quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Proclamação do Natal

     Grite, nos quatro cantos da Terra:
     - Venham todos, venham logo!
     Venham de qualquer modo.
     Alegria grandiosa ou modesta.
     Venham celebrar a grande festa!
     O nascimento do Menino - Deus,
     A quem muitos deram adeus,
     Celebrando a si mesmos!
     Neste mundo, sempre aparente,
     Tente ser diferente.
     Comece por dentro, na alma.
     E belo presépio invente.
     À porta do coração,
     Bolas coloridas de amizade,
     A guirlanda do perdão.
     Fartura de mimos e abraços,
     Pacotes de beijos com laços
     E quitutes de carinhos.
     Num cantinho aconchegante,
     Elegante, o amor de dourado
     E o sorriso de vermelho.
     Pois que o essencial
     É a voz forte, fraternal
     A cantar que Jesus nasceu
     E de paz nossa vida encheu!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Blue Jasmine

     Wood Allen, em sua costumeira genialidade, surpreende - nos mais uma vez com esta comédia dramática - Blue Jasmine - onde o humor surge sutilmente, quase engolido pelo drama. Lançado neste novembro, o genial diretor acertou com Cate Blanchett que vive Jasmine, envolvida no sufocante "clima - blue" e com Alec Baldwin que vive seu esposo. Este enriquecera-se ilicitamente e acumulara enorme fortuna, lesando a muitos. Nada além disso direi sobre o enredo. Seria maldade. Bom é seguirmos os caminhos escolhidos por Allen e entrarmos em sua trama genial.
     Cate Blanchett está formidável em todas as tomadas. O filme é um retrato fiel de muitas situações que conhecemos, neste hoje que pretende dinheiro fácil e o materialismo - individual e social - reina solto. Alec Baldwin é como um fulano qualquer, cujo nome tenho de memória. Pode ser um pequeno empresário, um político canastrão e mandrião, um ator famoso...
     Na vida real, à medida que o dinheiro entra aos montes - nesse caso, dinheiro sujo - seu ego se inflama e o sucesso lhe sobe à cabeça. Dentre os bandidos, surge o chefe que arrebata a maior porção. Contudo, seus tentáculos se expandem para as diferentes esferas, num espaço de hierarquias muitas.
    Conheço parceiras de cama e de vida que nunca delataram seus companheiros, por corrupção ou por comportamento inadequado. Umas continuaram com eles pelo status e pelo dinheiro; outras, esperaram passar o temporal, divorciaram- se amigavelmente, não sem levar polpuda quantia em suas contas bancárias. Vale lembrar aquelas cujos valores não as satifizeram, sejam estas as esposas traídas ou as amantes descartadas. Lembro-me da esposa do ex- Ministro B. Cabral que o perdoou e aceitou-o de volta ao lar, após ter um romance com a também ex - Ministra Zélia Cardoso. Segue-se Nicéia Pitta, ex- esposa de Celso Pitta que o denunciou argumentando o pouco dinheiro que recebia de pensão ou ter sido lesada na partilha de bens. Na certa, adultério ou abandono do marido. A história levou Pitta ao caso dos precatórios e à perda do mandato. Também de fresca memória, a ex- esposa de Manuel Moreira - vereador, na "era Quércia"- que abriu as portas de sua mansão, mostrando todos os detalhes, em mármore e cristais de qualidade superior, afirmando que desde a casa e todo o resto fora comprado com dinheiro sujo: propinas de fornecedores. Narrou como o marido entrava com maletas repletas de dólares. Interessante é observar como estas angélicas e ingênuas esposas não questionam seus pares nem trabalham suas cabecinhas sobre a origem destas enormes quantias. Os maridões, espalham as braçadas de dinheiro sujo sobre as mesas ou tapetes e tudo parece normal até acontecer a traição. Vivem elas este padrão milionário como se fosse coisa normal. Julgam que ninguém repara! Outras piram diante da fortuna que não conseguem gastar nem pode aparecer. Tive uma ex- amiga que só queria cozinheira francesa; uma pobre criatura, filha de operário que nada sabia das letras nem das ciências. Mas era " chic" ter uma funcionária francesa; ou várias. Recentemente, tivemos Mônica Veloso e seu "caso" com o senador Renan Calheiros; recebia ela, seus valores em espécie, por meio de um funcionário de empreiteira. Um horror a falta de vergonha de uma e de outro. Os exemplos são múltiplos. Uns, nomeiam um filho para buscar no Exterior parte de seu dinheiro; já no aeroporto fazem o câmbio. Outros, puseram a filha a fingir que estudava nos E.U.A. com a tarefa de só voltar depois que comprasse tres apartamentos e os revendesse, mesmo com aparente prejuízo. Todavia o dinheiro era lavado, como se o parco salário que recebia pudesse comprar tudo aquilo! Há muitas maneiras de se criar empresas - de - fachada e ir limpando o dinheiro. Neste tempo de aparente ampla e mais eficaz justiça, esses tais ficam meio assustados...
Resta lembrar a ex- esposa de Fernando Collor que em programa " Fantástico" ameaçou contar muito mais e só nos disse que dezoito mil reais por mes é muito pouco mediante a enorme fortuna do ex. marido. Como ela silenciou, deve ter conseguido muito mais. Esperta ela!
     Paro nesses casos bem conhecidos e reservo outros para conversa - ao- pé- do- ouvido.
     Entretanto, não direi o que aconteceu com a linda " blue " Jasmine e a seu generoso esposo, porém, adúltero e corrupto. Vá ver o filme que ilustra tais casos e diverte genialmente.
    

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Centenário da Unifei - Itajubá

     Foi emocionante, muito mais que os anteriores, o encontro da turma de engenharia, de 1968. São engenheiros eletricistas e mecânicos, que trabalharam nas mais importantes empresas brasileiras. A alegria que fazia o encontro mais feliz é que neste novembro a Unifei celebra seu centenário de fundação.
     Fundada em 1913, por Teodomiro Carneiro Santiago, teve em  seu início grandes dificuldades. Contudo, Teodomiro C. Santiago era um visionário e empreendedor. Seu ideal era criar uma escola para a formação de engenheiros mecânicos e eletricistas, em um modelo avançado em que se unia a teoria do ensino à prática dos conhecimentos. Este argumento lhe chegou a partir do pensamento de Augusto Comte: " É mister relacionar a sabedoria teórica com ...a prática". Também, do lema extraido da frase "Res non verba" ( fatos, não palavras) do general francês Lázaro Hoche, Teodomiro Santiago compôs sua frase memorável:" Revelemo-nos mais por atos que por palavras, dignos de possuir este grande país".
     Em 1912, viajou a Europa e Estados Unidos para estudar os novos métodos de ensino tecnico, adquirir equipamentos para os laboratórios e contratar professores para a futura instituição de ensino superior. Os primeiros professores foram Dr. Armand Bertholet, Dr. ArthurTolbecq e Victor Van- Helleputt. Seguiram-se a estes os Drs. Fritz Hoffmann e Arthur Spirg. Os primeiros holandeses e suíços e, posteriormente, o francês Dr. Pierre François Objois.
     Em 23 de novembro de 1913, o IEMI - Instituto Eletro- Mecânico de Itajubá - foi criado tendo as presenças ilustres do então Presidente da República Hermes da Fonseca, de Wenceslau Pereira Gomes, vice- presidente do Brasil, autoridades locais, professores e alunos.
     A primeira turma de apenas dezesseis ( 16) alunos formou-se em 1917.
     A Unifei que começara como IEMI prosseguiu como IEI - Instituto Eletrotecnico de Itajubá, EFEI - Escola Federal de Engenharia de Itajubá e finalmente, UNIFEI Universidade Federal de Itajubá. Como tal, vem-se expandindo admiravelmente em suas instalações, cursos e número de alunos.
     São muitos os nomes de ex- alunos que engrandeceram esta instituição de ensino, exercendo altos cargos em grandes empresas; infelizmente, porém, encontramos alguns que se deixaram levar pelo poder e pela sedução de enriquecimento fácil e ilícito. Alguns desses passaram pelo vexame de chorar em rede nacional e desculpar-se por perjúrio e envolver- se em corrupção; outro encarou uma um confronto em CPI, mais alguns que se tornaram executivos de empresas estatais, foram questionados por roubarem dinheiro público. Perderam o emprego na empresa lesada mas foram relocados em outra estatal. Um triste modelo que se repete num país onde muitos já perderam a vergonha. Poucos  estão até hoje lavando o dinheiro, através da compra de imóveis, em condomínios de alto padrão ou, de tempos em tempos, buscam parte da fortuna depositada em paraísos fiscais.  Há quem mudou-se para o Nordeste de modo a não ser questionado, aqui em Campinas onde muitos ex- colegas e ex- amigos ficariam espantados com tamanha fortuna adquirida como passe de mágica. Lá, bem longe, talvez sejam reconhecidos apenas como herdeiros do Rei Midas! Estejam esses certos de que todo mundo sabe de onde vem seu dinheiro sujo.
     Dentre os ilustres lembramos o engenheiro Aureliano Chaves de Mendonça que foi vice- presidente do Brasil, Joel Rennó - ex- presidente da Petrobrás; os ilustres professores José Rodrigues Seabra, Richard Bran, Antonio Rodrigues de Oliveira, Pedro Mendes e muitos outros.
     Teodomiro C. Santiago faleceu em 1936, no Rio de Janeiro.
     É um consolo para os justos e honestos contemplarem a vida de pessoas como Teodomiro C. Santiago. Com ideais elevados que, como nós outros, trabalhou para o bem de muitos, exerceu sua capacidade intelectual e não apenas cuidou de roubar o dinheiro público, como alguns colegas dessa formidável turma de 1968.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Do Silêncio e da Meditação

     Faz muitos anos que pratico a meditação, apesar de este hábito saudável ter sido por mim negligenciado. Eu me acostumara ao silêncio planejado, pois a oração - diálogo com Deus - é minha meta maior, senão a única. Não era fácil proporcionar - me a quietude do ambiente externo; muito mais difícil silenciar- me os pensamentos. Tinha o hábito de sentar-me confortavelmente em uma poltrona ou no chão, sobre um pequeno tapete. Colocava melodia adequada - quase sempre música clássica, de andamento suave - ou eu mesma cantarolava uns mantras ocidentalizados. Seguia a técnica das respirações conscientes, profundas e pausadas e a consciência de meu corpo, no espaço. Na respiração me concentrava e meus sentidos se acalmavam. A imaginação sempre teve papel importante em minha meditação. No entanto, é de suma importância gerenciar esta " louca da casa". Aprendera que a imaginação é a força da força de vontade. O Mestre Jesus Cristo já dissera e quase me esquecera de que nossos desejos devem ser visualizados e, nesta constatação, já os podemos agradecer porque os veremos concretizados. Eu gastava algumas horas neste silêncio e mergulhava no meu "eu" mais profundo. Resgatava o melhor de mim mesma, deletava mágoas e frustrações e pairava na paz, longe da insensatez do mundo. Contudo, esse método de usar muito a imaginação pode ser como uma faca de dois gumes, pois nem sempre o que sonhamos é bom para nós. Eu derrubava com muito custo, todos os rumores de fora e maior trabalho era fechar as portas do corpo e domar a vozearia da mente. Só este era meu caminho para o silêncio, onde encontrava a paz que eu buscava. Era meu estado de plenitude, como feto no útero. Voltava, vagarosamente, para o mundo das tarefas empíricas, quase sempre estressantes. Depois, descobri outras maneiras de encontrar o silêncio e atingir o equilíbrio de corpo - mente - espírito sem aquele ritual disciplinado, meio passivo.
     Agora, uso mais a meditação ativa, caminhando junto à natureza, margeando um riacho, embalada pelo rumorejar da água entre as pedras e silenciando a mente na sinfonia de pios e chilreios ou entre lagartas insolentes, no meu pequeno jardim.
     Há quem esvazie a mente pedalando ou nadando; correndo ou limpando a casa; bordando até cozinhando. A meditação ativa, escolhida e prazerosa também nos leva ao silêncio; o corpo pode estar cansado, mas a mente e o espírito estarão em paz.
     Enfim, nada que os orientais, os índios ou qualquer cultura primitiva já não praticassem.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Falar de Saudade

     Tenho alguns muito queridos que vivem longe, do outro lado do mar.
Sei bem onde estão, falo com eles e os vejo pelo Skype, ótima ferramenta para enfraquecer a saudade. Só que as risadas e algumas lágrimas necessitam de abraços e beijos reais. E dizer:-" estou morrendo de saudade" é muito pouco. Soa apenas como figura de linguagem. E minha filhota ficou a dizer das diferenças entre solidão e saudade. E, observando a letra de "Onde anda você" - Vinícius de Moraes e Toquinho - parece que saudade só acontece quando não se vê nem se sabe onde está a pessoa amada. Não. Não é assim. Pois sei onde andam minhas crianças, olho nos olhos deles e às vezes não da para fingir felicidade, porque a saudade começa a querer se mostrar e eu tento disfarçar olhando para outro lado. Mas esta saudade fica bem fraquinha pois não há rupturas nem muros com musgos de mágoas nem pendências de perdão.
     Saudade não tem a ver com solidão. Conheço solitários que não sentem saudade de nada nem de ninguém. E gastei parte do sono desvendando o significado desta palavra complexa. Confesso que não consegui, porque saudade diz respeito a sentimentos e cada qual sente de modo pessoal.
      Eis um ensaio de definir a saudade:

Saudadear
Saudade, nem amarga nem doce.
Depende da idade de quem a sente.
Saudade de ciança é sorvete.
Jovem, saudade até mente.
Saudade,
Seriam olhos sorrindo e coração chorando?
Ou angústia n'alma e lágrimas retidas
Em comportadas retinas?
Saudade é fechar-se no silêncio,
Encolhido feito feto...
Saudade é dor no peito.
É fingir, com despeito,
Que o subtraído amor
Ou o momento sublime, jamais fenecem!
Juntos, corpo e espírito padecem!
Saudadear, ou curtir uma saudade
É morrer um pouco para acordar mais vivo!

sábado, 13 de julho de 2013

Pantanal II

     Falar de Pantanal talvez seja um tipo de refrão por demais cantado: " é chover no molhado". Hoje mesmo, vi parte de um documentário com aquela riqueza toda, da qual vi apenas uma pequena parte. Por isso, meu texto é um pequeno registro, num enfoque humilde - mesmo porque seria difícil postar muita coisa, dada a biodiversidade daquele paraíso.

     Desta vez, fizemos semelhantes passeios de barco pelo rio Miranda à procura de pássaros que habitam nas árvores de suas margens. Encontramos uma rica variedade da qual destaco os seguintes: cavalaria, joão pinto, caracará, arara - vermelha, arara - azul, arara - canindé, periquitos, mutum - de- penacho, garça-real, aracuã- do -pantanal e outros muitos. Caminhar logo de madrugada foi um trabalho para os fiéis fotógrafos dessas aves raras e encantadoras. Fui de acompanhante, mas a vida naquele lugar começa muito cedo e nos obriga a seguir aquele ritmo. Desliguei - me totalmente do mundo dito civilizado: nada de telefone, televisão nem Internet. Li um bocado, escrevi pouco, orei bastante e meditei o suficiente. Era formidável ter o silêncio interrompido exclusivamente pelo farfalhar de pios, gorgeios, chilreios ou trinados, todos desalinhados mas orquestrados por mãos divinas. O colorido de mil tons de verde, com manchas vermelhas, outras amarelas ou azuis eram o primeiro plano daquela paisagem dourada com fundo azul celeste. Uma delícia! Escrevi um poema desta força da natureza sobre nossa saúde. É formidável o sol para nos tirar da cama, da casa, do casulo; sair da melancolia - nossa herança portuguesa - sair de nós mesmos. Ir ao encontro da luz natural e daquela que emana das pessoas translúcidas. Repletos de energia, de alegria por nada e por tudo, cantamos sem dizer palavra e ouvimos a melodia silenciosa do vento na ramaria. Muito bom.

     Emoldurando tudo, uns papos - cabeça até muita conversa - jogada- fora com gente muito jovem, tal o irlandês e o alemão, como maduros tais os casais franceses e outros brasileiros. Isso era mais no refeitório, porque as moças estrangeiras ficavam só curtindo o "verão" de junho, de biquinis, na piscina. Para meu gosto, eu usava agasalho leve, nunca, porém, roupa de banho. Porque eu sentia frio mas elas precisavam ganhar uma corzinha naqueles poucos dias. De fato, eram demasiadamente brancas. Este era um grupo que chegou junto, apenas turistas de férias. Interessante o garoto alemão - não direi seu nome - de dezoito anos a dizer que faz estágio na empresa de Eike Batista, onde seu pai trabalha na construção de uma usina termoelétrica. Com ar de criança travessa, que está a fazer algo proibido, sentia-se importante porque desconhecia totalmente do trabalho de uma usina deste tipo. A família inteira veio da Alemanha; moram no Rio de Janeiro há seis meses. Disse-me que ele e o pai tiveram aulas de português, língua que julga muito difícil. Logo entendi porque a mãe nada falava mas me sorria admirada de o filho estar a tagarelar nesta língua que ninguém fala! E eu o escutava e respondia lentamente; às vezes também perguntava; o pai não viera ao Pantanal porque estava doente. Ora, ora, o empresário brasileiro em questão tem cacife para expatriar um funcionário alemão e sua família e lhe pagar um bom salário em euros. Pura especulação de minha parte que creio piamente termos gente qualificada para este trabalho. Ou não temos?

     Sei que poderia ainda ir ao Pantanal por mais vezes e voltaria sempre em estado de graça. Os ruidos não naturais, os hábitos que nos deixam enclausurados, sem o sol, a poluição do ar, tudo isso nos torna mal - humorados, alguns até doentes.

     Uma semana imersa no universo pantaneiro só me privou da alegria maior que era estar com meus pequeninos netos, Guilherme e Giovana já que os Felipe e Gabriel permanecem para além do mar, do outro lado do mundo.

sábado, 22 de junho de 2013

Profetas

     Já ouvira desde muito tempo que nenhum profeta é bem aceito em sua casa. Mesmo em sua Nação. E, malgrado comentários maldosos ou jocosos de algum filho ou amigo, teimamos, eu e alguns mais antenados, em profetizar o que vemos no mundo e agora no Brasil. Não profetizamos como profetizaram os iluminados bíblicos. Simplesmente, anotamos, lemos e relemos muitas análises de formadores de opinião, gente de profundo conhecimento e vasta experiência. Pelo menos, desde 2008, na crise dos Estados Unidos e em 2010, na Espanha - sem contar a Grécia  e outros insatisfeitos, porém com diferentes causas - eu dizia que a " Descoberta do Brasil" pelo Primeiro Mundo ( muitos investimentos, muita gente querendo conhecer ou trabalhar aqui ) seria algo passageiro como o brilho de um relâmpago; que o crescimento do Brasil, a ascenção econômica de uma classe mais sofrida, talvez lá na frente, todos sofreríamos uma queda fabulosa e, quanto mais alto estivéssemos, pior seria o tombo.
     Pois que agora, como um renascer de Fênix, a América do Norte se levanta, o dólar se fortalece e nossa dívida externa sobe, como o mercúrio em termômetro de paciente, com mais de quarenta graus de febre. Sem falar em nossa dívida interna. Então, os que financiaram suas casas e carros e outros bens a juros muito baixos, verão ruir tudo como se seus sonhos fossem levados por tsunamis infames. Não desejo isso; seria eu muito maldosa. Contudo, é uma hipótese.

     Ao ver as manifestações dos estadounidenses e espanhóis por suas perdas, cantei uma pedra indesejável, em meu bingo restrito:- também aqui veríamos a insatisfação. Não imaginei que logo se esquentasse tal gritaria e nós brasileiros, tão desencantados da vida pública, pudéssemos sair às ruas clamando por bens que nos foram prometidos e, gastando nosso suado dinheiro, nunca foram executados.

     Concordo plenamente que não se permitam bandeiras de nenhum partido, já que todos se fizeram de surdos às reclamações de corrupção e má destinação do dinheiro público. Isso não significa que queremos um governo ditatorial, sem partidos. Queremos uma bem feita Reforma Política e Reforma Tributária. O governo no Brasil tem seguido como uma ditadura disfarçada. Fingem que condenam, mas ninguém vai preso, fingem que criam boas universidades, fingem que cuidam da saúde. E seguem fazendo  o que querem sem darem atenção a ninguém. E vemos que não há partidos de oposição. Nem um! Mesmo um que parecia oposição, se viu envolvido em esquema de corrupção. Faz muitos anos que eu voto " nulo"; se todos déssemos este recado, de que votamos "nulo" porque nenhum dos candidatos nos é suficiente para representar, quem sabe assim, teríamos novos candidatos com passado e presente limpos. Mas o que ouço, muitas vezes, é que as pessoas pensam que são obrigadas a votar em alguém, mesmo se esta pessoa não for adequada. Pode ser que, neste tempo de passeatas, abram-se muitos olhos e ouvidos e teremos uma eleição mais limpa, com representantes mais decentes, honestos.

     Também brinquei, por muitos anos que, em dado momento de nossa História, fariam a " Recuperação da Informação" como acontece no livro "1984" do inglês  Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell: tomam seus dados pessoais e os reescrevem de modo diferente, para que todos pareçam pensar de modo igual ao do governante oligárquico. Tenho o filme e assisti a ele por mais de duas vezes, já o tendo visto no cinema. O autor me cativou desde o primeiro momento. Ele, sim, foi um visionário. Eu apenas brinco e tento ver em nossos dias o que ele já via no pós- guerra. Por isso, quando em Ubatuba a passeio, no dia doze deste junho, vibrei com a manchete sobre Snowden - é isso mesmo? - o garoto - prodígio que deixou todos os grandes de queixos caídos ao denunciar a invasão de privacidade que o governo dos E. U. e, agora também da Inglaterra, fazem de maneira ampla e arrogante. O que pude ver é que muitos abrem mão de sua liberdade pelo temor exagerado de terrorismo. Com isso, acham ótimo que se " vejam " tudo o que  fazem ou pensam. Como nesses programas populares, o " Big Brother ", quando muitos gastam tempo e dinheiro só para espiar a intimidade alheia. Uma pobreza!

     Já vou "profetizando" que, em futuro não muito distante, estaremos todos devidamente catalogados, aceitando pacificamente que nos monitorem até os pensamentos. E o livre- pensar será só pensar - como dizia Millôr Fernandes.
Pobre daquele cujo nome for confundido com o de um " suspeito de terrorismo". Só ser suspeito já é correr risco de morte.

     Ainda bem que minhas profecias são apenas o óbvio; não são profecias; talvez sejam pesadelos literários que memorizo ou observação de quem preserva a paz e as flores.