segunda-feira, 26 de maio de 2014

Mães ( Homenagem a todas )

Uma roga pelo filho doente,
outra, pelo que não aprende;
mais uma agradece pelo contente
que desfruta do emprego buscado
e ter o inferno superado!
A vida de todas as mães
é joelho no chão; é peregrinação,
sob chuva fraca ou forte.
Muitas seguem sem norte,
que seu rumo foi tragado pela morte
de um filho amado!
A mãe se arrasta, um passo de cada vez.
No altar se prostra e agradece a sorte.
Na certeza, não no talvez,
de ter a graça recebida,
de sua Mãe Aparecida!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mistério: cortina de fumaça.

     Conversa vai, conversa vem, sempre uma delas desemboca nas dificuldades do mundo e do Brasil, que não é mais o sonho -de - consumo de estadunidenses e europeus. Outra conversa divaga sobre nuvens espessas de campeonatos de futebol. Tudo muito previsível, nenhum mistério. Porém, no fechar os olhos cansados da noite, alguém sempiterno suscita um tiquinho de mistério a temperar o começo da madrugada.
     Mistério: cortina de fumaça, véu anuviando nosso entendimento...
     Seria a vida um mistério ou mistério impermeável é a morte?  Esta, uma emblemática senhora vestida de negro a segurar enorme foice aguarda impaciente sua próxima vítima ou - quem sabe?- alguém que a saiba amiga. Ela nos lembra que é preciso não ter pendências, não adiar as coisas, sobretudo as da alma. Constantemente, ela espreita atrás da porta. Aguarda sem pressa; sabe que o tempo é seu aliado. Esta figura abstrata, sinistra até humilde para alguns se contrapõe à senhora Vida. Símbolo de Vida? Pode ser luz, alvura azulada, o sol mesmo, tudo isso é símbolo de Vida. Mas explicá-la quem pode? Nasce alguém, em madrugada gelada, dentro de um iglu confortável. Na mesma hora, nasce outra pessoa num país tropical,cuja temperatura local é de trinta e nove graus, dentro de um barraco, onde a carência total chora de todo lado. Ambas estarão prensadas entre o nascer e a derradeira hora; ambas levarão vidas semelhantes; sofrerão alternadamente. Também ganharão bocados de felicidade, dependendo do olhar de cada uma sobre o mundo. Mistério da consciência humana. Aquela caminhará sobre difícil estrada; esta trilhará caminho fácil, materialmente, com muitas lágrimas de perdas, de apertar o coração. Uns cumprirão suas metas. Outros serão ceifados muito cedo, no alvorecer de seus dias. Pouco ou nada sabemos do como e do quando daremos adeus e seguiremos a senhora vestida de luto. Isso é mistério. Viver é correr riscos. E morrer? O que será o morrer?
     Lá pela década de setenta, ouvíamos curiosos as notícias de que aeronaves e navios desapareciam como passe de mágica, desde 1945 sem deixar vestígio algum. Tinham marcado como um triângulo imaginário o centro do oceano onde tal fenômeno ocorria com frequencia. Um ponto próximo a Miami marcava a posição sudoeste deste triângulo; Bermuda marcava o ponto norte e Porto Rico o sudeste. O espaço compreendido entre esses tres pontos chamou-se " Triângulo das Bermudas."
Minha comadre nordestina cre piamente que todos esses desapareimentos misteriosos aconteceram a pessoas altamente espiritualizadas que teriam sido arrebatadas ao céu, conforme citação bíblica. Outras teorias falavam de alienígenas ou que ali existia um portal do espaço. Certamente tinham visto muitos filmes duvidosos de ficção. Especulações para o mistério não faltaram. O tempo cumpriu seu itinerário e navios e aviões devem ter procurado nova rota de tal forma que havia muito tempo não se escutava mais do mistério de o mar sugar enormes embarcações e esquadrilhas inteiras, sem deixar rastro!
     Então, agora ouvimos que faz já um mes que o Boeing 777 da Malaysia Airlines está desaparecido sem esperança de que seus destroços sejam encontrados. Seria outro " Triângulo das Bermudas" em nova versão, no Oceano Índico? É atentar bem sobre o provável local do ocorrido e aguardar se novos sumiços ocorrerão.
     Ontem, meu neto me ligou. Sua voz de criança, nos seus seis anos incompletos, era puro júbilo. Seu primeiro dente havia caido e, certamente, a misteriosa Fada - do - Dente passaria por lá para fazer a troca: levaria seu dente e lhe daria um presente. Insistiu que eu fosse lá para ver esta coisa surpreendente e inexplicável que era ter um vão no lugar onde havia um dente! Ali, bem na frente. Algo fantástico! Fui lá. O menino estava maravilhado. Mirava- se no espelho e aquela imagem que via não era ele mesmo. Era outra pessoa muito diferente. Esfregava o dedo naquele vazio avermelhado, como se procurasse uma explicação para o mistério! Haveria já ali por baixo outro dente prontinho para aparecer? Viria logo ou agora era seu momento de curtir uma situação diferenciada, de pertencer ao novo grupo de banguelas? Aquele privilégio era, afinal, para poucos em sua classe de colégio.
     Assim, é que cada um de nós tem seus próprios mistérios. Mesmo que o mistério seja apenas a queda do primeiro dente - de - leite, a feitura do algodão - doce ( aparece no ar e some na boca, sem ser mastigado) ou uma estrelinha - símbolo da bisa que foi morar no céu - até um duende de jardim. Basta o olhar atento ao andar pelo mundo porque os mistérios estão por toda parte.    

sábado, 12 de abril de 2014

Sobre uma criança

A frágil criança -
que medrava na dor
e desalento -
era, neste momento,
robusto carvalho,
sob o orvalho,
de vaga melancolia,
sem medo da tempestade,
pulando com euforia,
sobre ciladas de falsidade.
Segue, na vida,
um caminho de pedra e lama;
ouve a voz de Deus
que a chama
e aguarda sua resposta.
Nenhuma regra imposta.
Só o amor importa.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Chuva na Madrugada

A leveza do vento
vem brincar na palmeira.
A galhada se alegra
e, no ritmo, dança.
A atmosfera alegria promete
até uma festança!
Juntam-se as mãos em oração.
A chuva! Precisamos da chuva!
Água em cúmulos escuros
esconde o sol.
Soletro a prece em gratidão,
já prevendo a oferta dos céus.
Que chova uma chuva como confetes
ou serpentina.
Não repentina, em granizo,
 a destruir lavouras e casas.

Bendita a chuva que cai como bênção;
Bendita esta cantilena molhada,
que vela meu sono, na madrugada.

domingo, 2 de março de 2014

Argumentação

     Que sua mente lhe diga
     que ele é bom, é legal.
     Que a emoção que você sente
     é perfeita, sem igual.
     Não deixe que ela invente
     armadilha ou traição.
     Não passe seu amor na peneira.
     Nem faça nenhuma asneira!
     Não brigue por picuinhas
     nem faça de seu querido
     bode expiatório.
     O caldo amoroso leva ervas, vinho,
     carinho até uma pitada de perdão.
     E pimenta, como o olhar
     de mulher ciumenta.
     Faça assim que o amor floresce
     e por muito tempo permanece.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O Clamor das Ruas

     O grito que vem das ruas
     não é grito de guerra.
     Mesmo vindo dos sem - terra,
     dos sem - teto, dos sem - nada.
     O clamor, então, por que seria?
     Não seja, pois, enganada.
     Aqui não é a Síria!
     O malfeitor mascarado,
     mal - ajambrado
     não é criança
     ingênua, sem esperança.
     Não pode portar
     paus, pedras nem lança.
     Não deve quebrar vidraças,
     pôr fogo em ônibus,
     impedir sua paz
     nem roubar sua vida.
     O clamor das ruas é legal.
     É adestramento da cidadania.
     Não creia na fantasia
     de ser melhor dentro de casa,
     a fugir do dever.
     Não se acorrente ao medo.
     Medo é solidão, terror.
     Medo é escuridão.
     Não carrega amor nem união.
     Coragem!
     O limite do medo
     é o brilho da luz divina
     que está em você!
    
    

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Do Caminhar pela Vida

     Na estrada da vida,
     peregrina rumo ao Eterno,
     enveredei-me por vias frias,
     ou de intenso calor,
     no desamparo ou com amor.
     Determinada, levei no bojo,
     o riso e a lágrima,
     espinhos e rosas,
     nas cidades e nas roças.
     Como pessoas, as rosas
     são perfumadas e lindas,
     mas ferem, às vezes.
     Meus joelhos reclamaram
     e minha vista se turvou.
     Meu corpo se cansou,
     claudicou e se curvou.
     Porém, cada pedra pisada
     foi em nuvem transformada
     que não feriu meus pés.

     Feliz é quem completa a jornada
     e encontra a porta de chegada!