Preciso de um chá de capim cidreira. Talvez a textura verde da erva hortelã, à hora de dormir, me faça pegar o sono que me tem escapado, sem pedir desculpas.
Não comentarei sobre a Zica, que deve ter - se alimentado da Dengue, que deve ter surgido da falta de saneamento básico, atrás de entulhos grosseiros, gramas a medrar fora de seus limites ou os mosquitos que gostam de nadar nas poças que enfeitam as lages de construções mal - acabadas. Também, temos um desgoverno geral e a corrupção correndo solta - cada dia um novo nome ilustre - peço desculpas pelo adjetivo usado - não falarei disso. Contudo, esta Zica deve ter surgido para desviar nossa atenção e ocupar nossa mente com algo que toca nosso instinto de conservação da vida!
Não questionarei as recentes mortes na Síria - de quem mesmo é a culpa? Nem sobre outro norte- americano perturbado que chegou atirando, daquele jeito quando dizemos que o atirador é um frustrado; alguém rancoroso...Lá, tal comportamento é clássico e histórico.
Nada falarei sobre as numerosas pessoas desvairadas que perderam tudo e buscam asilo na Europa Central. No desespero, pagam caro e se atropelam em frágeis barcos e muitos nem alcançam seu destino: morrem no meio do mar; surgem na praia como rejeito das águas!
E o ciclone, as enchentes muitas, a catástrofe que atingiu a essência límpida da água do Rio Doce?!
Realmente, preciso de um chá de capim- cidreira!
E, procurando onde se obtém a vacina Imuno -BCG - para tratamento de câncer de bexiga, que era produzida no Instituto Butantan - em S. Paulo, descubro que este setor foi " transferido" para uma tal Fundação Ataulpho de Paiva - única no Brasil a poder fabricar, mas não o está fazendo! Prometeram que estaria pronta em janeiro; depois em fevereiro e, finalmente que a teríamos em março. Como é possível este precioso e indispensável medicamento ficar em mãos de único laboratório que nem se da o trabalho de explicar a quem o procura, o motivo de terem parado com a fabricação? Ouvi uns boatos de que há grande demanda. Não discutirei tal argumento. Este não me convence.
Já falei sobre o terrível mundo da ficção de Orwell. Sem mergulhar em " Arquivo X", quero-me juntar a algum grupo alienado, porém mais feliz, sem pesadelos de olhos abertos, como tenho vivido.
Viver é correr riscos...
Todavia, minha alienação não me levará a ver BBB- nem novelas de mau gosto, de pura gritaria e agressões! Bons livros estão embalando meus dias; fuga para o jardim, com uma jarra de limonada, também ajuda a espantar o calor e a escuridão densa de pensamentos e sentimentos que tentam aprisionar-me...
Não tecerei comentários sobre aqueles que trabalham para aliviar o peso do mundo, enquanto outros não os ajudam nem com a ponta de um dedo! Também não há frases capazes de exprimir a fragilidade e a mesmice de filmes e todo o conteúdo manipulador dos meios de comunicação...
O jeito é ter sua catedral de cristal, dentro de si mesmo e ao menos alguma alma gêmea para trocar uma xícara de chá, enquanto o sol se põe chorando e a lua começa a surgir, timidamente, como sentinela desarmada, a juntar-se a uma população desprotegida.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Apenas Vivendo/ Relembrando
As festas ainda nem se diluíram no tempo - pois que tenho a casa cheia de corre- corre, gritinhos de netos e agregados, graças a Deus - e vamos somando os feitos, os não -feitos, os bem- feitos e sempre restarão alguns mal- feitos. Coisas da vida. Não lastimarei o que deixei de fazer ou os mal - feitos, seja pelo bem de outros, seja porque estou apenas vivendo, sem cobranças.
Já falei e repito o aprendizado de que " o hábito é uma segunda natureza". Uma vez que se acostuma a trabalhar pouco, a dormir de menos, a comer errado, isso se tornará parte de você. De outro modo, se me acostumar a trabalhar muito, a dormir o quanto me baste e, se não bastar ficará para outra vez, já que o trabalho virá antes; se me acostumar a comer corretamente e ainda a me exercitar no corpo e na alma: tudo isso será um hábito. Fará parte integral de minha personalidade. Meu pai dizia isso em outras palavras:" o uso do cachimbo é que faz a boca torta."
Por isso, eu disse: estou apenas vivendo. E este estar apenas vivendo não significa que deixarei meus sonhos sem regas. Não! Não os deixarei murchar nem desbotarem-se como tem acontecido com meus lírios, neste tempo de seca selvagem. Sei que a estrada da vida vai ficando muito mais íngreme a cada dia que termina.
Continuo obstinada com a escrita. Se alguém vai ler, isso é outra conversa. Gostava de escrever desde muito criança. Ver as letras, as frases e os parágrafos a preencher o branco do papel numa cumplicidade perfeita. A tinta a dançar como um fio d'água escorrendo morro abaixo, registrando meu pensamento até minhas emoções, fuçando e remexendo toda a tulha de minha alma...
Isso para mim é viver! Então, repito: estou apenas vivendo. Sem cobranças de onde andará meu novo livro de poemas? E aqueles contos dormindo na gaveta? Poderiam iluminar alguma face, num riso maroto ou constranger quem tem algo a esconder. Esperança, talvez espanto, curiosidade ou saudade poderiam minhas historietas ressuscitar. Nalgum dia, eu as resgatarei, se a nau do tempo o permitir. Não deixarei de percorrer meu caminho. Tentações para cruzar braços e pernas, parar com tudo e só "curtir" nas redes sociais já as ouvi muitas. Não cederei a tais ofertas. Só que meu ritmo está vagaroso tal uma tartaruga velha. Vou colhendo, no entanto, muito mais rosas que espinhos; mais consolo que desalento. Enquanto eu tiver fôlego, falarei com minha melhor amiga - eu mesma - e meu Mestre - o Senhor Jesus Cristo. Falarei, em prosa e verso, com amigos fiéis, peregrinos que somos, na mesma trilha.
Como amante da língua portuguesa, lembro-me de que neste 2014 que se finda, comemoramos oito séculos de Língua Portuguesa, sendo o primeiro documento oficial registrado em 1214. O Brasil e Cabo - Verde, lançaram selos comemorativos a esta data. As homenagens prosseguirão até meados de 2015. Sem me cobrar, pretendo escrever sobre isso.
Para não esquecer gravemos, países de Língua Portuguesa: Angola, Brasil, Cabo- Verde, Guiné - Bissau, Moçambique, Portugal, Timor- Leste, São Tomé e Príncipe.
Ano Novo - 2015 - sem cobranças; sem promessas.
O que eu fizer, estará feito.
Só não deixarei de amar ninguém. Aqui ou como estrelinha, apenas vivendo!
Já falei e repito o aprendizado de que " o hábito é uma segunda natureza". Uma vez que se acostuma a trabalhar pouco, a dormir de menos, a comer errado, isso se tornará parte de você. De outro modo, se me acostumar a trabalhar muito, a dormir o quanto me baste e, se não bastar ficará para outra vez, já que o trabalho virá antes; se me acostumar a comer corretamente e ainda a me exercitar no corpo e na alma: tudo isso será um hábito. Fará parte integral de minha personalidade. Meu pai dizia isso em outras palavras:" o uso do cachimbo é que faz a boca torta."
Por isso, eu disse: estou apenas vivendo. E este estar apenas vivendo não significa que deixarei meus sonhos sem regas. Não! Não os deixarei murchar nem desbotarem-se como tem acontecido com meus lírios, neste tempo de seca selvagem. Sei que a estrada da vida vai ficando muito mais íngreme a cada dia que termina.
Continuo obstinada com a escrita. Se alguém vai ler, isso é outra conversa. Gostava de escrever desde muito criança. Ver as letras, as frases e os parágrafos a preencher o branco do papel numa cumplicidade perfeita. A tinta a dançar como um fio d'água escorrendo morro abaixo, registrando meu pensamento até minhas emoções, fuçando e remexendo toda a tulha de minha alma...
Isso para mim é viver! Então, repito: estou apenas vivendo. Sem cobranças de onde andará meu novo livro de poemas? E aqueles contos dormindo na gaveta? Poderiam iluminar alguma face, num riso maroto ou constranger quem tem algo a esconder. Esperança, talvez espanto, curiosidade ou saudade poderiam minhas historietas ressuscitar. Nalgum dia, eu as resgatarei, se a nau do tempo o permitir. Não deixarei de percorrer meu caminho. Tentações para cruzar braços e pernas, parar com tudo e só "curtir" nas redes sociais já as ouvi muitas. Não cederei a tais ofertas. Só que meu ritmo está vagaroso tal uma tartaruga velha. Vou colhendo, no entanto, muito mais rosas que espinhos; mais consolo que desalento. Enquanto eu tiver fôlego, falarei com minha melhor amiga - eu mesma - e meu Mestre - o Senhor Jesus Cristo. Falarei, em prosa e verso, com amigos fiéis, peregrinos que somos, na mesma trilha.
Como amante da língua portuguesa, lembro-me de que neste 2014 que se finda, comemoramos oito séculos de Língua Portuguesa, sendo o primeiro documento oficial registrado em 1214. O Brasil e Cabo - Verde, lançaram selos comemorativos a esta data. As homenagens prosseguirão até meados de 2015. Sem me cobrar, pretendo escrever sobre isso.
Para não esquecer gravemos, países de Língua Portuguesa: Angola, Brasil, Cabo- Verde, Guiné - Bissau, Moçambique, Portugal, Timor- Leste, São Tomé e Príncipe.
Ano Novo - 2015 - sem cobranças; sem promessas.
O que eu fizer, estará feito.
Só não deixarei de amar ninguém. Aqui ou como estrelinha, apenas vivendo!
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Das Nuanças da Personalidade
Quando criança e adolescente, fui uma pessoinha tímida e muito introvertida. Pouco conversava em casa com meus pais e irmãos, apesar de sermos uma família de sete pessoas - crianças e adultos falantes, agitados até cantantes. Minha mãe era uma contadora de histórias e cantarolava enquanto executava suas muitas tarefas domésticas. Dentre os irmãos, pelo menos dois eram extrovertidos - cantavam até em público e ainda contam suas piadas e histórias cercados de olhares curiosos...A menina quieta e pensativa era muitas vezes criticada; meu pai, porém, entendia aquele jeito introvertido e discreto pois também ele era de pouco falar, mais pensativo e filosófico em seus juízos. Meu marido é um homem silencioso, focado no que faz, fala só o essencial. Algumas vezes, ele se envolve em conversas de temas específicos e a fala flui magistralmente. No entanto, socialmente tem dificuldade de se misturar e interagir. Somos introvertidos, sem com isso dizer incapazes de rir muito e falar coisas inteligentes ou tolices impróprias, de vez em quando. Em nossa idade adulta, ouvimos muitas observações maldosas, sobre pouco falar de um e muito falar de outra, na visão de quem se julgava com a perfeição em sua personalidade extrovertida ou pessoas sem o menor senso de realidade até educação.
Nestes dias, ouvi uma palestra de Susan Cain:- " The Power of introverts"- onde ela chama atenção para que se valorize os introvertidos. Vemos desde meados do século XX até hoje que empresas e a sociedade como um todo valorizam mais os indivíduos extrovertidos, que fazem muitos contatos e conquistam outra dezena de amigos em poucos meses. Aqueles que se esforçam para agradar, para serem o centro das atenções e receberem os aplausos - seu alimento diário. Há os que saem de um evento qualquer já com uma agenda gorda de muitos nomes e datas para encontros futuros. Não esperam ser convidados; eles convidam e programam seus desejos. Gostam de exibir centenas de amigos que mal conhecem, nas redes sociais, ou são " seus seguidores". O introvertido - segundo a palestrante - e confirmo na minha parcela de introvertida - odeia trabalhar em grupo; prefere fazer seus estudos e resolver seus problemas individualmente - quase sempre rende muito mais e o resultado é de ótima qualidade. O trabalho em grupo os tolhe, em parte bloqueia sua ação.
Quando se somam a introspecção e a timidez, o indivíduo introvertido se questiona sobre o revelar-se demasiadamente. Volta, então, para sua redoma de vidro, sua zona de conforto de onde não desejou sair. É um presente divino quando um introvertido encontra outro semelhante. Alma gêmea a compartilhar com poucas palavras até só com um olhar ou um sorriso complacente, como a dizer:-
" hoje, só por pouco tempo, estarei aqui fora..."
Sejamos nós extrovertidos ou introvertidos precisamos exercitar a tolerância e enxergarmos o valor de cada pessoa, com as nuanças características de sua personalidade. Ninguém é formatado em um só aspecto. Temos a cor mais acentuada de um extrovertido ou a cor mais pálida do introvertido, sem com isso valorizarmos um mais que o outro. Urge valorizar o introvertido, pois a partir de suas reflexões, temos tido ao longo dos anos, os pensamentos filosóficos e teológicos, as ideias brilhantes dos cientistas, dos escritores e poetas, dos monges e de todos que deixam um pouco a extroversão e entram na solidão criativa e no silêncio eloquente. Já o Cristo Jesus, que tinha uma exuberante personalidade - depois de muito ensinar e curar - afastava-se de seus amigos e permanecia por muitas horas da noite, em meditação e oração. Era reavaliar seu dia e abastecer-se para o trabalho do dia seguinte. Bom exemplo este do Mestre que acolhia a todos, sobretudo aos mais difíceis.
Nestes dias, ouvi uma palestra de Susan Cain:- " The Power of introverts"- onde ela chama atenção para que se valorize os introvertidos. Vemos desde meados do século XX até hoje que empresas e a sociedade como um todo valorizam mais os indivíduos extrovertidos, que fazem muitos contatos e conquistam outra dezena de amigos em poucos meses. Aqueles que se esforçam para agradar, para serem o centro das atenções e receberem os aplausos - seu alimento diário. Há os que saem de um evento qualquer já com uma agenda gorda de muitos nomes e datas para encontros futuros. Não esperam ser convidados; eles convidam e programam seus desejos. Gostam de exibir centenas de amigos que mal conhecem, nas redes sociais, ou são " seus seguidores". O introvertido - segundo a palestrante - e confirmo na minha parcela de introvertida - odeia trabalhar em grupo; prefere fazer seus estudos e resolver seus problemas individualmente - quase sempre rende muito mais e o resultado é de ótima qualidade. O trabalho em grupo os tolhe, em parte bloqueia sua ação.
Quando se somam a introspecção e a timidez, o indivíduo introvertido se questiona sobre o revelar-se demasiadamente. Volta, então, para sua redoma de vidro, sua zona de conforto de onde não desejou sair. É um presente divino quando um introvertido encontra outro semelhante. Alma gêmea a compartilhar com poucas palavras até só com um olhar ou um sorriso complacente, como a dizer:-
" hoje, só por pouco tempo, estarei aqui fora..."
Sejamos nós extrovertidos ou introvertidos precisamos exercitar a tolerância e enxergarmos o valor de cada pessoa, com as nuanças características de sua personalidade. Ninguém é formatado em um só aspecto. Temos a cor mais acentuada de um extrovertido ou a cor mais pálida do introvertido, sem com isso valorizarmos um mais que o outro. Urge valorizar o introvertido, pois a partir de suas reflexões, temos tido ao longo dos anos, os pensamentos filosóficos e teológicos, as ideias brilhantes dos cientistas, dos escritores e poetas, dos monges e de todos que deixam um pouco a extroversão e entram na solidão criativa e no silêncio eloquente. Já o Cristo Jesus, que tinha uma exuberante personalidade - depois de muito ensinar e curar - afastava-se de seus amigos e permanecia por muitas horas da noite, em meditação e oração. Era reavaliar seu dia e abastecer-se para o trabalho do dia seguinte. Bom exemplo este do Mestre que acolhia a todos, sobretudo aos mais difíceis.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Lamento da Natureza
Ouço o pesado e rouco lamento
da bem- te- vi solitária.
Está a se esconder do vento,
a refrescar seu corpo
sob a touceira de murta!
O amarelo quente do sol
não promete chuva.
A passarinha chama seu amor
que traga alimento para seu rebento
que acaba de nascer...
A esperança se junta nos cúmulos,
mas os cirros dissipam o desejo.
Vejo a insistência dos pios
e supro a carência com banana
e a pureza d'água.
Juntam -se aos pássaros
a palmeira seca e as flores
que gemem a implorar socorro.
Tomara tudo amanheça molhado,
e a natureza se ponha a cantar,
sem fome nem sede nem lamento.
da bem- te- vi solitária.
Está a se esconder do vento,
a refrescar seu corpo
sob a touceira de murta!
O amarelo quente do sol
não promete chuva.
A passarinha chama seu amor
que traga alimento para seu rebento
que acaba de nascer...
A esperança se junta nos cúmulos,
mas os cirros dissipam o desejo.
Vejo a insistência dos pios
e supro a carência com banana
e a pureza d'água.
Juntam -se aos pássaros
a palmeira seca e as flores
que gemem a implorar socorro.
Tomara tudo amanheça molhado,
e a natureza se ponha a cantar,
sem fome nem sede nem lamento.
Dilúvio
Os primeiros pingos d'água foram como timidez de criança de seis anos...
Vieram inocentes como quem brinca de esconde - esconde, intermitentes, fingindo fraqueza.
Achei-me num barco de parca madeira, com apenas duas janelas, no andar superior, veladas por espessas cortinas.
Ali, poucos entraram e nada nem ninguém saía.
Depois de um tempo, a moleza d'água solapando as frágeis estruturas desse barco corpóreo, o estrondo dos trovões, descarga elétrica percorrendo todo o ser...
O dilúvio se instalara!
A tormenta varrera o céu de minhas entranhas mesmo o da emoção e o do pensamento!
O barco balançava desgovernado, sem amparo nem qualquer referência de sorte!
Do meio do caos, uma voz:
- " Espera, vai passar!"
Como, aliás, tudo passa, nesta vida.
Mas havia o medo. Ah! O medo! O medo ameaçava ruir toda a embarcação.
Cantando a ladainha dos santos, suplicando uma trégua aos céus, bichinhos irmãos, um velho leão e uma leoa lúcida...
No meio do barco, num arco de aura cristalina, o altar do sacrifício.
Ali, eu sacrificara novecentos dias de angústias, em muita lágrima, como água salgada. Como lágrimas dos que tudo perdem.
Depois, na exaustão do sofrimento, o resgate. O cheiro bom de terra molhada e o equilíbrio restaurado.
Vencera a vida! Se eu tivera o dilúvio só cá fora, não me transformara. Eu fora uma lagartixa muda e assustada. Renascera uma sabiá cantante!
Vieram inocentes como quem brinca de esconde - esconde, intermitentes, fingindo fraqueza.
Achei-me num barco de parca madeira, com apenas duas janelas, no andar superior, veladas por espessas cortinas.
Ali, poucos entraram e nada nem ninguém saía.
Depois de um tempo, a moleza d'água solapando as frágeis estruturas desse barco corpóreo, o estrondo dos trovões, descarga elétrica percorrendo todo o ser...
O dilúvio se instalara!
A tormenta varrera o céu de minhas entranhas mesmo o da emoção e o do pensamento!
O barco balançava desgovernado, sem amparo nem qualquer referência de sorte!
Do meio do caos, uma voz:
- " Espera, vai passar!"
Como, aliás, tudo passa, nesta vida.
Mas havia o medo. Ah! O medo! O medo ameaçava ruir toda a embarcação.
Cantando a ladainha dos santos, suplicando uma trégua aos céus, bichinhos irmãos, um velho leão e uma leoa lúcida...
No meio do barco, num arco de aura cristalina, o altar do sacrifício.
Ali, eu sacrificara novecentos dias de angústias, em muita lágrima, como água salgada. Como lágrimas dos que tudo perdem.
Depois, na exaustão do sofrimento, o resgate. O cheiro bom de terra molhada e o equilíbrio restaurado.
Vencera a vida! Se eu tivera o dilúvio só cá fora, não me transformara. Eu fora uma lagartixa muda e assustada. Renascera uma sabiá cantante!
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sábado, 2 de janeiro de 2016
Questão de Consciência e Compaixão
Temos ouvido o tempo todo sobre intolerância religiosa, preconceitos de todo tipo e um mundo atordoado em plena agitação e temor de guerra, no ar que respiramos.
Muitos de nós já vivemos meio a deboches e seguimos em frente, sem baixa estima, sobretudo os que fomos bem educados e valorizados pelos nossos pais e familiares. Há uns com inteligência parca comparados com outros mais inteligentes; há muitos bonitos - homens, mulheres e crianças - que se exibem diante da irmã feia ou do irmão com alguma deficiência. Sem pudor, cometem gafes e faz piadas idiotas. Alguns exemplos me vem à memória: a excelente cantora e atriz Barbra Streisand - estrábica e com nariz inadequado a seu rosto, teve algumas sugestões para fazer cirurgia plástica e torna-lo mais aceitável a seu fotógrafo. Nunca se deixou levar por estes comentários maldosos; seguiu em frente com sua maravilhosa voz e ganhando muitos prêmios tanto na música quanto pelos filmes. Outro, o cantor Juca Chaves encarou ele mesmo o avantajado nariz que mereceu uma modinha, cantada e aplaudida em todos os seus shows. Uns tem olhos muito espaçados e grandes, outras os tem muito apertados, como Carla Bruni. Vemos os atores, o francês " beiçudo" P. Belmondo e norte- americano J. Malkoviche, estrábico, nem de longe um modelo de beleza. Mas seduz pelo seu enorme talento. Estes são apenas alguns de muitos exemplos a serem seguidos. Quando falarem de nossos supostos ou reais defeitos físicos e comportamentais, desarmamos o agressor levando na brincadeira. Você pode apenas sorrir ou perguntar se ele está com inveja?
Ou nós rirmos de nossos pontos fracos: se sou muito alta, ou muito baixa ou acima do peso...Se eu mesma aceito e brinco com o que seria zombado, tiro o argumento do outro que se sentirá vazio.
Neste último mês, estive em uma clínica de oncologia e o que vi sobre aparência e carências muitas das pessoas que ali frequentam, tocou-me profundamente. Ao meu lado, uma senhora totalmente calva, optara por não esconder sua falta de cabelos. A maioria está calva ou com cabelos bem ralos. Mas são muito criativas: a moça de frente, muito bem maquiada, prendeu o estampado de seu lenço num feitio de trança que ficou muito bonito; outra, usava um gorro colorido. A um canto, um idoso descansa ou sucumbe com a cabeça apoiada entre as mãos. Outro segue a se arrastar, muito frágil, sustentado por uma jovem, talvez uma filha. Sempre vejo uma senhorinha idosa, que se veste de chita e calça chinelos. Chega constrangida como se estivesse a transgredir. Vai ao balcão, marca presença e arruma um assento. Seu chapéu é de palha, mas não tem o estilo bonito daqueles de praia, próprios para senhoras. É um chapéu masculino, porém, ela carrega seu desânimo com dignidade, cabeça erguida, sob o amarelado do chapéu velho. É uma figura exótica, mas sua preocupação é a cura; isso é tolice. Vi também o jovem de perna amputada com ares de aceitação; câncer nos ossos, certamente.
Nestes dias em que ali estive, recebi ensinamento para o resto da vida. Foi como se um enorme sino de bronze caísse sobre minha mente e despertasse minha consciência sonolenta, não mais adormecida. Pois creio que estas pessoas, jovens ou velhas, jamais olharão os seus semelhantes comparando a cor da pele; os cabelos lisos, ondulados ou crespos, seus olhos, orelhas nem outros detalhes. Precisamos ser gratos a Deus se temos saúde completa. E os que ainda vivem presos na arena do preconceito e da ignorância deveriam dar uma passadinha semanal numa dessas clínicas. Quem sabe um sino de bom senso, no peso de enorme sino de bronze caia também sobre suas mentes e encontrem coisas mais úteis para falar e comecem a praticar a compaixão.
Muitos de nós já vivemos meio a deboches e seguimos em frente, sem baixa estima, sobretudo os que fomos bem educados e valorizados pelos nossos pais e familiares. Há uns com inteligência parca comparados com outros mais inteligentes; há muitos bonitos - homens, mulheres e crianças - que se exibem diante da irmã feia ou do irmão com alguma deficiência. Sem pudor, cometem gafes e faz piadas idiotas. Alguns exemplos me vem à memória: a excelente cantora e atriz Barbra Streisand - estrábica e com nariz inadequado a seu rosto, teve algumas sugestões para fazer cirurgia plástica e torna-lo mais aceitável a seu fotógrafo. Nunca se deixou levar por estes comentários maldosos; seguiu em frente com sua maravilhosa voz e ganhando muitos prêmios tanto na música quanto pelos filmes. Outro, o cantor Juca Chaves encarou ele mesmo o avantajado nariz que mereceu uma modinha, cantada e aplaudida em todos os seus shows. Uns tem olhos muito espaçados e grandes, outras os tem muito apertados, como Carla Bruni. Vemos os atores, o francês " beiçudo" P. Belmondo e norte- americano J. Malkoviche, estrábico, nem de longe um modelo de beleza. Mas seduz pelo seu enorme talento. Estes são apenas alguns de muitos exemplos a serem seguidos. Quando falarem de nossos supostos ou reais defeitos físicos e comportamentais, desarmamos o agressor levando na brincadeira. Você pode apenas sorrir ou perguntar se ele está com inveja?
Ou nós rirmos de nossos pontos fracos: se sou muito alta, ou muito baixa ou acima do peso...Se eu mesma aceito e brinco com o que seria zombado, tiro o argumento do outro que se sentirá vazio.
Neste último mês, estive em uma clínica de oncologia e o que vi sobre aparência e carências muitas das pessoas que ali frequentam, tocou-me profundamente. Ao meu lado, uma senhora totalmente calva, optara por não esconder sua falta de cabelos. A maioria está calva ou com cabelos bem ralos. Mas são muito criativas: a moça de frente, muito bem maquiada, prendeu o estampado de seu lenço num feitio de trança que ficou muito bonito; outra, usava um gorro colorido. A um canto, um idoso descansa ou sucumbe com a cabeça apoiada entre as mãos. Outro segue a se arrastar, muito frágil, sustentado por uma jovem, talvez uma filha. Sempre vejo uma senhorinha idosa, que se veste de chita e calça chinelos. Chega constrangida como se estivesse a transgredir. Vai ao balcão, marca presença e arruma um assento. Seu chapéu é de palha, mas não tem o estilo bonito daqueles de praia, próprios para senhoras. É um chapéu masculino, porém, ela carrega seu desânimo com dignidade, cabeça erguida, sob o amarelado do chapéu velho. É uma figura exótica, mas sua preocupação é a cura; isso é tolice. Vi também o jovem de perna amputada com ares de aceitação; câncer nos ossos, certamente.
Nestes dias em que ali estive, recebi ensinamento para o resto da vida. Foi como se um enorme sino de bronze caísse sobre minha mente e despertasse minha consciência sonolenta, não mais adormecida. Pois creio que estas pessoas, jovens ou velhas, jamais olharão os seus semelhantes comparando a cor da pele; os cabelos lisos, ondulados ou crespos, seus olhos, orelhas nem outros detalhes. Precisamos ser gratos a Deus se temos saúde completa. E os que ainda vivem presos na arena do preconceito e da ignorância deveriam dar uma passadinha semanal numa dessas clínicas. Quem sabe um sino de bom senso, no peso de enorme sino de bronze caia também sobre suas mentes e encontrem coisas mais úteis para falar e comecem a praticar a compaixão.
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
Dia de Natal
O loiro de certos cabelos ficou mais brilhante, o caminhar queimado e cadenciado da morena seduziu a muitos e o grisalho de uns poucos impôs o respeito à mesa. Proibidos os eletrônicos - nada de redes sociais nem mensagens de grupos, a conversa fluiu alegre, descontraída, com olhos -nos- olhos, e direito a sorrisos...
Isso tudo porque é Natal.
Ficamos, eu e meu marido, cada qual em uma cabeceira da mesa. Os outros se acomodaram como quiseram: nada de lugares marcados. Fiquei feliz que meu marido conduziu uma singela oração de gratidão e respeito a Deus, pelo amor que nos tem demonstrado na pessoa de Jesus Cristo. Depois do jantar, as crianças queriam se lambuzar no marrom do bolo de chocolate. Cantamos o " Parabéns " para o Menino Jesus e todos os quatro netos fizeram questão de soprar a velinha: portanto cantamos quatro vezes a mesma canção congratulatória. Depois, vieram as outras sobremesas. Tudo muito tranquilo, com alegria sem estardalhaço: a um canto, um pequeno Presépio - a Lapinha apenas. No próximo ano quero fazer um maior e mais bonito. A neta caçula ainda tem um bom tempo para entender como os meninos já entendem - a festa é do aniversário de Jesus. E o Menino Jesus tem um entregador dos presentes que ele mesmo nos dá: o figurante é o Papai Noel. Se não educarmos nossas crianças, este velhinho nem sempre justo em seu presentar, leva toda atenção e recebe todos os créditos, numa sociedade cada vez mais materialista, consumista e egoísta.
Para que uma parte da justiça seja feita é bom que as crianças saibam que seus papais, mamães e outros muitos, são os que compram seus desejados brinquedos. Pois que nem perguntam por que o bom velhinho não oferece brinquedos lindos e caros aos pobrezinhos? E, antes da tão esperada noite, meus netos encheram duas sacolas com ótimos presentes para doação e abriram espaço para os novos que nesta noite natalina receberam.
O bom de tudo isso é que, sendo Natal, muitos se perdoaram e deixaram no esquecimento poucas ou muitas ofensas; porque é Natal deram de si mesmos visitando doentes, partilhando vida, roupas, alimentos e brinquedos, em creches, orfanatos, asilos e hospitais. Que possamos seguir neste ritmo durante todo o Ano Novo, fazendo de cada dia comum, um dia especial. Este seria o milagre do Natal. Porque o sentimento de amor e amizade; de colaboração e de paz não deve acontecer apenas uma vez por ano, no dia do Natal.
Isso tudo porque é Natal.
Ficamos, eu e meu marido, cada qual em uma cabeceira da mesa. Os outros se acomodaram como quiseram: nada de lugares marcados. Fiquei feliz que meu marido conduziu uma singela oração de gratidão e respeito a Deus, pelo amor que nos tem demonstrado na pessoa de Jesus Cristo. Depois do jantar, as crianças queriam se lambuzar no marrom do bolo de chocolate. Cantamos o " Parabéns " para o Menino Jesus e todos os quatro netos fizeram questão de soprar a velinha: portanto cantamos quatro vezes a mesma canção congratulatória. Depois, vieram as outras sobremesas. Tudo muito tranquilo, com alegria sem estardalhaço: a um canto, um pequeno Presépio - a Lapinha apenas. No próximo ano quero fazer um maior e mais bonito. A neta caçula ainda tem um bom tempo para entender como os meninos já entendem - a festa é do aniversário de Jesus. E o Menino Jesus tem um entregador dos presentes que ele mesmo nos dá: o figurante é o Papai Noel. Se não educarmos nossas crianças, este velhinho nem sempre justo em seu presentar, leva toda atenção e recebe todos os créditos, numa sociedade cada vez mais materialista, consumista e egoísta.
Para que uma parte da justiça seja feita é bom que as crianças saibam que seus papais, mamães e outros muitos, são os que compram seus desejados brinquedos. Pois que nem perguntam por que o bom velhinho não oferece brinquedos lindos e caros aos pobrezinhos? E, antes da tão esperada noite, meus netos encheram duas sacolas com ótimos presentes para doação e abriram espaço para os novos que nesta noite natalina receberam.
O bom de tudo isso é que, sendo Natal, muitos se perdoaram e deixaram no esquecimento poucas ou muitas ofensas; porque é Natal deram de si mesmos visitando doentes, partilhando vida, roupas, alimentos e brinquedos, em creches, orfanatos, asilos e hospitais. Que possamos seguir neste ritmo durante todo o Ano Novo, fazendo de cada dia comum, um dia especial. Este seria o milagre do Natal. Porque o sentimento de amor e amizade; de colaboração e de paz não deve acontecer apenas uma vez por ano, no dia do Natal.
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