Na estrada da vida,
peregrina rumo ao Eterno,
enveredei-me por vias frias,
ou de intenso calor,
no desamparo ou com amor.
Determinada, levei no bojo,
o riso e a lágrima,
espinhos e rosas,
nas cidades e nas roças.
Como pessoas, as rosas
são perfumadas e lindas,
mas ferem, às vezes.
Meus joelhos reclamaram
e minha vista se turvou.
Meu corpo se cansou,
claudicou e se curvou.
Porém, cada pedra pisada
foi em nuvem transformada
que não feriu meus pés.
Feliz é quem completa a jornada
e encontra a porta de chegada!
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
sábado, 18 de janeiro de 2014
Boa Morte
Faz já algum tempo que quero falar deste assunto. Minha filha enviara- me com entusiasmo a notícia sobre o valoroso atleta belga, Emiel Pauwels. O senhorzinho das mil medalhas ( ouro, prata, bronze ) - a recebê - las desde sua juventude, tinha agora 95 anos! Ele falecera neste último sete ( 07) de janeiro, tendo optado pela eutanásia. Eu estava cansada e focada em conversas de doenças, de parentes e amigos e não me detive a valorizar sua perseverança. Ele se dedicara ao atletismo com empenho e conquistara seus muitos premios até tornar-se um dos maiores da Europa, em sua categoria de veteranos. De fato, eu deveria deter-me neste fantástico progresso, tendo ele atravessado idades tão limitantes até desanimadoras.
Não são muitos os países que aprovam e executam a eutanásia. Temos os Países Baixos, Luxemburgo e Suíça na iminência de aprovação, a Colômbia e, nos Estados Unidos, somente o Estado do Oregon. François Hollande - presidente francês - acaba de anunciar lei que regulamenta o final da vida de pacientes terminais, para encerrarem seus dias " com dignidade". Segundo o juramento de médicos, eles devem fazer todo o possível para recuperar a saúde de doentes; mesmo aqueles portadores de doenças incuráveis. Temos visto verdadeiros milagres em que há recuperação espantosa, sobretudo para os que gostam de viver. Tivemos dois doentes terminais na família e estes agiram corajosa e tranquilamente até o fim, apesar de grande sofrimento. Nenhuma revolta ou desespero, constatamos.
Pode acontecer, como já ocorre na Bélgica, que ninguém mais se espante nem questione com o emprego da eutanásia, dentro de poucos anos. Praticada desde a Antiguidade, a eutanásia era empregada pelos celtas e outros povos nórdicos, que queriam apressar a morte de seus pais idosos e enfermos. Há quem afirme que eutanásia é como um suicídio assistido. Contudo, num olhar investigativo, concluimos que o suicídio é praticado pela própria pessoa que o escolhe. A boa - morte uma vez pedida e aceita é assistida por um médico e quem a executa é uma terceira pessoa.
O que me surpreendeu foi que Pauwels realizou uma festa, no dia anterior ao de sua morte. Convidou alguns amigos e seu filho único. Dizem que estava feliz.
Talvez eu tenha sido severa demais com ele. Aos noventa e cinco e com câncer de estômago, sabia que não mais faria seus esportes e poderia ter muitas dores. Ainda não tinha sofrido nada disso. Neste último dezembro ganhou medalha de ouro, na Copa do Mundo Brasil 2013 ( veteranos). Só de pensar nas limitações e sofrimento preferia morrer. Não tenho o direito de julgar sua escolha. Meu conceito é que a vida é um dom e só o Criador a pode recolher para si. Porém, com medicamentos poderosos ninguém precisa partir como acontecia no passado.
Seria eu hipócrita a dizer que aplaudi a escolha do atleta. Ele poderia aceitar o último torneio, às vezes longo e sempre dificílimo, mas experiência ímpar e intransferível. Custava o belga correr só mais esta vez na estrada da vida? Atravessaria o vale sombrio da morte e saberia que do outro lado ainda há muita vida a ser vivida.
Deus me encha de coragem e paz, quando eu tiver que atravessar a ponte da eternidade; quando o sino tocar e eu tiver que me mudar para o andar de cima. Que ninguém me ofereça eutanásia. Não precisarei de festa nem de carpideiras.
Não são muitos os países que aprovam e executam a eutanásia. Temos os Países Baixos, Luxemburgo e Suíça na iminência de aprovação, a Colômbia e, nos Estados Unidos, somente o Estado do Oregon. François Hollande - presidente francês - acaba de anunciar lei que regulamenta o final da vida de pacientes terminais, para encerrarem seus dias " com dignidade". Segundo o juramento de médicos, eles devem fazer todo o possível para recuperar a saúde de doentes; mesmo aqueles portadores de doenças incuráveis. Temos visto verdadeiros milagres em que há recuperação espantosa, sobretudo para os que gostam de viver. Tivemos dois doentes terminais na família e estes agiram corajosa e tranquilamente até o fim, apesar de grande sofrimento. Nenhuma revolta ou desespero, constatamos.
Pode acontecer, como já ocorre na Bélgica, que ninguém mais se espante nem questione com o emprego da eutanásia, dentro de poucos anos. Praticada desde a Antiguidade, a eutanásia era empregada pelos celtas e outros povos nórdicos, que queriam apressar a morte de seus pais idosos e enfermos. Há quem afirme que eutanásia é como um suicídio assistido. Contudo, num olhar investigativo, concluimos que o suicídio é praticado pela própria pessoa que o escolhe. A boa - morte uma vez pedida e aceita é assistida por um médico e quem a executa é uma terceira pessoa.
O que me surpreendeu foi que Pauwels realizou uma festa, no dia anterior ao de sua morte. Convidou alguns amigos e seu filho único. Dizem que estava feliz.
Talvez eu tenha sido severa demais com ele. Aos noventa e cinco e com câncer de estômago, sabia que não mais faria seus esportes e poderia ter muitas dores. Ainda não tinha sofrido nada disso. Neste último dezembro ganhou medalha de ouro, na Copa do Mundo Brasil 2013 ( veteranos). Só de pensar nas limitações e sofrimento preferia morrer. Não tenho o direito de julgar sua escolha. Meu conceito é que a vida é um dom e só o Criador a pode recolher para si. Porém, com medicamentos poderosos ninguém precisa partir como acontecia no passado.
Seria eu hipócrita a dizer que aplaudi a escolha do atleta. Ele poderia aceitar o último torneio, às vezes longo e sempre dificílimo, mas experiência ímpar e intransferível. Custava o belga correr só mais esta vez na estrada da vida? Atravessaria o vale sombrio da morte e saberia que do outro lado ainda há muita vida a ser vivida.
Deus me encha de coragem e paz, quando eu tiver que atravessar a ponte da eternidade; quando o sino tocar e eu tiver que me mudar para o andar de cima. Que ninguém me ofereça eutanásia. Não precisarei de festa nem de carpideiras.
domingo, 5 de janeiro de 2014
Janeiro
Fechou-
se definitivamente o portal de 2013; estamos,agora,no início de um novo ano.Obviamente,ao redor tudo parece igual;novo - ano - quase - igual - ao - velho.Só um
pequeno “quase” para fazer justiça às variações enlouquecidas de temperatura. Aliás,o calor está atípico! Nada
nem ninguém se transforma abruptamente. Mesmo a morte é vagarosa.Por isso,muitos vêm morrendo faz tempo e nem o percebem.Foram- se as festas também as pessoas se foram para seu nada, suas férias ou suas faias.
O que foi bem concluído assim ficou.Os erros também.Talvez se consertem naturalmente,segundo a lei do retorno ou algo semelhante à Teshuvá judaica.Aguardemos.
Na festa do Réveillon, perambulei entre idades variadas e especulei sobre protestos,projetos de mudança,suspiros até lamentos. Para uns,se a festa de Natal é de família,o foco deveria ser a criança.Portanto,a ceia ficaria para segundo plano ou nem existiria. Todavia,há a geração que passou dos sessenta e não se alimenta de “coisas pesadas”nem noite adentro quase de madrugada.
Seduziu- me a conversa com “seo” Antônio.Na tranquilidade de seus oitenta e tantos anos,enquanto aguardávamos a ceia,ele contou-me de sua rotina.Cuidava ele mesmo de tudo em sua casa,embora pudesse pagar funcionários domésticos.Habitualmente,janta por volta das dezoito horas;tudo organizado,faz suas preces e logo está a sonhar com o dia seguinte ou coisas da infância,mesmo com alguma namorada.Acorda sem despertador;por vezes,sem o cantar do galo; escuro ainda.Faz o desjejum e segue de carro para o sítio.Ali, ordenha vacas,alimenta galinhas,rega a horta,cumprimenta o pomar...Eu,suspensa na admiração,ele,alegre,sorrindo,em paz.Isso era o seu jeito de levar a vida.Se tinha dado certo até ali,por que mudaria? Seu ano–novo seria como os muitos anos–velhos,deixados nas páginas de sua vida.Ouvindo“seo” Antônio,reforcei a crença de que o trabalho que se ama não pesa quase nada.O corpo se renova a cada dia quando a alma está feliz.
Confortou-me,ademais,o propósito da solene senhora de ser menos manipuladora e mais verdadeira; menos fantasiosa e mais religiosa, sem usar máscara de beata.E a jovem altiva definira seu ano-novo como a busca da esperança e da fé. Houve quem falasse de perdão e amor sem limites. Outros prometeram ler muito mais – tais como “ O Príncipe da Privataria", de Palmério Dória,( o segundo volume está melhor que o primeiro),a“Fúria de Sharpe”,de Bernard Cornwell ou reler “A minha Fé”,de Hesse,“ Terra dos Homens”,de A. Saint Éxupery; tomar fôlego para investir em “Gênese de um Pensamento”,de Teillard de Chardin e ainda criar coragem para mastigar o denso “O Demônio do Meio- Dia”,de Andrew Solomon. Haja tempo!
2014 que
se alargue para caber tanto desejo acumulado. E que os sonhos se tornem
realidade.
Então, feliz ano – novo – quase - igual, para
todos!quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Proclamação do Natal
Grite, nos quatro cantos da Terra:
- Venham todos, venham logo!
Venham de qualquer modo.
Alegria grandiosa ou modesta.
Venham celebrar a grande festa!
O nascimento do Menino - Deus,
A quem muitos deram adeus,
Celebrando a si mesmos!
Neste mundo, sempre aparente,
Tente ser diferente.
Comece por dentro, na alma.
E belo presépio invente.
À porta do coração,
Bolas coloridas de amizade,
A guirlanda do perdão.
Fartura de mimos e abraços,
Pacotes de beijos com laços
E quitutes de carinhos.
Num cantinho aconchegante,
Elegante, o amor de dourado
E o sorriso de vermelho.
Pois que o essencial
É a voz forte, fraternal
A cantar que Jesus nasceu
E de paz nossa vida encheu!
- Venham todos, venham logo!
Venham de qualquer modo.
Alegria grandiosa ou modesta.
Venham celebrar a grande festa!
O nascimento do Menino - Deus,
A quem muitos deram adeus,
Celebrando a si mesmos!
Neste mundo, sempre aparente,
Tente ser diferente.
Comece por dentro, na alma.
E belo presépio invente.
À porta do coração,
Bolas coloridas de amizade,
A guirlanda do perdão.
Fartura de mimos e abraços,
Pacotes de beijos com laços
E quitutes de carinhos.
Num cantinho aconchegante,
Elegante, o amor de dourado
E o sorriso de vermelho.
Pois que o essencial
É a voz forte, fraternal
A cantar que Jesus nasceu
E de paz nossa vida encheu!
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Blue Jasmine
Wood Allen, em sua costumeira genialidade, surpreende - nos mais uma vez com esta comédia dramática - Blue Jasmine - onde o humor surge sutilmente, quase engolido pelo drama. Lançado neste novembro, o genial diretor acertou com Cate Blanchett que vive Jasmine, envolvida no sufocante "clima - blue" e com Alec Baldwin que vive seu esposo. Este enriquecera-se ilicitamente e acumulara enorme fortuna, lesando a muitos. Nada além disso direi sobre o enredo. Seria maldade. Bom é seguirmos os caminhos escolhidos por Allen e entrarmos em sua trama genial.
Cate Blanchett está formidável em todas as tomadas. O filme é um retrato fiel de muitas situações que conhecemos, neste hoje que pretende dinheiro fácil e o materialismo - individual e social - reina solto. Alec Baldwin é como um fulano qualquer, cujo nome tenho de memória. Pode ser um pequeno empresário, um político canastrão e mandrião, um ator famoso...
Na vida real, à medida que o dinheiro entra aos montes - nesse caso, dinheiro sujo - seu ego se inflama e o sucesso lhe sobe à cabeça. Dentre os bandidos, surge o chefe que arrebata a maior porção. Contudo, seus tentáculos se expandem para as diferentes esferas, num espaço de hierarquias muitas.
Conheço parceiras de cama e de vida que nunca delataram seus companheiros, por corrupção ou por comportamento inadequado. Umas continuaram com eles pelo status e pelo dinheiro; outras, esperaram passar o temporal, divorciaram- se amigavelmente, não sem levar polpuda quantia em suas contas bancárias. Vale lembrar aquelas cujos valores não as satifizeram, sejam estas as esposas traídas ou as amantes descartadas. Lembro-me da esposa do ex- Ministro B. Cabral que o perdoou e aceitou-o de volta ao lar, após ter um romance com a também ex - Ministra Zélia Cardoso. Segue-se Nicéia Pitta, ex- esposa de Celso Pitta que o denunciou argumentando o pouco dinheiro que recebia de pensão ou ter sido lesada na partilha de bens. Na certa, adultério ou abandono do marido. A história levou Pitta ao caso dos precatórios e à perda do mandato. Também de fresca memória, a ex- esposa de Manuel Moreira - vereador, na "era Quércia"- que abriu as portas de sua mansão, mostrando todos os detalhes, em mármore e cristais de qualidade superior, afirmando que desde a casa e todo o resto fora comprado com dinheiro sujo: propinas de fornecedores. Narrou como o marido entrava com maletas repletas de dólares. Interessante é observar como estas angélicas e ingênuas esposas não questionam seus pares nem trabalham suas cabecinhas sobre a origem destas enormes quantias. Os maridões, espalham as braçadas de dinheiro sujo sobre as mesas ou tapetes e tudo parece normal até acontecer a traição. Vivem elas este padrão milionário como se fosse coisa normal. Julgam que ninguém repara! Outras piram diante da fortuna que não conseguem gastar nem pode aparecer. Tive uma ex- amiga que só queria cozinheira francesa; uma pobre criatura, filha de operário que nada sabia das letras nem das ciências. Mas era " chic" ter uma funcionária francesa; ou várias. Recentemente, tivemos Mônica Veloso e seu "caso" com o senador Renan Calheiros; recebia ela, seus valores em espécie, por meio de um funcionário de empreiteira. Um horror a falta de vergonha de uma e de outro. Os exemplos são múltiplos. Uns, nomeiam um filho para buscar no Exterior parte de seu dinheiro; já no aeroporto fazem o câmbio. Outros, puseram a filha a fingir que estudava nos E.U.A. com a tarefa de só voltar depois que comprasse tres apartamentos e os revendesse, mesmo com aparente prejuízo. Todavia o dinheiro era lavado, como se o parco salário que recebia pudesse comprar tudo aquilo! Há muitas maneiras de se criar empresas - de - fachada e ir limpando o dinheiro. Neste tempo de aparente ampla e mais eficaz justiça, esses tais ficam meio assustados...
Resta lembrar a ex- esposa de Fernando Collor que em programa " Fantástico" ameaçou contar muito mais e só nos disse que dezoito mil reais por mes é muito pouco mediante a enorme fortuna do ex. marido. Como ela silenciou, deve ter conseguido muito mais. Esperta ela!
Paro nesses casos bem conhecidos e reservo outros para conversa - ao- pé- do- ouvido.
Entretanto, não direi o que aconteceu com a linda " blue " Jasmine e a seu generoso esposo, porém, adúltero e corrupto. Vá ver o filme que ilustra tais casos e diverte genialmente.
Cate Blanchett está formidável em todas as tomadas. O filme é um retrato fiel de muitas situações que conhecemos, neste hoje que pretende dinheiro fácil e o materialismo - individual e social - reina solto. Alec Baldwin é como um fulano qualquer, cujo nome tenho de memória. Pode ser um pequeno empresário, um político canastrão e mandrião, um ator famoso...
Na vida real, à medida que o dinheiro entra aos montes - nesse caso, dinheiro sujo - seu ego se inflama e o sucesso lhe sobe à cabeça. Dentre os bandidos, surge o chefe que arrebata a maior porção. Contudo, seus tentáculos se expandem para as diferentes esferas, num espaço de hierarquias muitas.
Conheço parceiras de cama e de vida que nunca delataram seus companheiros, por corrupção ou por comportamento inadequado. Umas continuaram com eles pelo status e pelo dinheiro; outras, esperaram passar o temporal, divorciaram- se amigavelmente, não sem levar polpuda quantia em suas contas bancárias. Vale lembrar aquelas cujos valores não as satifizeram, sejam estas as esposas traídas ou as amantes descartadas. Lembro-me da esposa do ex- Ministro B. Cabral que o perdoou e aceitou-o de volta ao lar, após ter um romance com a também ex - Ministra Zélia Cardoso. Segue-se Nicéia Pitta, ex- esposa de Celso Pitta que o denunciou argumentando o pouco dinheiro que recebia de pensão ou ter sido lesada na partilha de bens. Na certa, adultério ou abandono do marido. A história levou Pitta ao caso dos precatórios e à perda do mandato. Também de fresca memória, a ex- esposa de Manuel Moreira - vereador, na "era Quércia"- que abriu as portas de sua mansão, mostrando todos os detalhes, em mármore e cristais de qualidade superior, afirmando que desde a casa e todo o resto fora comprado com dinheiro sujo: propinas de fornecedores. Narrou como o marido entrava com maletas repletas de dólares. Interessante é observar como estas angélicas e ingênuas esposas não questionam seus pares nem trabalham suas cabecinhas sobre a origem destas enormes quantias. Os maridões, espalham as braçadas de dinheiro sujo sobre as mesas ou tapetes e tudo parece normal até acontecer a traição. Vivem elas este padrão milionário como se fosse coisa normal. Julgam que ninguém repara! Outras piram diante da fortuna que não conseguem gastar nem pode aparecer. Tive uma ex- amiga que só queria cozinheira francesa; uma pobre criatura, filha de operário que nada sabia das letras nem das ciências. Mas era " chic" ter uma funcionária francesa; ou várias. Recentemente, tivemos Mônica Veloso e seu "caso" com o senador Renan Calheiros; recebia ela, seus valores em espécie, por meio de um funcionário de empreiteira. Um horror a falta de vergonha de uma e de outro. Os exemplos são múltiplos. Uns, nomeiam um filho para buscar no Exterior parte de seu dinheiro; já no aeroporto fazem o câmbio. Outros, puseram a filha a fingir que estudava nos E.U.A. com a tarefa de só voltar depois que comprasse tres apartamentos e os revendesse, mesmo com aparente prejuízo. Todavia o dinheiro era lavado, como se o parco salário que recebia pudesse comprar tudo aquilo! Há muitas maneiras de se criar empresas - de - fachada e ir limpando o dinheiro. Neste tempo de aparente ampla e mais eficaz justiça, esses tais ficam meio assustados...
Resta lembrar a ex- esposa de Fernando Collor que em programa " Fantástico" ameaçou contar muito mais e só nos disse que dezoito mil reais por mes é muito pouco mediante a enorme fortuna do ex. marido. Como ela silenciou, deve ter conseguido muito mais. Esperta ela!
Paro nesses casos bem conhecidos e reservo outros para conversa - ao- pé- do- ouvido.
Entretanto, não direi o que aconteceu com a linda " blue " Jasmine e a seu generoso esposo, porém, adúltero e corrupto. Vá ver o filme que ilustra tais casos e diverte genialmente.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Centenário da Unifei - Itajubá
Foi emocionante, muito mais que os anteriores, o encontro da turma de engenharia, de 1968. São engenheiros eletricistas e mecânicos, que trabalharam nas mais importantes empresas brasileiras. A alegria que fazia o encontro mais feliz é que neste novembro a Unifei celebra seu centenário de fundação.
Fundada em 1913, por Teodomiro Carneiro Santiago, teve em seu início grandes dificuldades. Contudo, Teodomiro C. Santiago era um visionário e empreendedor. Seu ideal era criar uma escola para a formação de engenheiros mecânicos e eletricistas, em um modelo avançado em que se unia a teoria do ensino à prática dos conhecimentos. Este argumento lhe chegou a partir do pensamento de Augusto Comte: " É mister relacionar a sabedoria teórica com ...a prática". Também, do lema extraido da frase "Res non verba" ( fatos, não palavras) do general francês Lázaro Hoche, Teodomiro Santiago compôs sua frase memorável:" Revelemo-nos mais por atos que por palavras, dignos de possuir este grande país".
Em 1912, viajou a Europa e Estados Unidos para estudar os novos métodos de ensino tecnico, adquirir equipamentos para os laboratórios e contratar professores para a futura instituição de ensino superior. Os primeiros professores foram Dr. Armand Bertholet, Dr. ArthurTolbecq e Victor Van- Helleputt. Seguiram-se a estes os Drs. Fritz Hoffmann e Arthur Spirg. Os primeiros holandeses e suíços e, posteriormente, o francês Dr. Pierre François Objois.
Em 23 de novembro de 1913, o IEMI - Instituto Eletro- Mecânico de Itajubá - foi criado tendo as presenças ilustres do então Presidente da República Hermes da Fonseca, de Wenceslau Pereira Gomes, vice- presidente do Brasil, autoridades locais, professores e alunos.
A primeira turma de apenas dezesseis ( 16) alunos formou-se em 1917.
A Unifei que começara como IEMI prosseguiu como IEI - Instituto Eletrotecnico de Itajubá, EFEI - Escola Federal de Engenharia de Itajubá e finalmente, UNIFEI Universidade Federal de Itajubá. Como tal, vem-se expandindo admiravelmente em suas instalações, cursos e número de alunos.
São muitos os nomes de ex- alunos que engrandeceram esta instituição de ensino, exercendo altos cargos em grandes empresas; infelizmente, porém, encontramos alguns que se deixaram levar pelo poder e pela sedução de enriquecimento fácil e ilícito. Alguns desses passaram pelo vexame de chorar em rede nacional e desculpar-se por perjúrio e envolver- se em corrupção; outro encarou uma um confronto em CPI, mais alguns que se tornaram executivos de empresas estatais, foram questionados por roubarem dinheiro público. Perderam o emprego na empresa lesada mas foram relocados em outra estatal. Um triste modelo que se repete num país onde muitos já perderam a vergonha. Poucos estão até hoje lavando o dinheiro, através da compra de imóveis, em condomínios de alto padrão ou, de tempos em tempos, buscam parte da fortuna depositada em paraísos fiscais. Há quem mudou-se para o Nordeste de modo a não ser questionado, aqui em Campinas onde muitos ex- colegas e ex- amigos ficariam espantados com tamanha fortuna adquirida como passe de mágica. Lá, bem longe, talvez sejam reconhecidos apenas como herdeiros do Rei Midas! Estejam esses certos de que todo mundo sabe de onde vem seu dinheiro sujo.
Dentre os ilustres lembramos o engenheiro Aureliano Chaves de Mendonça que foi vice- presidente do Brasil, Joel Rennó - ex- presidente da Petrobrás; os ilustres professores José Rodrigues Seabra, Richard Bran, Antonio Rodrigues de Oliveira, Pedro Mendes e muitos outros.
Teodomiro C. Santiago faleceu em 1936, no Rio de Janeiro.
É um consolo para os justos e honestos contemplarem a vida de pessoas como Teodomiro C. Santiago. Com ideais elevados que, como nós outros, trabalhou para o bem de muitos, exerceu sua capacidade intelectual e não apenas cuidou de roubar o dinheiro público, como alguns colegas dessa formidável turma de 1968.
Fundada em 1913, por Teodomiro Carneiro Santiago, teve em seu início grandes dificuldades. Contudo, Teodomiro C. Santiago era um visionário e empreendedor. Seu ideal era criar uma escola para a formação de engenheiros mecânicos e eletricistas, em um modelo avançado em que se unia a teoria do ensino à prática dos conhecimentos. Este argumento lhe chegou a partir do pensamento de Augusto Comte: " É mister relacionar a sabedoria teórica com ...a prática". Também, do lema extraido da frase "Res non verba" ( fatos, não palavras) do general francês Lázaro Hoche, Teodomiro Santiago compôs sua frase memorável:" Revelemo-nos mais por atos que por palavras, dignos de possuir este grande país".
Em 1912, viajou a Europa e Estados Unidos para estudar os novos métodos de ensino tecnico, adquirir equipamentos para os laboratórios e contratar professores para a futura instituição de ensino superior. Os primeiros professores foram Dr. Armand Bertholet, Dr. ArthurTolbecq e Victor Van- Helleputt. Seguiram-se a estes os Drs. Fritz Hoffmann e Arthur Spirg. Os primeiros holandeses e suíços e, posteriormente, o francês Dr. Pierre François Objois.
Em 23 de novembro de 1913, o IEMI - Instituto Eletro- Mecânico de Itajubá - foi criado tendo as presenças ilustres do então Presidente da República Hermes da Fonseca, de Wenceslau Pereira Gomes, vice- presidente do Brasil, autoridades locais, professores e alunos.
A primeira turma de apenas dezesseis ( 16) alunos formou-se em 1917.
A Unifei que começara como IEMI prosseguiu como IEI - Instituto Eletrotecnico de Itajubá, EFEI - Escola Federal de Engenharia de Itajubá e finalmente, UNIFEI Universidade Federal de Itajubá. Como tal, vem-se expandindo admiravelmente em suas instalações, cursos e número de alunos.
São muitos os nomes de ex- alunos que engrandeceram esta instituição de ensino, exercendo altos cargos em grandes empresas; infelizmente, porém, encontramos alguns que se deixaram levar pelo poder e pela sedução de enriquecimento fácil e ilícito. Alguns desses passaram pelo vexame de chorar em rede nacional e desculpar-se por perjúrio e envolver- se em corrupção; outro encarou uma um confronto em CPI, mais alguns que se tornaram executivos de empresas estatais, foram questionados por roubarem dinheiro público. Perderam o emprego na empresa lesada mas foram relocados em outra estatal. Um triste modelo que se repete num país onde muitos já perderam a vergonha. Poucos estão até hoje lavando o dinheiro, através da compra de imóveis, em condomínios de alto padrão ou, de tempos em tempos, buscam parte da fortuna depositada em paraísos fiscais. Há quem mudou-se para o Nordeste de modo a não ser questionado, aqui em Campinas onde muitos ex- colegas e ex- amigos ficariam espantados com tamanha fortuna adquirida como passe de mágica. Lá, bem longe, talvez sejam reconhecidos apenas como herdeiros do Rei Midas! Estejam esses certos de que todo mundo sabe de onde vem seu dinheiro sujo.
Dentre os ilustres lembramos o engenheiro Aureliano Chaves de Mendonça que foi vice- presidente do Brasil, Joel Rennó - ex- presidente da Petrobrás; os ilustres professores José Rodrigues Seabra, Richard Bran, Antonio Rodrigues de Oliveira, Pedro Mendes e muitos outros.
Teodomiro C. Santiago faleceu em 1936, no Rio de Janeiro.
É um consolo para os justos e honestos contemplarem a vida de pessoas como Teodomiro C. Santiago. Com ideais elevados que, como nós outros, trabalhou para o bem de muitos, exerceu sua capacidade intelectual e não apenas cuidou de roubar o dinheiro público, como alguns colegas dessa formidável turma de 1968.
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Do Silêncio e da Meditação
Faz muitos anos que pratico a meditação, apesar de este hábito saudável ter sido por mim negligenciado. Eu me acostumara ao silêncio planejado, pois a oração - diálogo com Deus - é minha meta maior, senão a única. Não era fácil proporcionar - me a quietude do ambiente externo; muito mais difícil silenciar- me os pensamentos. Tinha o hábito de sentar-me confortavelmente em uma poltrona ou no chão, sobre um pequeno tapete. Colocava melodia adequada - quase sempre música clássica, de andamento suave - ou eu mesma cantarolava uns mantras ocidentalizados. Seguia a técnica das respirações conscientes, profundas e pausadas e a consciência de meu corpo, no espaço. Na respiração me concentrava e meus sentidos se acalmavam. A imaginação sempre teve papel importante em minha meditação. No entanto, é de suma importância gerenciar esta " louca da casa". Aprendera que a imaginação é a força da força de vontade. O Mestre Jesus Cristo já dissera e quase me esquecera de que nossos desejos devem ser visualizados e, nesta constatação, já os podemos agradecer porque os veremos concretizados. Eu gastava algumas horas neste silêncio e mergulhava no meu "eu" mais profundo. Resgatava o melhor de mim mesma, deletava mágoas e frustrações e pairava na paz, longe da insensatez do mundo. Contudo, esse método de usar muito a imaginação pode ser como uma faca de dois gumes, pois nem sempre o que sonhamos é bom para nós. Eu derrubava com muito custo, todos os rumores de fora e maior trabalho era fechar as portas do corpo e domar a vozearia da mente. Só este era meu caminho para o silêncio, onde encontrava a paz que eu buscava. Era meu estado de plenitude, como feto no útero. Voltava, vagarosamente, para o mundo das tarefas empíricas, quase sempre estressantes. Depois, descobri outras maneiras de encontrar o silêncio e atingir o equilíbrio de corpo - mente - espírito sem aquele ritual disciplinado, meio passivo.
Agora, uso mais a meditação ativa, caminhando junto à natureza, margeando um riacho, embalada pelo rumorejar da água entre as pedras e silenciando a mente na sinfonia de pios e chilreios ou entre lagartas insolentes, no meu pequeno jardim.
Há quem esvazie a mente pedalando ou nadando; correndo ou limpando a casa; bordando até cozinhando. A meditação ativa, escolhida e prazerosa também nos leva ao silêncio; o corpo pode estar cansado, mas a mente e o espírito estarão em paz.
Enfim, nada que os orientais, os índios ou qualquer cultura primitiva já não praticassem.
Agora, uso mais a meditação ativa, caminhando junto à natureza, margeando um riacho, embalada pelo rumorejar da água entre as pedras e silenciando a mente na sinfonia de pios e chilreios ou entre lagartas insolentes, no meu pequeno jardim.
Há quem esvazie a mente pedalando ou nadando; correndo ou limpando a casa; bordando até cozinhando. A meditação ativa, escolhida e prazerosa também nos leva ao silêncio; o corpo pode estar cansado, mas a mente e o espírito estarão em paz.
Enfim, nada que os orientais, os índios ou qualquer cultura primitiva já não praticassem.
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