão!
Agora, a natureza lamenta em coro:
Quero água! Quero água!
Céu azul,  manchado do branco das núvens,
iluminado sob o dourado do sol,
acolhe o bem -te - vi que abraça seu filhote
e chora a chuva que não veio.
Sobre o verde desbotado do abacateiro,
geme a corroíra em busca de alimento.
Aqui, a sabiá a lamentar o dia inteiro
que o vento já vem, sem argumento,
a levar a molhadeza, pras bandas do mar...
No canto do muro, a murta sem lágrimas,
engole um soluço e suspira por um banho!
O voo colorido do beija-flor tenta
abraçar o manacá e nova dança inventa
que lhe poupe energia e o alimente.
Mente quem diz que a natureza não pensa.
Pensa e sente como gente.
A natureza sabe que os rios
estão - se tornando riachos,
prenunciam córregos até trilhas de terra
socada e seca; enrugada  e craquelada.
Ouço nos pios dos pássaros
a prece de toda a natureza, que em coro
suplica: que venha a chuva, bom Deus!

sábado, 13 de julho de 2013

Pantanal II

     Falar de Pantanal talvez seja um tipo de refrão por demais cantado: " é chover no molhado". Hoje mesmo, vi parte de um documentário com aquela riqueza toda, da qual vi apenas uma pequena parte. Por isso, meu texto é um pequeno registro, num enfoque humilde - mesmo porque seria difícil postar muita coisa, dada a biodiversidade daquele paraíso.

     Desta vez, fizemos semelhantes passeios de barco pelo rio Miranda à procura de pássaros que habitam nas árvores de suas margens. Encontramos uma rica variedade da qual destaco os seguintes: cavalaria, joão pinto, caracará, arara - vermelha, arara - azul, arara - canindé, periquitos, mutum - de- penacho, garça-real, aracuã- do -pantanal e outros muitos. Caminhar logo de madrugada foi um trabalho para os fiéis fotógrafos dessas aves raras e encantadoras. Fui de acompanhante, mas a vida naquele lugar começa muito cedo e nos obriga a seguir aquele ritmo. Desliguei - me totalmente do mundo dito civilizado: nada de telefone, televisão nem Internet. Li um bocado, escrevi pouco, orei bastante e meditei o suficiente. Era formidável ter o silêncio interrompido exclusivamente pelo farfalhar de pios, gorgeios, chilreios ou trinados, todos desalinhados mas orquestrados por mãos divinas. O colorido de mil tons de verde, com manchas vermelhas, outras amarelas ou azuis eram o primeiro plano daquela paisagem dourada com fundo azul celeste. Uma delícia! Escrevi um poema desta força da natureza sobre nossa saúde. É formidável o sol para nos tirar da cama, da casa, do casulo; sair da melancolia - nossa herança portuguesa - sair de nós mesmos. Ir ao encontro da luz natural e daquela que emana das pessoas translúcidas. Repletos de energia, de alegria por nada e por tudo, cantamos sem dizer palavra e ouvimos a melodia silenciosa do vento na ramaria. Muito bom.

     Emoldurando tudo, uns papos - cabeça até muita conversa - jogada- fora com gente muito jovem, tal o irlandês e o alemão, como maduros tais os casais franceses e outros brasileiros. Isso era mais no refeitório, porque as moças estrangeiras ficavam só curtindo o "verão" de junho, de biquinis, na piscina. Para meu gosto, eu usava agasalho leve, nunca, porém, roupa de banho. Porque eu sentia frio mas elas precisavam ganhar uma corzinha naqueles poucos dias. De fato, eram demasiadamente brancas. Este era um grupo que chegou junto, apenas turistas de férias. Interessante o garoto alemão - não direi seu nome - de dezoito anos a dizer que faz estágio na empresa de Eike Batista, onde seu pai trabalha na construção de uma usina termoelétrica. Com ar de criança travessa, que está a fazer algo proibido, sentia-se importante porque desconhecia totalmente do trabalho de uma usina deste tipo. A família inteira veio da Alemanha; moram no Rio de Janeiro há seis meses. Disse-me que ele e o pai tiveram aulas de português, língua que julga muito difícil. Logo entendi porque a mãe nada falava mas me sorria admirada de o filho estar a tagarelar nesta língua que ninguém fala! E eu o escutava e respondia lentamente; às vezes também perguntava; o pai não viera ao Pantanal porque estava doente. Ora, ora, o empresário brasileiro em questão tem cacife para expatriar um funcionário alemão e sua família e lhe pagar um bom salário em euros. Pura especulação de minha parte que creio piamente termos gente qualificada para este trabalho. Ou não temos?

     Sei que poderia ainda ir ao Pantanal por mais vezes e voltaria sempre em estado de graça. Os ruidos não naturais, os hábitos que nos deixam enclausurados, sem o sol, a poluição do ar, tudo isso nos torna mal - humorados, alguns até doentes.

     Uma semana imersa no universo pantaneiro só me privou da alegria maior que era estar com meus pequeninos netos, Guilherme e Giovana já que os Felipe e Gabriel permanecem para além do mar, do outro lado do mundo.