Amada Língua Portuguesa
Amo nossa língua - mãe:
" Última flor do Lácio, inculta e bela."
Razão de ler e escrever vejo nela
e de ouvir cantar uma canção popular:
- " gosto de sentir minha língua roçar
a língua de Luis de Camões."
Gosto de eu mesma falar:
-" Eu te amo, minha mãezinha!"
E saber o que é sentir saudade,
que não é memória nem piedade,
que é ter o coração partido,
na partida de um grande amor!
Amo-te, língua de Amália e Saramago,
nas rimas de Pessoa, que nunca destoa,
neste mundo desconstruido,
essa Babel das letras!
O poeta diz, num suspiro profundo:
-" Tenho em mim
todosos sonhos do mundo!"
Amo-te, nos versos de Drummond,
nos contos de Machado
e nos achados de Rosa.
Amo-te língua do mar,
do passado, de hoje e do futuro,
impregnada de nostalgia,
embalada nos fados, noite e dia,
brilhando n'América e n'África, afinal,
n'Ásia e na Europa, com Portugal...
Nunca será demais de ti zelar,
em prosa e verso em ti me expressar,
como n'Odeão de Atenas!
Esta é minha singela homenagem aos oito séculos da oficialidade da língua portuguesa, cujas comemorações finalizaram-se neste junho próximo passado.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
sábado, 23 de maio de 2015
O Tempo é Vida
Andei muito, muito tempo envolvida com politicagem, da feia, da grossa; daquela pseudo-política que machuca; deixei o tempo escapar pelo vão dos dedos.
Andei mais um bocado de tempo a matutar sobre o verdadeiro ton de azul dos olhos de vovô Maneco e se os olhos de minha mãe eram azuis ou verdes...
Gastei horas com as coisas de fora, coisas sem valor, quase bobagens mesmo. Um bom feixe de horas foi investido matando lagartas que teimam em matar meu manacá - de novo! Quando dei por mim, já era fim de abril e eu lutando contra artrite com armas pouco convencionais: fingia que não sentia dores, mas estas arranhavam-me os olhos e o couro cabeludo; apertavam todas as articulações e a irritação do sono só de pesadelos fez-me irritada e chata...
Não conseguia ler nem escrever nem conversar eu queria. Para completar, a gripe gritou exigindo seu tempo de atuação. Nesse quadro de negação total de dias normais, não percebia o dourado do sol beijando as ramagens nem a leveza da trepadeira, carregada do carmim das rosinhas minúsculas. Não me entretinha com o canto do sabiá, não pendurava banana para o sanhaço, não falava mais com beija- flores. Era como se tudo tivesse saido do seu contexto: sem cor, sem som, sem encanto - tudo apagado pela dor física e pelo lixo emocional que eu deixara acumular em meu espírito e ruminava nos momentos de puro silêncio. Era a violência, a corrupção, a roubalheira, a hipocrisia e o cinismo de muitos. Era uma pátria à deriva, sem comandante, sem rumo!.
E o Tempo continuou girando, porque ele, o Tempo, faz seu serviço sem parar.
Foi então que percebi que meus encontros comigo mesma, minhas conversas com meu Mestre e Senhor estavam muito contaminadas. Eu poderia ter pensado tudo o que pensei, sofrido todo o pequeno - grande sofrimento que sofri de modo muito mais suave e produtivo se tivesse ido ao encontro d'Ele em profundidade e entrega. Mas ainda tinha tempo. Voltei a minha capela interior. Ali, o tempo parou. No silêncio de meu coração, acendeu-se a Luz! Sosseguei o espírito no Espírito e a paz escorria em alegria que penetrou cada poro de meu corpo...O Senhor me ensinou que nosso tempo é precioso. Não é para vivermos na correria, na agitação. Também não deixar o tempo esvair-se como o sangue que sai de ferida mal cuidada. O tempo deve ser acariciado com bela música, boa leitura, com amigos, com as minhas crianças. Sobretudo aos pés do Senhor, devo viver o meu precioso tempo!
Saindo da capela interior, estou tomando umas coisinhas para artrite, outras coisinhas para o resfriado e a vida está entrando de novo nos trilhos. Hoje, já matei lagartas arrogantes, reguei plantas sedentas e lacrimosas; cuidei do sanhaço e sondei o beija-flor que não veio. Mas sei que virá.
Vi que o tempo gira e gira muito depressa, sobretudo se não estamos construindo na paz que vem de Deus. E, se o tempo gira e nada se faz nele é vida que se perde. E vida perdida gera aquele olhar de zumbi que ve tudo sem cor e sem sentido. Estou feliz; voltei à vida!
Andei mais um bocado de tempo a matutar sobre o verdadeiro ton de azul dos olhos de vovô Maneco e se os olhos de minha mãe eram azuis ou verdes...
Gastei horas com as coisas de fora, coisas sem valor, quase bobagens mesmo. Um bom feixe de horas foi investido matando lagartas que teimam em matar meu manacá - de novo! Quando dei por mim, já era fim de abril e eu lutando contra artrite com armas pouco convencionais: fingia que não sentia dores, mas estas arranhavam-me os olhos e o couro cabeludo; apertavam todas as articulações e a irritação do sono só de pesadelos fez-me irritada e chata...
Não conseguia ler nem escrever nem conversar eu queria. Para completar, a gripe gritou exigindo seu tempo de atuação. Nesse quadro de negação total de dias normais, não percebia o dourado do sol beijando as ramagens nem a leveza da trepadeira, carregada do carmim das rosinhas minúsculas. Não me entretinha com o canto do sabiá, não pendurava banana para o sanhaço, não falava mais com beija- flores. Era como se tudo tivesse saido do seu contexto: sem cor, sem som, sem encanto - tudo apagado pela dor física e pelo lixo emocional que eu deixara acumular em meu espírito e ruminava nos momentos de puro silêncio. Era a violência, a corrupção, a roubalheira, a hipocrisia e o cinismo de muitos. Era uma pátria à deriva, sem comandante, sem rumo!.
E o Tempo continuou girando, porque ele, o Tempo, faz seu serviço sem parar.
Foi então que percebi que meus encontros comigo mesma, minhas conversas com meu Mestre e Senhor estavam muito contaminadas. Eu poderia ter pensado tudo o que pensei, sofrido todo o pequeno - grande sofrimento que sofri de modo muito mais suave e produtivo se tivesse ido ao encontro d'Ele em profundidade e entrega. Mas ainda tinha tempo. Voltei a minha capela interior. Ali, o tempo parou. No silêncio de meu coração, acendeu-se a Luz! Sosseguei o espírito no Espírito e a paz escorria em alegria que penetrou cada poro de meu corpo...O Senhor me ensinou que nosso tempo é precioso. Não é para vivermos na correria, na agitação. Também não deixar o tempo esvair-se como o sangue que sai de ferida mal cuidada. O tempo deve ser acariciado com bela música, boa leitura, com amigos, com as minhas crianças. Sobretudo aos pés do Senhor, devo viver o meu precioso tempo!
Saindo da capela interior, estou tomando umas coisinhas para artrite, outras coisinhas para o resfriado e a vida está entrando de novo nos trilhos. Hoje, já matei lagartas arrogantes, reguei plantas sedentas e lacrimosas; cuidei do sanhaço e sondei o beija-flor que não veio. Mas sei que virá.
Vi que o tempo gira e gira muito depressa, sobretudo se não estamos construindo na paz que vem de Deus. E, se o tempo gira e nada se faz nele é vida que se perde. E vida perdida gera aquele olhar de zumbi que ve tudo sem cor e sem sentido. Estou feliz; voltei à vida!
domingo, 12 de abril de 2015
Bárbara Heliodora
Como vimos e ouvimos em muitos veículos de comunicação, a escritora, crítica de arte e professora - talvez com outros títulos mais - Bárbara Heliodora falecera nestes recentes dias passados, aos 91 anos bem vividos. O destaque para sua eficiência nas profissões que escolhera fora do rigor na pesquisa exata, na profundidade e sinceridade de seus comentários ou avaliações, sobretudo como crítica de arte, derrubando alguns espetáculos e levantando uns poucos. Ouvi que muitos atores e diretores ficavam estressados com sua presença na plateia. Outros a observavam durante a apresentação tentando, de antemão, saber se ela tinha gostado ou não do espetáculo.
Enfim, levou consigo muitos elogios e suas obras e seus conhecimentos, sobretudo sua total admiração pelo grande W. Shakespeare.
Não conheci muitas Bárbaras na minha vida; apenas a filha de uma amiga e a nora de outra. Ambas muito bonitas. No entanto, o composto Bárbara Heliodora, só conheci esta senhora, nunca, porém, pessoalmente...Só que, ao saber de seu passamento, uma tristeza profunda abraçou minha emoção e logo percebi que tal sentimento era destinado à outra Bárbara Heliodora.
Refiro-me a Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, poetisa e amada esposa de Inácio José de Alvarenga Peixoto - um dos participantes da Inconfidência Mineira. Prefiro lembrá-la apenas como Bárbara Heliodora, mulher forte, de espírito artístico e grande incentivadora do marido e, inspiradora do movimento dos inconfidentes. Mãe de tres filhos, teve a maior dor pelo falecimento de uma filha e a tristeza de ver o esposo, Alvarenga Peixoto, preso e condenado ao degredo perpétuo em Angola, na África, onde faleceu.
Observando um retrato de Bárbara Heliodora, em óleo sobre tela, encontrado nos porões da antiga Fazenda Boa Vista, em São Gonçalo do Sapucaí - no Sul de Minas - vejo que era muito bonita, de feições delicadas e elegância no vestir. Sofreu ainda o que, segundo o escritor Alberto Carlos da Rocha - difamação da Corte para anular a escritura de venda de alguns imóveis que lhe teriam sobrado: ela foi declarada demente.
Continuou trabalhando na agricultura e mineração, nas cidades de Campanha e São Gonçalo do Sapucaí. Sua produção literária foi muito reduzida. Lembrada pela poetisa Cecília Meireles, surge no poema " De Dona Bárbara Eliodora" que integra o seu Romanceiro da Inconfidência.
Nascida em 1759, na cidade mineira de São João del- Rei, faleceu em São Gonçalo do Sapucaí, em 1819, sendo enterrada na Igreja Matriz, desta cidade.
Duas grandes "Bárbara Heliodora"- dois destinos completamente diferentes. Apenas especulo se a mãe desta última Heliodora ( que disseram o Bábara ser apenas pseudônimo) - não pensara na Heroína da Inconfidência para lhe dar este nome tão forte.
Confesso que o desbotado de meus olhos cansados se lavaram em lágrimas de compaixão pela mãe e esposa, farta de injustiça, que veio a ser ferida de morte ao separar-se de seus queridos. Muito triste! Ainda não assimilei bem o drama desta família e daquelas dos outros inconfidentes, ainda mais que celebraremos neste 21 próximo, a horrível morte de Tiradentes. Temos muito para refletir!
Enfim, levou consigo muitos elogios e suas obras e seus conhecimentos, sobretudo sua total admiração pelo grande W. Shakespeare.
Não conheci muitas Bárbaras na minha vida; apenas a filha de uma amiga e a nora de outra. Ambas muito bonitas. No entanto, o composto Bárbara Heliodora, só conheci esta senhora, nunca, porém, pessoalmente...Só que, ao saber de seu passamento, uma tristeza profunda abraçou minha emoção e logo percebi que tal sentimento era destinado à outra Bárbara Heliodora.
Refiro-me a Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, poetisa e amada esposa de Inácio José de Alvarenga Peixoto - um dos participantes da Inconfidência Mineira. Prefiro lembrá-la apenas como Bárbara Heliodora, mulher forte, de espírito artístico e grande incentivadora do marido e, inspiradora do movimento dos inconfidentes. Mãe de tres filhos, teve a maior dor pelo falecimento de uma filha e a tristeza de ver o esposo, Alvarenga Peixoto, preso e condenado ao degredo perpétuo em Angola, na África, onde faleceu.
Observando um retrato de Bárbara Heliodora, em óleo sobre tela, encontrado nos porões da antiga Fazenda Boa Vista, em São Gonçalo do Sapucaí - no Sul de Minas - vejo que era muito bonita, de feições delicadas e elegância no vestir. Sofreu ainda o que, segundo o escritor Alberto Carlos da Rocha - difamação da Corte para anular a escritura de venda de alguns imóveis que lhe teriam sobrado: ela foi declarada demente.
Continuou trabalhando na agricultura e mineração, nas cidades de Campanha e São Gonçalo do Sapucaí. Sua produção literária foi muito reduzida. Lembrada pela poetisa Cecília Meireles, surge no poema " De Dona Bárbara Eliodora" que integra o seu Romanceiro da Inconfidência.
Nascida em 1759, na cidade mineira de São João del- Rei, faleceu em São Gonçalo do Sapucaí, em 1819, sendo enterrada na Igreja Matriz, desta cidade.
Duas grandes "Bárbara Heliodora"- dois destinos completamente diferentes. Apenas especulo se a mãe desta última Heliodora ( que disseram o Bábara ser apenas pseudônimo) - não pensara na Heroína da Inconfidência para lhe dar este nome tão forte.
Confesso que o desbotado de meus olhos cansados se lavaram em lágrimas de compaixão pela mãe e esposa, farta de injustiça, que veio a ser ferida de morte ao separar-se de seus queridos. Muito triste! Ainda não assimilei bem o drama desta família e daquelas dos outros inconfidentes, ainda mais que celebraremos neste 21 próximo, a horrível morte de Tiradentes. Temos muito para refletir!
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Imorredoura Saudade
Homenagem a Itajubá que aniversaria em 19 de março
Quando eu aqui vivi, querida Itajubá,
dançavas ao som das fanfarras,
cantavas nos pios de pardais
e na algazarra de cigarras, agarradas
às mangueiras da casa rosada
do saudoso Presidente,
na melancolia das tardes de outono...
Chamavas e choravas na cadência
dos sinos das igrejas...
Quando me separei de ti, Itajubá,
minhas retinas feri, na rotina itinerante
de buscar o azul exuberante
da Mantiqueira
e a sonolência do Sapucaí, serpeando
entre chorões e guanxumas...
Coisas que a vida já não me traz.
Meu sonho hoje se compraz
nesta robusta tristura, que triunfa
aninhada no relicário de meu coração:
noites geladas, névoa na montanha,
prosa alegre, pastel de milho, pinhão...
Então, voltei, Itajubá.
No Santuário da Virgem d'Agonia,
extática orei, em tamanha euforia!
Era o céu unido à terra,
o casario, o rio e a serra.
Tudo envolto no dourado do sol,
criando em mim,
imorredoura saudade!
Quando eu aqui vivi, querida Itajubá,
dançavas ao som das fanfarras,
cantavas nos pios de pardais
e na algazarra de cigarras, agarradas
às mangueiras da casa rosada
do saudoso Presidente,
na melancolia das tardes de outono...
Chamavas e choravas na cadência
dos sinos das igrejas...
Quando me separei de ti, Itajubá,
minhas retinas feri, na rotina itinerante
de buscar o azul exuberante
da Mantiqueira
e a sonolência do Sapucaí, serpeando
entre chorões e guanxumas...
Coisas que a vida já não me traz.
Meu sonho hoje se compraz
nesta robusta tristura, que triunfa
aninhada no relicário de meu coração:
noites geladas, névoa na montanha,
prosa alegre, pastel de milho, pinhão...
Então, voltei, Itajubá.
No Santuário da Virgem d'Agonia,
extática orei, em tamanha euforia!
Era o céu unido à terra,
o casario, o rio e a serra.
Tudo envolto no dourado do sol,
criando em mim,
imorredoura saudade!
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terça-feira, 3 de março de 2015
Tempos Sombrios
Há uns dois anos, aproximadamente, minha afilhada do sertão mineiro, vindo visitar-me contou-me de seu entusiasmo ao ler " Cinquenta Tons de Cinza" - de E. L. James, pseudônimo de Erika Leonard James. Tentando entender seu entusiasmo, quis saber sobre do que se tratava. No entanto, minha afilhada, apesar de seus trinta e dois anos e um diploma universitário, disse sentir- se constrangida ao falar sobre o assunto. Desconversou quando lhe pedi o tal livro emprestado. Fiquei a imaginar e ri com meus botões refletindo sobre o pudor, talvez um respeito exagerado por mim. Não dei muita atenção ao fato, porque tenho verdadeira pilha de bons livros a serem lidos ou relidos. Pois costumo revisitar Teillard de Chardin, Tolstoi, Victor Frankl, Drummond, João Cabral de Melo Neto, a Bíblia e tantos outros cuja digestão me alimenta a alma e me faz mais forte.
O tempo seguiu seu curso e naqueles dias de fevereiro, durante o carnaval, me surpreendi, vendo em um canal de TV, uma verdadeira turba, que se apertava na porta de uma sala de cinema, onde assistiriam ao " 50 Tons de Cinza" agora, feito filme. Ali, percebi senhoras de meia idade e jovens; algumas com seus companheiros, maridos, namoridos ou namorados, outras muitas sós. Estampavam ares de vitória, transgressão ou certo recato. Acendeu-me a curiosidade. Afinal, minha afilhada é interiorana, mas esta turba era de São Paulo! Tinha ouvido que a senhora James estava rica com a venda de tantos exemplares. E, vendo a aceitação de sua obra, escrevera mais dois volumes - dando a um deles o " ton negro" e ao terceiro um clima de liberdade.
Fui ao cinema sem expectativa alguma. Vi senhoras, na casa dos sessenta ou setenta, eufóricas, com seu pote de pipocas e seu copo de refrigerante, cada uma, como adolescentes, naquelas filas, nos anos sessenta, lá no Sul de Minas! E se juntavam, gesticulando muito, rindo, falando alto...Foi com muita paciência que eu e meu marido conseguimos comprar nossos ingressos. Temos uma rotina semanal de ir ao cinema e, quase sempre, as salas estão bem vazias. Naquele dia, foi difícil conseguirmos duas cadeiras juntas.
O filme, para nós, foi muito fraco. Não era história romântica, não era pornografia nem drama. Bom, era a filmagem de cenas sadomasoquistas. Não sou cineasta nem crítica de arte. Falo só do que senti e percebi. A diretora, Sam Taylor Johson ( mesmo sobrenome da protagonista Dakota Johnson) não conseguiu passar-me verossimilhança em cena alguma. Aliás, pode ser que tenha seguido à risca o que a autora escrevera...
Ali, durante o filme, eu esperava que " algo" muito especial acontecesse, que justificasse o sucesso do livro. E me irritava com meus próprios questionamentos: estamos no século 21; a jovem é de último ano de universidade...Ser virgem vá lá. Mas não ter " ficado" com alguns garotos, nas festinhas que sempre rolam naquelas faculdades!? A moça tinha cara de caipira - certo me dirão - era o jeito de sua personagem. Mas não é isso que questiono; minha questão é que não se juntam:- uma moça assim, bem ingênua, ir aceitando as investidas do bonitão, sem mais nem menos. Não conseguiria ler este livro. Não pelas taras que apresenta, mas porque trata seus leitores como idiotas! Já vi historinhas em que a moça é atropelada por um milionário e logo ao ser socorrida se apaixona por ele. Depois, o magnata vai visitá-la no hospital e daí ao casamento é meio capítulo ou duas páginas. Tem algo a ver com aquela baboseira dos vampiros bonzinhos - Crepúsculo, Amanhecer etc e tal. O filme foi cansativo, chato mesmo. E poderão pensar que eu desejasse ver mais cenas de desvios sexuais. Não. Penso que trabalharam mal mesmo. Problema de direção ou do conteúdo do livro.
Fico a pensar do que E.L. James vai encher seus livros. Os tons mais escuros do segundo volume vão-se aprofundar nas práticas sadomasoquistas. Se a moda pega, veremos a euforia de livros versando sobre pedofilia - mesmo neste filme ( que retrata o livro ) ouvimos que o senhor Grey foi abusado desde os 15 anos até adulto por uma amiga da mãe. Recordo-me de um filme em que Michele Pfeiffer é uma como prostituta da Corte, encomendada pela mãe do jovem para introduzí-lo nos mistérios do sexo. Mas, sem taras. Lembro-me também de que o livro Lolita, andava pelas mãos das adolescentes, minhas colegas de classe mais levadas, logicamente escondido dos pais e das freiras do colégio. Algumas delas não terminaram o curso colegial - engravidaram-se e se casaram. Nós, sim, naquele tempo, éramos bobinhas e casávamos virgens. Algumas, mais libertas, avançavam o sinal. Seria lá atrás o golpe da barriga?
Não pretendo ler estes dois volumes que engordarão os cofres da senhora James. E, se for a mesma diretora a realizar os filmes e esses dois atores, seria perda de tempo tentar conferir. Dizem que Sam Taylor, a diretora, foi criada numa comunidade hippie e a mãe era divorciada. Hoje, muitos filhos pequenos tem pais separados,sem problemas. Mas, morar em comunidade hippie já é outra coisa. Hoje, com filhos adolescentes, tem um marido 27 anos mais jovem que ela. Será isso ou eu entendi errado?
Creio mesmo é que vivemos Tempos Sombrios: nem pretos nem brancos. Tempos sujos pela confusão e maldade. Tempos escuros, em que as taras, em vez de serem assunto de clínicas psiquiátricas se tornam papos de salas - de - visitas. E muitos jovens alienados pensam que, se não lerem estas estorinhas estarão fora do sistema! Logo pensarão em praticar tais desvios em seus relacionamentos, um tanto desgastados pelo pouco investimento mútuo. Outros, pela frustração do sexo feito apenas em quarto escuro sob as cobertas ou nem isso...E o amor? Onde andará o amor? O tal Grey foi logo falando que com ele não haveria amor. Foi sincero. E a mocinha - universitária do século 21- foi cegamente se entregando sem amor (!?). Se ao menos o perfil dela fosse de uma devassa! Eu, pelo que vejo hoje, ela até poderia ir de olhos bem abertos na fortuna do cidadão.
Tempos tristes os de hoje. Sujos como água barrenta, por isso, Tempos Sombrios!
O tempo seguiu seu curso e naqueles dias de fevereiro, durante o carnaval, me surpreendi, vendo em um canal de TV, uma verdadeira turba, que se apertava na porta de uma sala de cinema, onde assistiriam ao " 50 Tons de Cinza" agora, feito filme. Ali, percebi senhoras de meia idade e jovens; algumas com seus companheiros, maridos, namoridos ou namorados, outras muitas sós. Estampavam ares de vitória, transgressão ou certo recato. Acendeu-me a curiosidade. Afinal, minha afilhada é interiorana, mas esta turba era de São Paulo! Tinha ouvido que a senhora James estava rica com a venda de tantos exemplares. E, vendo a aceitação de sua obra, escrevera mais dois volumes - dando a um deles o " ton negro" e ao terceiro um clima de liberdade.
Fui ao cinema sem expectativa alguma. Vi senhoras, na casa dos sessenta ou setenta, eufóricas, com seu pote de pipocas e seu copo de refrigerante, cada uma, como adolescentes, naquelas filas, nos anos sessenta, lá no Sul de Minas! E se juntavam, gesticulando muito, rindo, falando alto...Foi com muita paciência que eu e meu marido conseguimos comprar nossos ingressos. Temos uma rotina semanal de ir ao cinema e, quase sempre, as salas estão bem vazias. Naquele dia, foi difícil conseguirmos duas cadeiras juntas.
O filme, para nós, foi muito fraco. Não era história romântica, não era pornografia nem drama. Bom, era a filmagem de cenas sadomasoquistas. Não sou cineasta nem crítica de arte. Falo só do que senti e percebi. A diretora, Sam Taylor Johson ( mesmo sobrenome da protagonista Dakota Johnson) não conseguiu passar-me verossimilhança em cena alguma. Aliás, pode ser que tenha seguido à risca o que a autora escrevera...
Ali, durante o filme, eu esperava que " algo" muito especial acontecesse, que justificasse o sucesso do livro. E me irritava com meus próprios questionamentos: estamos no século 21; a jovem é de último ano de universidade...Ser virgem vá lá. Mas não ter " ficado" com alguns garotos, nas festinhas que sempre rolam naquelas faculdades!? A moça tinha cara de caipira - certo me dirão - era o jeito de sua personagem. Mas não é isso que questiono; minha questão é que não se juntam:- uma moça assim, bem ingênua, ir aceitando as investidas do bonitão, sem mais nem menos. Não conseguiria ler este livro. Não pelas taras que apresenta, mas porque trata seus leitores como idiotas! Já vi historinhas em que a moça é atropelada por um milionário e logo ao ser socorrida se apaixona por ele. Depois, o magnata vai visitá-la no hospital e daí ao casamento é meio capítulo ou duas páginas. Tem algo a ver com aquela baboseira dos vampiros bonzinhos - Crepúsculo, Amanhecer etc e tal. O filme foi cansativo, chato mesmo. E poderão pensar que eu desejasse ver mais cenas de desvios sexuais. Não. Penso que trabalharam mal mesmo. Problema de direção ou do conteúdo do livro.
Fico a pensar do que E.L. James vai encher seus livros. Os tons mais escuros do segundo volume vão-se aprofundar nas práticas sadomasoquistas. Se a moda pega, veremos a euforia de livros versando sobre pedofilia - mesmo neste filme ( que retrata o livro ) ouvimos que o senhor Grey foi abusado desde os 15 anos até adulto por uma amiga da mãe. Recordo-me de um filme em que Michele Pfeiffer é uma como prostituta da Corte, encomendada pela mãe do jovem para introduzí-lo nos mistérios do sexo. Mas, sem taras. Lembro-me também de que o livro Lolita, andava pelas mãos das adolescentes, minhas colegas de classe mais levadas, logicamente escondido dos pais e das freiras do colégio. Algumas delas não terminaram o curso colegial - engravidaram-se e se casaram. Nós, sim, naquele tempo, éramos bobinhas e casávamos virgens. Algumas, mais libertas, avançavam o sinal. Seria lá atrás o golpe da barriga?
Não pretendo ler estes dois volumes que engordarão os cofres da senhora James. E, se for a mesma diretora a realizar os filmes e esses dois atores, seria perda de tempo tentar conferir. Dizem que Sam Taylor, a diretora, foi criada numa comunidade hippie e a mãe era divorciada. Hoje, muitos filhos pequenos tem pais separados,sem problemas. Mas, morar em comunidade hippie já é outra coisa. Hoje, com filhos adolescentes, tem um marido 27 anos mais jovem que ela. Será isso ou eu entendi errado?
Creio mesmo é que vivemos Tempos Sombrios: nem pretos nem brancos. Tempos sujos pela confusão e maldade. Tempos escuros, em que as taras, em vez de serem assunto de clínicas psiquiátricas se tornam papos de salas - de - visitas. E muitos jovens alienados pensam que, se não lerem estas estorinhas estarão fora do sistema! Logo pensarão em praticar tais desvios em seus relacionamentos, um tanto desgastados pelo pouco investimento mútuo. Outros, pela frustração do sexo feito apenas em quarto escuro sob as cobertas ou nem isso...E o amor? Onde andará o amor? O tal Grey foi logo falando que com ele não haveria amor. Foi sincero. E a mocinha - universitária do século 21- foi cegamente se entregando sem amor (!?). Se ao menos o perfil dela fosse de uma devassa! Eu, pelo que vejo hoje, ela até poderia ir de olhos bem abertos na fortuna do cidadão.
Tempos tristes os de hoje. Sujos como água barrenta, por isso, Tempos Sombrios!
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Marias, o Neco e divagações
Neste vinte e quatro de janeiro, próximo sábado passado, faleceu a grande atriz Maria Della Costa - encurtamento de um longo e pomposo nome - aos oitenta e nove anos de idade. Bastantes anos, tenho que admitir. Esta Maria levou-me a lembrar outra Maria, muito mais íntima e muito mais amada. Da Maria atriz nem me lembro muito bem. Contudo, ao ouvir de seu falecimento, fui transportada a 1968, quando a Maria, minha mãe muito amada, assistia à novela Beto Rockfeller, da TV Tupi. Como algumas pessoas que conheço, minha mãe levava as novelas a sério. Então, Maria Della Costa vivia uma " socialite " muito rica e linda que se apaixonara por um pobretão inculto, porém charmoso.
A fórmula era a de sempre, só que na maior das vezes o homem é o rico, o príncipe encantado que se apaixona pela mocinha pobre. Às vezes, o primeiro encontro foi quando ele a atropela com seu luxuoso carro. Ela não se machuca, mas acontece a paixão à primeira vista.
Minha mãe ficava ansiosa para ver o próximo capítulo da novela. Falava com as vizinhas como se a personagem Maitê - vivida por Della Costa - fosse real; de carne e osso e se apaixonara pelo garotão sem tostão. Havia uma melodia de fundo, talvez o tema de Maitê e de Luis Gustavo, cujo nome na dita novela não sei agora, devia ser Beto Rockfeller! Penso que era uma música dos Beatles.
Então, desde domingo e ainda hoje, me vi lá em 68, só ouvindo de longe, porque não curto muito novelas, minha saudosa mãe a comentar com meu pai aquela trama toda. E me vieram sentimentos muitos, desde nostalgia ( ah! nossa herança da alma portuguesa!) até uma pitada de remorso por não ter partlhado muito mais meus pensamentos e sentimentos com ela. Coisa que acontece a todos os viventes: depois que sofremos a perda, ruminamos uns "por que?" Por que não a visitei mais vezes? Por que não os levei a viajar? Por que não rimos muito mais? E, mesmo que tenhamos feito o nosso melhor, se temos amor, ainda julgaremos que poderíamos ter feito mais...
Nessas divagações noturnas, perturbadas pelo calor, refleti nas emoções densas que mexeram com muitos de minha casa; sentimentos de negligência, descuido até falta de amor em torno da morte do Neco. Foi uma grande perda apesar de ele ser apenas um simpático e cantante passarinho. Este calopsita estava conosco havia uns oito anos. Viera muito jovem e foi dado como presente para meu marido. Este lhe ensinara assoviar a melodia interpretada por Gal Costa - " Teco- Teco- Teco". Neco a cantava inteira, com os graves e agudos, fazendo toda a sinuosidade que a melodia exigia. Tal registro não acontecera da noite para o dia. Foram muitos meses para ele memorizar a primeira parte e outros tantos meses para gravar a segunda. Depois, emendaram-se as duas partes. E isso era um espanto para quantos o ouviam e viam nessa apresentação. Neco parecia entender que era o centro das atenções. De lambuja dava uns " fiu...fiu!.." Nossos netos se encantavam com aquela avezinha de corpo acinzentado, rabão longo, pontas de asas brancas e penacho com luzes amarelas. Tinha ainda uma pinta rosada abaixo de cada olho. Era bem bonitinho o Neco. Ele conhecia as passadas de meu marido que era quem o alimentava: ração e água fresca a cada manhã. Mal ouvia aquele som, punha-se a piar com insistência. Também era curioso vê-lo agitar-se quando o carro de seu dono entrava em casa. Ontem, aprendi um pouco mais sobre aves e animais em geral. Nós nos deixamos cativar julgando que o bichinho tem sentimentos como os humanos. E sofremos muito além do normal nos cobrando atitudes devidas a eles. Aprendi sobre eles e sobre nós mesmos:..." os poderes canoros e aeronáuticos de um pássaro...são para nós como para eles, o mais sutil dos nossos poderes meramente instintivos".
( Subliminar - como o inconsciente influencia nossas vidas - Leonard Mlodinow). Assim, acalmei minha consciência e não mais me punirei ao lembrar-me de como o gato agarrou e levou o Neco, noite adentro. Para as crianças, inventamos um fim mais civilizado, mais palatável; menos selvagem ou cruel. Elas aceitaram que, ao ser atacado pelo gato, Neco voou para bem longe, onde vive feliz com seus iguais.
Misterioso é que entregamos à eternidade nossos queridos idosos ou doentes e seguimos em frente. E nos apegamos a esta avezinha como se fora uma criança indefesa que chamara por nós sem ser atendida. Este registro é para me convencer de que eu e você não devemos ter pendências emocionais com ninguém, como dizia o Walter, amigo de minha filha. Agora, estou em paz!
A fórmula era a de sempre, só que na maior das vezes o homem é o rico, o príncipe encantado que se apaixona pela mocinha pobre. Às vezes, o primeiro encontro foi quando ele a atropela com seu luxuoso carro. Ela não se machuca, mas acontece a paixão à primeira vista.
Minha mãe ficava ansiosa para ver o próximo capítulo da novela. Falava com as vizinhas como se a personagem Maitê - vivida por Della Costa - fosse real; de carne e osso e se apaixonara pelo garotão sem tostão. Havia uma melodia de fundo, talvez o tema de Maitê e de Luis Gustavo, cujo nome na dita novela não sei agora, devia ser Beto Rockfeller! Penso que era uma música dos Beatles.
Então, desde domingo e ainda hoje, me vi lá em 68, só ouvindo de longe, porque não curto muito novelas, minha saudosa mãe a comentar com meu pai aquela trama toda. E me vieram sentimentos muitos, desde nostalgia ( ah! nossa herança da alma portuguesa!) até uma pitada de remorso por não ter partlhado muito mais meus pensamentos e sentimentos com ela. Coisa que acontece a todos os viventes: depois que sofremos a perda, ruminamos uns "por que?" Por que não a visitei mais vezes? Por que não os levei a viajar? Por que não rimos muito mais? E, mesmo que tenhamos feito o nosso melhor, se temos amor, ainda julgaremos que poderíamos ter feito mais...
Nessas divagações noturnas, perturbadas pelo calor, refleti nas emoções densas que mexeram com muitos de minha casa; sentimentos de negligência, descuido até falta de amor em torno da morte do Neco. Foi uma grande perda apesar de ele ser apenas um simpático e cantante passarinho. Este calopsita estava conosco havia uns oito anos. Viera muito jovem e foi dado como presente para meu marido. Este lhe ensinara assoviar a melodia interpretada por Gal Costa - " Teco- Teco- Teco". Neco a cantava inteira, com os graves e agudos, fazendo toda a sinuosidade que a melodia exigia. Tal registro não acontecera da noite para o dia. Foram muitos meses para ele memorizar a primeira parte e outros tantos meses para gravar a segunda. Depois, emendaram-se as duas partes. E isso era um espanto para quantos o ouviam e viam nessa apresentação. Neco parecia entender que era o centro das atenções. De lambuja dava uns " fiu...fiu!.." Nossos netos se encantavam com aquela avezinha de corpo acinzentado, rabão longo, pontas de asas brancas e penacho com luzes amarelas. Tinha ainda uma pinta rosada abaixo de cada olho. Era bem bonitinho o Neco. Ele conhecia as passadas de meu marido que era quem o alimentava: ração e água fresca a cada manhã. Mal ouvia aquele som, punha-se a piar com insistência. Também era curioso vê-lo agitar-se quando o carro de seu dono entrava em casa. Ontem, aprendi um pouco mais sobre aves e animais em geral. Nós nos deixamos cativar julgando que o bichinho tem sentimentos como os humanos. E sofremos muito além do normal nos cobrando atitudes devidas a eles. Aprendi sobre eles e sobre nós mesmos:..." os poderes canoros e aeronáuticos de um pássaro...são para nós como para eles, o mais sutil dos nossos poderes meramente instintivos".
( Subliminar - como o inconsciente influencia nossas vidas - Leonard Mlodinow). Assim, acalmei minha consciência e não mais me punirei ao lembrar-me de como o gato agarrou e levou o Neco, noite adentro. Para as crianças, inventamos um fim mais civilizado, mais palatável; menos selvagem ou cruel. Elas aceitaram que, ao ser atacado pelo gato, Neco voou para bem longe, onde vive feliz com seus iguais.
Misterioso é que entregamos à eternidade nossos queridos idosos ou doentes e seguimos em frente. E nos apegamos a esta avezinha como se fora uma criança indefesa que chamara por nós sem ser atendida. Este registro é para me convencer de que eu e você não devemos ter pendências emocionais com ninguém, como dizia o Walter, amigo de minha filha. Agora, estou em paz!
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Da Liberdade
Aprendi, desde muito criança, que somos seres livres. Temos, portanto, liberdade de escolha, livre arbítrio. Em tese, posso dispor de mim mesma. Aprendi também que essa liberdade sofre restrições quando eu limito o direito do outro.
Com todo o susto e muitos questionamentos, vi o ataque à revista "Charlie Hebdo"que, tristemente resultou em doze mortes, de seus principais caricaturistas. Reflito como pessoa comum, sem muito conhecimento sobre o conteúdo das charges que faziam. Ouço que eles se diziam ateus e no direito de blasfemar. Sim, quem em nada acredita pode zombar de tudo e de todos, à vontade. Também li que, pelo menos um líder islâmico, lhes dissera que tais zombarias poderiam causar ira aos fiéis seguidores de Maomé.
Hoje mesmo, li de um cronista da Folha de S. Paulo, que ter respeito por alguém não é coisa boa. E que não se deveria pôr um "mas" nas atitudes dos caricaturistas, ao se refletir se eles não exageraram em suas críticas ao modo de agir islâmico. Justificaram-se que o deboche costumeiro e contundente era endereçado também aos católicos e autoridades. Era o exercício da liberdade. Contudo, se estavam causando constrangimento e tristeza a outros, que os deixassem em paz.
Lembro-me ainda daqueles tais de " rolezinhos" que aconteceram em fins de 2013. Creio que não existem mais por força de alguma lei regularizadora. Não sou racista nem preconceituosa. Pessoas pobres e negras, bem ou mal - vestidas, podem e devem ir aos shoppings mesmo só para passear. Muitas vezes, tem dinheiro apenas para um sorvete de casquinha, do mais barato. E sabemos que tudo naqueles lugares é muito caro. No Brasil tudo é caro! Não são apenas os pobres que gostam de passear em grandes centros comerciais. Ali há maior segurança - neste Brasil, onde a cada dia se ouve mais de assaltos e mortes, por um quase nada - e o ambiente é mais fresco, neste verão incandescente.
Só que não vejo desculpa para duzentos jovens ( algumas vezes até muito mais) entrarem em alvoroço, todos juntos cantando música funk de ostentação (imagine o que é isso) - andando até correndo naqueles corredores estreitos; subindo e descendo escadas, fixas e rolantes, por onde andavam senhoras idosas, mães com crianças...No mínimo faltava bom senso. As pessoas que ali estavam, para comprar ou apenas estar não eram nem são culpadas por aqueles jovens de periferia se sentirem excluidos, fechados em sua miséria material, emocional e espiritual. Quem não rejeitaria este bando desgovernado que queria apenas "zoar, ficar e beijar?" Tirar a paz dos outros, assustar?
Então, muitos escreveram que eles eram uns coitadinhos, inocentes, uns amores maltratados. E a lei veio pôr ordem no comportamento da criançada: poderiam vir, não em bandos, gritando frases, correndo. Os menores de dezoito anos, deveriam chegar acompanhados de adultos. Isso é disciplinar, educar, palavras que muitos não querem ouvir porque isso é sinônimo de muito trabalho. Uma jovem disse que era tempo de férias e ela nada tinha a fazer. Ficava, então, o dia inteiro convocando os amigos pelas redes sociais. Ora, se esta "criança" tivesse a obrigação de cuidar ao menos das próprias roupas, não lhe sobraria muito tempo. Devemos ocupar bem o tempo de nossos filhos, desde bem pequenos. Sempre em esportes ou tarefas escolares e domésticas e menos redes sociais e Ipad e similares.
Estamos vendo e ainda veremos os desdobramentos deste ataque terrorista, em Paris. Estados Unidos, Inglaterra e o Vaticano ( quem diria!) já se puseram em alerta de segurança máxima. Que isso não caminhe, em nome da Liberdade - para aos poucos irem tirando a nossa liberdade. Com a ideia de que vão -me proteger, já tenho mil olhos a me vigiar. Assim, vamo-nos acostumando com policiais por todo lado, pois o mundo não é mais um lugar seguro e o ser humano já não sabe conviver.
É preciso gravar que, se quero paz, devo ser promotora dela. Não devo fazer ao outro o que não gostaria que me fosse feito. Minha liberdade termina onde começa o direito alheio.
Com todo o susto e muitos questionamentos, vi o ataque à revista "Charlie Hebdo"que, tristemente resultou em doze mortes, de seus principais caricaturistas. Reflito como pessoa comum, sem muito conhecimento sobre o conteúdo das charges que faziam. Ouço que eles se diziam ateus e no direito de blasfemar. Sim, quem em nada acredita pode zombar de tudo e de todos, à vontade. Também li que, pelo menos um líder islâmico, lhes dissera que tais zombarias poderiam causar ira aos fiéis seguidores de Maomé.
Hoje mesmo, li de um cronista da Folha de S. Paulo, que ter respeito por alguém não é coisa boa. E que não se deveria pôr um "mas" nas atitudes dos caricaturistas, ao se refletir se eles não exageraram em suas críticas ao modo de agir islâmico. Justificaram-se que o deboche costumeiro e contundente era endereçado também aos católicos e autoridades. Era o exercício da liberdade. Contudo, se estavam causando constrangimento e tristeza a outros, que os deixassem em paz.
Lembro-me ainda daqueles tais de " rolezinhos" que aconteceram em fins de 2013. Creio que não existem mais por força de alguma lei regularizadora. Não sou racista nem preconceituosa. Pessoas pobres e negras, bem ou mal - vestidas, podem e devem ir aos shoppings mesmo só para passear. Muitas vezes, tem dinheiro apenas para um sorvete de casquinha, do mais barato. E sabemos que tudo naqueles lugares é muito caro. No Brasil tudo é caro! Não são apenas os pobres que gostam de passear em grandes centros comerciais. Ali há maior segurança - neste Brasil, onde a cada dia se ouve mais de assaltos e mortes, por um quase nada - e o ambiente é mais fresco, neste verão incandescente.
Só que não vejo desculpa para duzentos jovens ( algumas vezes até muito mais) entrarem em alvoroço, todos juntos cantando música funk de ostentação (imagine o que é isso) - andando até correndo naqueles corredores estreitos; subindo e descendo escadas, fixas e rolantes, por onde andavam senhoras idosas, mães com crianças...No mínimo faltava bom senso. As pessoas que ali estavam, para comprar ou apenas estar não eram nem são culpadas por aqueles jovens de periferia se sentirem excluidos, fechados em sua miséria material, emocional e espiritual. Quem não rejeitaria este bando desgovernado que queria apenas "zoar, ficar e beijar?" Tirar a paz dos outros, assustar?
Então, muitos escreveram que eles eram uns coitadinhos, inocentes, uns amores maltratados. E a lei veio pôr ordem no comportamento da criançada: poderiam vir, não em bandos, gritando frases, correndo. Os menores de dezoito anos, deveriam chegar acompanhados de adultos. Isso é disciplinar, educar, palavras que muitos não querem ouvir porque isso é sinônimo de muito trabalho. Uma jovem disse que era tempo de férias e ela nada tinha a fazer. Ficava, então, o dia inteiro convocando os amigos pelas redes sociais. Ora, se esta "criança" tivesse a obrigação de cuidar ao menos das próprias roupas, não lhe sobraria muito tempo. Devemos ocupar bem o tempo de nossos filhos, desde bem pequenos. Sempre em esportes ou tarefas escolares e domésticas e menos redes sociais e Ipad e similares.
Estamos vendo e ainda veremos os desdobramentos deste ataque terrorista, em Paris. Estados Unidos, Inglaterra e o Vaticano ( quem diria!) já se puseram em alerta de segurança máxima. Que isso não caminhe, em nome da Liberdade - para aos poucos irem tirando a nossa liberdade. Com a ideia de que vão -me proteger, já tenho mil olhos a me vigiar. Assim, vamo-nos acostumando com policiais por todo lado, pois o mundo não é mais um lugar seguro e o ser humano já não sabe conviver.
É preciso gravar que, se quero paz, devo ser promotora dela. Não devo fazer ao outro o que não gostaria que me fosse feito. Minha liberdade termina onde começa o direito alheio.
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